DATAFOLHA: TARCÍSIO LIDERA COM 46%, HADDAD TEM 30%; SEGURANÇA É O PRINCIPAL PONTO DE ATENÇÃO
Governador inicia a disputa pela reeleição com vantagem, aprovação elevada e força nas entregas de infraestrutura, mas aumento da letalidade e investigações envolvendo policiais deverão ser explorados pelos adversários
Centro Histórico da Cidade de São Paulo, segunda-feira, 6 de julho de 2026
Por Redação Jornal25News
LEITURA RÁPIDA — 1 MINUTO
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, inicia a fase das convenções partidárias em posição amplamente favorável na disputa pela reeleição.
Segundo pesquisa Datafolha divulgada neste domingo, 5 de julho, Tarcísio aparece com 46% das intenções de voto, diante de 30% de Fernando Haddad, do PT. A vantagem é de 16 pontos percentuais.
Na sequência estão Vera Lúcia, do PSTU, com 5%, Carlos Machado, do PCB, e Vivian Mendes, da Unidade Popular, ambos com 4%. Brancos, nulos ou nenhum candidato somam 8%, e 3% dos entrevistados não souberam responder.
Considerados apenas os votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, Tarcísio alcança 52%. O resultado coloca no cenário a possibilidade de vitória no primeiro turno, mas não permite afirmar que a disputa esteja decidida. A margem de erro é de dois pontos percentuais, e a campanha oficial ainda não começou.
Em eventual segundo turno, Tarcísio venceria Haddad por 53% a 37%. O petista também enfrenta rejeição mais elevada: 47% afirmam que não votariam nele de maneira alguma, diante de 29% que dizem o mesmo sobre o governador.
A avaliação da administração estadual também favorece Tarcísio. Para 45% dos eleitores, o governo é ótimo ou bom; 32% consideram a gestão regular e 20%, ruim ou péssima. Quando perguntados diretamente sobre o trabalho do governador, 63% dizem aprovar e 32% desaprovar.
As obras de infraestrutura, a retomada de projetos paralisados e a continuidade de grandes empreendimentos oferecem ao governador resultados visíveis para apresentar durante a campanha.
O principal ponto de atenção, entretanto, está na segurança pública.
O próprio Datafolha identifica segurança e saúde entre os maiores problemas apontados pelos paulistas. O aumento das mortes decorrentes de intervenções policiais e a recorrência de operações que investigam suspeitas de corrupção dentro das forças de segurança deverão ser utilizados pelos adversários para questionar a condução da área.
LEITURA INTEGRAL
Tarcísio abre vantagem de 16 pontos
A primeira pesquisa Datafolha realizada após a consolidação das principais pré-candidaturas mostra Tarcísio de Freitas em situação confortável na busca por mais quatro anos no Palácio dos Bandeirantes.
No cenário estimulado, quando os nomes são apresentados aos eleitores, o governador registra 46%, enquanto Fernando Haddad aparece com 30%.
Vera Lúcia tem 5%. Carlos Machado e Vivian Mendes aparecem com 4% cada. Outros 8% pretendem votar em branco, anular ou não escolher nenhum candidato. Os indecisos representam 3%.
A pesquisa ouviu presencialmente 1.608 eleitores de 71 municípios paulistas, entre os dias 1º e 3 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número SP-01703/2026.
Possibilidade de vitória no primeiro turno
Ao retirar brancos, nulos e indecisos, Tarcísio chega a 52% dos votos válidos.
Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa obter mais da metade dos votos válidos. O percentual atual do governador ultrapassa essa marca, mas está sujeito à margem de erro.
Além disso, pesquisas eleitorais representam a opinião dos entrevistados no momento em que o levantamento é realizado. Não são previsões definitivas do resultado das urnas.
As convenções partidárias, a definição dos candidatos a vice, as alianças, os debates e o início da propaganda poderão modificar o cenário.
As candidaturas ainda precisarão ser confirmadas pelos partidos. O calendário eleitoral estabelece que as convenções devem ser realizadas até 5 de agosto, e o primeiro turno ocorrerá em 4 de outubro.
SEGUNDO TURNO E REJEIÇÃO
Em uma disputa direta entre Tarcísio e Haddad, o governador aparece com 53%, diante de 37% do ex-ministro.
A distância permanece em 16 pontos percentuais, semelhante à registrada na simulação de primeiro turno.
