A China iniciou a entrega da primeira leva de 60 mil toneladas de arroz a Cuba, como parte de um pacote de ajuda humanitária e econômica para enfrentar a grave crise alimentar e energética que assola a ilha. A remessa, transportada por navios da COSCO Shipping, começou a ser descarregada no porto de Mariel e deve ser concluída até o final de março, segundo comunicado conjunto do Ministério do Comércio chinês e do governo cubano.
Detalhes do pacote de apoio chinês

- Arroz: 60 mil toneladas (equivalente a cerca de 3–4 meses de consumo médio da população cubana em racionamento). – Valor estimado: US$ 36–42 milhões (preço médio internacional do arroz em fevereiro/2026). – Destino: distribuição controlada pela rede de bodegas (mercadinhos estatais) e pela Força Armada Revolucionária (FAR) para evitar mercado negro.
- Pacote elétrico: US$ 80 milhões anunciados em janeiro/2026 para: – Compra de geradores a diesel e turbinas de emergência. – Envio de técnicos chineses para reparar termelétricas antigas (principalmente as de Mariel e Antonio Guiteras). – Doação de painéis solares e baterias para micro-redes em comunidades rurais.
- Outras ações: – Crédito de US$ 100 milhões do Banco de Desenvolvimento da China (CDB) com carência de 3 anos e juros subsidiados. – Remédios e insumos médicos (US$ 15 milhões). – 500 ônibus elétricos Yutong (entrega prevista para o 2º semestre).
Contexto da crise cubana em 2026
- Desabastecimento alimentar: racionamento de arroz caiu para 3–4 libras por pessoa/mês (contra 6 libras históricas).
- Crise energética: blecautes diários de 12–18 horas em quase todo o país (pior desde os anos 1990).
- Inflação e escassez: preço do arroz no mercado informal subiu 400–600% em 2025–2026; filas para pão e óleo chegam a 6–8 horas.
- Êxodo: mais de 320 mil cubanos saíram do país em 2025 (maioria via Nicarágua–México–EUA), segundo dados da ACNUR.
Mobilização internacional

- Brasil: enviou 20 mil toneladas de arroz e 10 mil toneladas de feijão (via Conab e Ministério do Desenvolvimento Agrário).
- México: 15 mil toneladas de milho e envio de geradores de emergência.
- Rússia: 25 mil toneladas de trigo e crédito de US$ 50 milhões para compra de combustível.
- Venezuela: retomada parcial de fornecimento de petróleo (cerca de 40 mil barris/dia em março).
- China: pacote total (arroz + energia + crédito) supera US$ 200 milhões em ajuda direta.
Repercussão
- Governo cubano (Miguel Díaz-Canel): “A solidariedade da China, do Brasil e de outros irmãos é o que nos mantém de pé diante do bloqueio criminoso.”
- Governo chinês (Ministério das Relações Exteriores): “A cooperação Sul-Sul é o caminho para enfrentar desafios comuns. Cuba não está sozinha.”
- Oposição e exilados cubanos: Acusam o regime de usar a ajuda internacional para “sustentar o modelo falido” em vez de promover reformas econômicas profundas.
O Desfecho Até Agora
Cuba recebe um dos maiores pacotes de ajuda humanitária e econômica dos últimos anos, liderado pela China e com participação ativa do Brasil. Enquanto o arroz chinês começa a chegar às bodegas e os geradores ajudam a aliviar os blecautes, o desafio permanece: a ajuda alivia sintomas, mas não resolve as causas estruturais da crise (centralização econômica, bloqueio dos EUA, falta de reformas e dependência externa).
O Jornal 25News acompanhará a distribuição do arroz e os avanços no setor elétrico. Porque, quando 60 mil toneladas de arroz chegam para alimentar uma ilha faminta, o gesto é vital — mas também é um lembrete de que a solidariedade internacional, por mais generosa que seja, não substitui mudanças internas capazes de gerar comida e energia sem depender eternamente de navios estrangeiros. Em 2026, a ajuda chega; a solução, ainda não.
Apoio Institucional
Ibrachina – Instituto Sociocultural Brasil-China
APECC – Associação Paulista de Empreendedores
Shopping Circuito das Compras – O Maior Shopping Popular do Brasil
Calabria – Oportunidades de Negócios
Advocacia Marcovicchio
Lit Pró Digital
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