Na Vila Vivaldi, bairro periférico de São Bernardo do Campo, o coletivo Motyrõ transformou um terreno baldio de 4.800 m² — antigo ponto de descarte irregular de entulho e lixo — em uma horta comunitária produtiva que já fornece alimento para cerca de 180 famílias e reduz em até 4 °C a sensação térmica local durante ondas de calor. O projeto, batizado de “Oásis Vivaldi”, é considerado referência em soberania alimentar e adaptação climática urbana na região do ABC Paulista.
Como o Oásis Vivaldi funciona

- Área total: 4.800 m² (antigo terreno particular abandonado, regularizado via usucapião comunitário em 2024).
- Produção atual (março/2026): – Hortaliças folhosas, raízes, tubérculos e temperos (alface, couve, rúcula, cenoura, beterraba, mandioca, coentro, cebolinha, manjericão). – Média mensal: 1,2–1,5 tonelada de alimentos orgânicos. – Distribuição: 60% doa para famílias em vulnerabilidade (via CRAS e igrejas locais), 30% vendido a preço simbólico (R$ 2–4 o maço) na feira semanal do bairro, 10% usado em mutirões comunitários e compostagem.
- Mitigação climática: – Sombreamento natural reduz temperatura média do solo em 3–5 °C e sensação térmica em até 4 °C nos dias mais quentes. – Sistema de captação de água da chuva + reuso de água cinza (de pias e chuveiros) evita desperdício e ajuda no controle de enchentes locais (o terreno ficava alagado em chuvas acima de 50 mm). – Compostagem de resíduos orgânicos do bairro diminui em ~70% o volume de lixo orgânico que ia para o aterro.
- Equipe e financiamento: – Coletivo Motyrõ: 28 membros fixos + voluntários rotativos (maioria moradores da Vila Vivaldi e adjacências). – Recursos: doações, economia solidária, editais municipais (Programa ABC Sustentável) e parceria com a Embrapa (fornecimento de mudas e capacitação em agroecologia).
Impacto social e ambiental em 2026
- Combate à fome: atende diretamente 180–220 famílias (cerca de 800 pessoas) com cesta básica mensal gratuita ou a preço acessível.
- Saúde e bem-estar: redução de 35% nos relatos de ansiedade e estresse entre participantes (pesquisa interna do coletivo, 2025).
- Segurança hídrica: o terreno, antes ponto de alagamento, agora absorve 60–70% mais água da chuva graças à permeabilidade do solo coberto por plantas e cobertura morta.
- Educação ambiental: 420 crianças e adolescentes passaram por oficinas de plantio e compostagem em 2025–2026.
Caminho para virar política pública

- O projeto foi apresentado em fevereiro de 2026 na Câmara Municipal de São Bernardo como proposta de lei para criação do Programa Municipal de Hortas Comunitárias Resilientes (inspirado no Oásis Vivaldi).
- Meta: implantar 15 hortas semelhantes até 2029 em bairros vulneráveis, com foco em controle de enchentes, segurança alimentar e geração de renda.
- Apoio: vereadores da base governista (PSB, PT, PDT) já sinalizam apoio; oposição cobra contrapartida de “fiscalização rigorosa” para evitar ocupação irregular.
Repercussão
- Coletivo Motyrõ (líder comunitária Ana Clara Santos): “Não plantamos só comida — plantamos dignidade. Aqui ninguém passa fome e ninguém passa calor sozinho. O terreno era lixo; hoje é vida.”
- Prefeitura de São Bernardo: “O Oásis Vivaldi é exemplo de iniciativa que dialoga com as políticas públicas. Estamos estudando como escalar o modelo com recursos do orçamento participativo.”
- Movimentos sociais: MTST e União de Movimentos de Moradia do ABC apoiam a proposta de lei, mas exigem que as hortas sejam geridas pelas comunidades e não por empresas ou ONGs externas.
Até Agora
Enquanto o ABC enfrenta ondas de calor cada vez mais intensas e insegurança alimentar persistente, o Oásis Vivaldi mostra que soluções simples — terra limpa, sementes, trabalho coletivo e água da chuva — podem gerar alimento, sombra, renda e esperança. O projeto não é só uma horta: é uma resposta prática à crise climática e social que não depende de grandes obras ou verbas milionárias.
O Jornal 25News acompanhará a tramitação do projeto de lei na Câmara de São Bernardo e a possível expansão para outros bairros. Porque, quando um terreno baldio vira mesa farta e sombra fresca para 800 pessoas, o que está sendo cultivado não é só alface e couve — é a prova de que a periferia pode ser protagonista da própria transformação. E isso, em 2026, é o verdadeiro oásis urbano que o Brasil precisa.
Apoio Institucional
Ibrachina – Instituto Sociocultural Brasil-China
APECC – Associação Paulista de Empreendedores
Shopping Circuito das Compras – O Maior Shopping Popular do Brasil
Calabria – Oportunidades de Negócios
Advocacia Marcovicchio
Lit Pró Digital
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