A rejeição representa outro obstáculo para a candidatura petista. Quase metade dos entrevistados, 47%, afirma que não votaria em Haddad em nenhuma circunstância. A rejeição de Tarcísio é de 29%.
Esses números indicam que Haddad precisa não apenas conquistar eleitores indecisos ou que hoje apoiam candidaturas menores, mas também reduzir a resistência ao seu nome.
Tarcísio, por sua vez, terá o desafio de preservar sua vantagem durante o período de maior exposição da administração estadual.
APROVAÇÃO FAVORECE O GOVERNADOR
A gestão de Tarcísio é considerada ótima ou boa por 45% dos entrevistados. Outros 32% classificam o governo como regular, e 20% avaliam a administração como ruim ou péssima.
Em outra pergunta, 63% afirmam aprovar o trabalho do governador, enquanto 32% desaprovam.
Os indicadores utilizam metodologias diferentes e não são contraditórios. Um eleitor pode aprovar o governo, mas considerá-lo apenas regular.
Existe, porém, um sinal de cobrança: 46% dos entrevistados consideram que Tarcísio realizou menos do que poderia durante o mandato. Para 35%, o governador fez o esperado, e 13% acreditam que entregou mais do que se esperava.
OBRAS E INFRAESTRUTURA FORTALECEM A CAMPANHA
A agenda de infraestrutura é um dos principais ativos políticos do governador.
A administração estadual apresenta como resultados a retomada e o avanço de empreendimentos como o trecho norte do Rodoanel, a Linha 17-Ouro do Metrô, o projeto do túnel Santos–Guarujá e os programas de modernização das rodovias estaduais.
Também foram anunciados novos pacotes de investimentos em estradas, concessões e obras regionais.
Alguns desses projetos começaram em governos anteriores ou passaram por longos períodos de paralisação. Ao assegurar recursos, retomar contratos ou dar continuidade às obras, o atual governo obtém entregas que podem ser apresentadas à população.
Obras são visíveis, movimentam a economia regional e afetam diretamente a mobilidade. Por isso, tendem a produzir uma repercussão positiva mais imediata do que políticas cujos resultados demoram a ser percebidos.
Esse conjunto de realizações ajuda a explicar a posição favorável de Tarcísio, embora não elimine cobranças em outras áreas.
SEGURANÇA PÚBLICA É O CALO DO GOVERNO
Apesar da vantagem eleitoral e da aprovação registrada pelo Datafolha, a segurança pública é uma das áreas mais sensíveis da gestão.
O levantamento coloca segurança e saúde entre os maiores problemas apontados pelos eleitores paulistas.
A área reúne duas discussões que deverão ocupar espaço relevante na campanha: o aumento da letalidade policial e os casos em que agentes são investigados por suspeitas de corrupção, proteção a criminosos, vazamento de informações ou outros desvios de conduta.
Letalidade policial aumentou
São Paulo registrou 834 mortes decorrentes de intervenções policiais em 2025, diante de 813 em 2024, 504 em 2023 e 421 em 2022.
Os números mostram que o total praticamente dobrou entre 2022 e 2025.
No primeiro trimestre de 2026, policiais militares e civis em serviço mataram 142 pessoas no estado, média próxima de cinco mortes por dia.
O crescimento exige avaliação permanente dos protocolos operacionais, do treinamento, das ordens de comando, da atuação das corregedorias e do uso das câmeras corporais.
O policial tem o direito de se defender e o dever de proteger a população. O Estado, porém, também possui a obrigação de investigar cada morte, diferenciar confrontos legítimos de eventuais abusos e impedir que o uso da força ultrapasse os limites legais.
Não se trata de desconsiderar o risco enfrentado diariamente pelos agentes, mas de reconhecer que a letalidade elevada produz consequências humanas, institucionais e políticas.
Investigações envolvendo policiais
Outro fator de desgaste é a repetição de notícias sobre policiais investigados por possíveis relações com organizações criminosas ou por práticas de corrupção.
Em março de 2026, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo deflagrou a Operação Bazaar.
Segundo o Ministério Público, a investigação apura a atuação de policiais que, em tese, ofereciam proteção a integrantes de uma organização envolvida em lavagem de dinheiro. Foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão e 11 mandados de prisão. As responsabilidades individuais ainda dependem da conclusão dos processos e do julgamento das provas.
