Centro Histórico de São Paulo, 27 de maio de 2026.
Se você, trabalhador paulistano que rala de sol a sol, acredita que as câmeras acopladas no peito dos policiais militares são uma garantia absoluta de segurança e justiça, a realidade das ruas acaba de aplicar um choque de lucidez. O cidadão honesto, que paga impostos pesadíssimos para sustentar os cofres do estado, agora descobre que a ferramenta de proteção está sofrendo um verdadeiro “apagão” planejado.
A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo, está sendo obrigada a abrir uma média assustadora de 50 procedimentos investigativos por mês, para apurar o uso inadequado, o desligamento intencional ou a alegada “falta de bateria” das Câmeras Operacionais Portáteis (COPs). Onde deveria haver transparência absoluta, o que o leitor encontra é o silêncio de telas escuras em momentos cruciais.
A ENGRENAGEM DO FATO: A engrenagem dessa blindagem corporativa, funciona por meio de desculpas técnicas convenientes e falhas burocráticas injustificáveis. Quando um confronto ocorre nas periferias ou no centro da capital, o roteiro se repete: em situações de letalidade policial, os equipamentos aparecem descarregados ou desligados.
Em um caso recente investigado na Zona Leste, uma soldado de apenas 21 anos atirou e matou uma ajudante-geral de 31 anos, mãe de 5 filhos. Na hora do disparo fatal, a policial estava sem o equipamento, porque o processo burocrático de vinculação do seu CPF ao sistema da PM não havia sido finalizado pelas chefias.
Outro caso emblemático, aponta que um tenente justificou em boletim de ocorrência, que sua câmera estava completamente descarregada durante uma ação que resultou em morte. Essa suposta negligência com as baterias e com os protocolos de gravação cria zonas cegas na segurança pública, onde a palavra do policial se impõe sem o veredito incontestável da imagem gravada.
VOZES E ANÁLISE: Para quem vive sob a tensão diária da violência urbana, a falta de registro nas abordagens, destrói a confiança que o trabalhador precisa ter nas forças da lei.
“A gente quer a polícia na rua trabalhando firme, mas quer a garantia de que as coisas estão sendo feitas do jeito certo. Se o governo gasta milhões com essas câmeras e o policial desliga ou deixa descarregar na hora que o bicho pega, quem está sendo enganado é o trabalhador. Quem não deve, não teme; por que desligar a câmera?”, questiona o comerciante Marcos Antunes, de 49 anos, que atua na região da República.
Especialistas em segurança pública e o próprio Ministério Público de São Paulo (MPSP), alertam que a eficácia da tecnologia de monitoramento é sabotada quando não há rigor na fiscalização do uso cotidiano.

O Supremo Tribunal Federal (STF), homologou recentemente um acordo para ampliar a obrigatoriedade do uso de câmeras, exigindo inclusive o acionamento remoto e automático dos dispositivos em áreas de risco. Porém, de nada adianta a mais alta corte do país criar regras se, na base da operação, o botão de desligar continuar sendo acionado sem punição severa.
DADOS OFICIAIS:
- Volume de Inquéritos: Cerca de 50 procedimentos administrativos e disciplinares abertos por mês, para investigar irregularidades no uso de câmeras.
- Base de Investigação: Portaria PM1-4/02/24 da Policia Militar, relatórios disciplinares mensais enviados ao Ministério Público e decisões de controle externo.
- Localização: Todo o território do estado de São Paulo, com maior incidência de fiscalizações na Região Metropolitana e periferias da capital.
- Impacto Social: Enfraquecimento da produção de provas judiciais, insegurança jurídica para os próprios policiais e desvio de finalidade de um investimento que custa milhões de reais aos cofres públicos do contribuinte.
O RIGOR DA LEI: Não podemos aceitar que um policial militar, que carrega em seu peito a representação da força do Estado e a defesa do cidadão, trate uma câmera corporal como se fosse um brinquedo que ele decide quando ligar ou desligar.
A farda exige disciplina de ferro. O policial que alega “falta de bateria” para esconder uma ação violenta ou fora das normas técnicas, deve ser tratado com o máximo rigor da Corregedoria. Se a câmera parou de gravar sem uma justificativa mecânica comprovada por perícia técnica, a presunção de legitimidade da ação policial deve ser imediatamente questionada.
O governo paulista, que está investindo na aquisição de mais de 12 mil novas câmeras portáteis, precisa entender que tecnologia, sem punição rigorosa para desvios de conduta é apenas desperdício do suado dinheiro do povo trabalhador. A ordem pública só existe onde a lei é aplicada para todos, sem exceções corporativistas.
AGORA A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:
Você acredita que o desligamento da câmera corporal pelo policial durante uma ocorrência de confronto, deve ser tratado automaticamente como fraude processual e crime militar, ou as justificativas de falhas técnicas e descarregamento de bateria devem continuar sendo aceitas pela Corregedoria?
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