Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 16 de julho de 2026.
Você que enfrenta o trânsito travado, espremido em ônibus lotados na Avenida Roberto Marinho ou perdendo horas para cruzar o Rio Pinheiros, sabe muito bem o valor do tempo, O que você não pode esquecer é que a Linha 17-Ouro do monotrilho, deveria ter ficado pronta para a Copa do Mundo de 2014, mas levou 12 anos e consumiu quase R$ 6 bilhões de impostos, para entregar apenas as primeiras oito estações.
Agora, uma nova licitação tenta finalmente levar o transporte de massa até as comunidades e bairros que foram deixados de fora. Na última terça-feira (14), a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), deu um passo importante ao receber as propostas de consórcios interessados em revisar e elaborar os projetos executivos para a expansão da linha, trazendo a esperança de que o monotrilho não termine como um meio de transporte incompleto.
A ENGRENAGEM DO FATO: O processo licitatório atraiu o interesse de grandes gigantes da engenharia e de infraestrutura nacional. Ao todo, quatro consórcios apresentaram propostas válidas para o certame, com valores que variam de R$ 48,99 milhões a R$ 91,36 milhões. A menor oferta foi do Consórcio Projetista Linha 17-Monotrilho (liderado pela empresa ARX Brasil), que propôs realizar o serviço por pouco mais de R$ 48,98 milhões. No outro extremo, a maior oferta válida chegou a R$ 91,36 milhões, apresentada pelo Consórcio IMNP 17.
No entanto, o que chamou a atenção e causou indignação nos bastidores, foi a tentativa de sabotagem ou deboche contra o processo público: três empresas — Construmax Construções, Engenharia Montijo e Real Visão Construção Civil — foram sumariamente desclassificadas pela comissão de licitação, após apresentarem propostas absurdas e simbólicas, que atingiram a marca inacreditável de até R$ 10 trilhões, uma manobra bizarra que o Metrô precisou descartar de imediato para manter a seriedade da concorrência.
VOZES E ANÁLISE: Diferente das obras físicas pesadas, este contrato foca no planejamento intelectual e de engenharia. A empresa ou consórcio vencedor, será responsável por atualizar o projeto básico elaborado há mais de uma década e desenhar o projeto executivo de quatro novas estações cruciais: Panamby, Paraisópolis, Américo Maurano (do outro lado do Rio Pinheiros) e Vila Paulista (na Roberto Marinho).

Especialistas em mobilidade urbana, explicam que essa revisão é indispensável porque a dinâmica geográfica, o crescimento populacional e o próprio traçado das avenidas, sofreram mudanças profundas nos últimos dez anos. “Não se pode construir uma obra de alta complexidade em 2026, usando plantas e estimativas de impacto de 2012. Essa atualização é o cimento que evitará novos erros estruturais e paralisações nas futuras obras civis”, comentam analistas do setor de transportes metropolitanos.
DADOS OFICIAIS:
Valores/Propostas: Quatro ofertas válidas entre R$ 48,99 milhões e R$ 91,36 milhões; três propostas desclassificadas por valores simbólicos incompatíveis (de até R$ 10 trilhões).
Base Legal: Lei Federal nº 14.133/2021 (Nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos) aplicável ao julgamento por menor preço e capacidade técnica.
Localização: Zona Sul de São Paulo, abrangendo as futuras estações de expansão do monotrilho na divisa de Paraisópolis, Panamby, Américo Maurano e Vila Paulista.
Impacto Social: Planejamento que servirá de base para a futura inclusão de milhares de moradores da comunidade de Paraisópolis na malha sobre trilhos, garantindo integração direta com a Linha 9-Esmeralda e o Aeroporto de Congonhas.
O RIGOR DA LEI: O paulistano já pagou uma conta salgada demais, por obras inacabadas e consórcios que abandonaram canteiros pela metade na última década. O monotrilho da Linha 17-Ouro tornou-se um símbolo da lentidão pública, e a sociedade não tolera mais desculpas ou contratos aditivados sem critério.
O Governo do Estado de São Paulo e os órgãos de controle interno do Metrô, devem aplicar o rigor absoluto na análise das certidões técnicas dos consórcios concorrentes.
O resultado, prometido para o dia 20 de agosto, deve selecionar não apenas a proposta mais barata, mas aquela que comprove capacidade técnica real de entregar os projetos dentro do prazo estrito de dois anos, sem brechas para novos atrasos ou disputas judiciais sem fim. O trabalhador paulistano exige que cada centavo investido retorne em forma de trilhos, segurança e transporte digno.
AGORA A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:
Você acredita que a contratação destes novos projetos executivos é uma garantia real de que o monotrilho chegará de fato a Paraisópolis e ao Morumbi, ou os moradores da Zona Sul estão condenados a ver essa expansão virar mais uma promessa eleitoral engatada por mais uma década?
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