Esses episódios não podem ser utilizados para generalizar a conduta de corporações formadas por milhares de profissionais. A maioria dos policiais exerce uma atividade difícil, perigosa e indispensável à sociedade.
Entretanto, quando agentes públicos são suspeitos de proteger criminosos ou utilizar a função para obter vantagens, o dano ultrapassa as pessoas diretamente envolvidas.
Os casos atingem a confiança da sociedade, enfraquecem a autoridade das instituições e repercutem sobre o governo responsável pela política estadual de segurança.
TEMA SERÁ EXPLORADO PELA OPOSIÇÃO
A segurança pública deverá ser uma das principais linhas de ataque dos adversários de Tarcísio.
O governador poderá ser questionado sobre:
- o aumento das mortes em intervenções policiais;
- a política estadual para utilização de câmeras corporais;
- os protocolos das operações de maior risco;
- a fiscalização exercida pelas corregedorias;
- a transparência na divulgação de dados;
- as medidas contra corrupção e infiltração do crime organizado nas instituições;
- a proteção e valorização dos policiais que atuam dentro da lei.
A oposição tentará apresentar a segurança como o principal ponto vulnerável de uma administração que chega à eleição fortalecida pelas obras e pelos índices de aprovação.
Caberá ao governo demonstrar que consegue combater o crime com eficiência, reduzir os desvios e preservar a legalidade.
HADDAD PRECISA CRESCER NO INTERIOR
Fernando Haddad inicia a disputa em desvantagem e com elevada rejeição.
Sua campanha deverá tentar reunir os eleitores de esquerda que aparecem distribuídos entre outras pré-candidaturas, ampliar a presença no interior e reduzir a resistência ao seu nome.
O petista também contará com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e deverá apresentar a eleição paulista como uma disputa entre projetos políticos nacionais.
Em 2022, Tarcísio derrotou Haddad no segundo turno e conquistou o governo estadual. A eleição de 2026 poderá repetir o confronto, agora com Tarcísio ocupando o cargo e Haddad tentando transformar a avaliação do governo em um debate sobre segurança, saúde, privatizações e serviços públicos.
O QUE A PESQUISA MOSTRA
O Datafolha mostra que Tarcísio começa a disputa em posição favorável.
O governador possui vantagem de 16 pontos sobre o principal adversário, menor rejeição e uma administração aprovada pela maioria dos entrevistados.
As entregas de infraestrutura e a continuidade de grandes obras fortalecem sua narrativa eleitoral.
Ao mesmo tempo, a pesquisa revela que quase metade dos paulistas considera que o governador poderia ter feito mais.
Também mostra que segurança pública e saúde permanecem como áreas de forte preocupação.
Portanto, o cenário é positivo para Tarcísio, mas não elimina os pontos de vulnerabilidade que serão colocados no centro da campanha.
OLHAR 360º — MÁRIO MARCOVICCHIO

A pesquisa registra uma vantagem clara de Tarcísio de Freitas.
O governador chega à disputa com obras para apresentar, projetos retomados e investimentos que produzem resultados visíveis. Isso repercute de forma positiva e ajuda a sustentar sua aprovação.
Mas existe um ponto que merece atenção especial: a segurança pública.
O aumento da letalidade policial e a recorrência de operações que investigam agentes por suspeitas de corrupção, proteção a criminosos ou outros desvios mancham a imagem de um governo que apresenta resultados positivos em setores como infraestrutura.
Não se pode condenar toda uma corporação pela conduta de alguns integrantes.
A Polícia Militar e a Polícia Civil são formadas, em sua maioria, por homens e mulheres que arriscam a própria vida para proteger a população.
Justamente por isso, os bons policiais precisam ser protegidos daqueles que desonram a função pública.
O combate ao crime exige firmeza. Mas firmeza não pode ser confundida com ausência de controle, falta de transparência ou tolerância com abusos.
Os adversários explorarão esse tema, e caberá ao governador responder com medidas concretas, investigações rigorosas, corregedorias independentes e protocolos capazes de reduzir mortes evitáveis.
Obras são importantes. Melhoram a mobilidade, geram empregos e demonstram capacidade administrativa.
Mas segurança pública também é construída com prevenção, inteligência, integridade e confiança da sociedade.
A melhor polícia é a que faz o crime não acontecer.
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