Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 2 de julho de 2026.
Você que rala de sol a sol, que enfrenta o asfalto quente todos os dias e sonha com uma sombra fresca para respirar e levar os seus filhos no fim de semana, sabe muito bem o valor de uma praça arborizada na sua comunidade. Os fragmentos de verde que restam em São Paulo, funcionam como verdadeiros pulmões no meio da selva de pedra. Por isso, ver o trator do progresso ameaçar derrubar árvores centenárias e nativas, gera um sentimento de revolta, mesmo quando a causa por trás da obra é a mais nobre possível.
Nas últimas semanas, um embate silencioso tomou conta da Zona Oeste. O projeto para erguer um moderno Centro Municipal para Pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (Centro TEA) na Praça Kaol Sugimoto, no Butantã, colocou em lados opostos a urgência por atendimento de saúde e a preservação de uma área de Mata Atlântica nativa. Diante do clamor e da resistência popular, a prefeitura se viu forçada a recuar e colocar o projeto sob reavaliação.
A ENGRENAGEM DO FATO: A engrenagem do conflito começou a girar no dia 8 de junho, data marcada em placa pública como o início das obras da nova unidade terapêutica. O Centro TEA é um projeto de grande impacto da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência, desenhado para suprir a histórica carência de apoio especializado e oferecer até 45 mil atendimentos mensais a pessoas de todas as idades no Butantã.
No entanto, o projeto da SP Obras revelou que o novo prédio de concreto ocuparia mais da metade da Praça Kaol Sugimoto — uma área verde densa batizada em homenagem a um pioneiro do escotismo. Moradores do bairro, notaram que dezenas de árvores nativas de Mata Atlântica começaram a ser marcadas com tinta vermelha para o abate.
A planilha técnica da própria prefeitura previa a remoção e o corte de até 100 árvores no terreno. O detalhe que acendeu o alerta vermelho, é que a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), declarou que não havia concluído ou aprovado nenhum Termo de Compromisso Ambiental (TCA) para validar a derrubada dos espécimes.
VOZES E EMBATE: De um lado do debate, estão milhares de famílias atípicas que vivem o esgotamento diário de não encontrar terapeutas, psicólogos e fonoaudiólogos especializados na rede pública para acolher seus filhos autistas. A primeira unidade do Centro TEA, em Santana, realizou milhares de atendimentos em seu primeiro ano e virou referência de inclusão, justificando a pressa da prefeitura em expandir o serviço para as demais regiões da capital.

Do outro lado, a comunidade local e coletivos de defesa do meio ambiente se mobilizaram rapidamente. Eles criaram abaixo-assinados e entraram com uma ação popular na Justiça, para impedir o avanço das motosserras sobre uma das poucas praças preservadas do Butantã. “Nós apoiamos com todas as forças a criação do Centro para autistas, ele é fundamental. O erro é o local escolhido. Destruir uma praça de terra e Mata Atlântica, para fazer um prédio em um bairro cheio de terrenos baldios e galpões abandonados, é uma falha grave de planejamento”, pontuou uma arquiteta e moradora da região que lidera os protestos.
DADOS OFICIAIS:
Local do Impasse: Praça Kaol Sugimoto, Butantã, Zona Oeste de São Paulo.
Equipamento Planejado: Novo Centro TEA (Transtorno do Espectro Autista).
Capacidade de Atendimento: Meta de até 45 mil procedimentos individuais e coletivos mensais.
Impacto Florestal: Marcação e previsão de retirada de até 100 árvores nativas de Mata Atlântica.
Status do Projeto: Obras temporariamente paralisadas; gestão Nunes reavalia a implementação; prefeitura notificada a prestar informações em ação popular na Justiça.
O RIGOR DA COBRANÇA: O trabalhador paulistano não pode ser colocado contra a parede, e forçado a escolher entre a saúde de crianças com autismo e o oxigênio que ele respira na calçada de sua casa. Ambas as demandas são sagradas e urgentes, e tratá-las como excludentes é um atestado de pura ineficiência administrativa.
A prefeitura de São Paulo, não precisa desmatar uma praça com árvores nativas da Mata Atlântica, para garantir o direito de ir e vir do cidadão com deficiência. A cidade está cheia de prédios públicos desocupados, terrenos já pavimentados sob controle da prefeitura ou espaços ociosos, que poderiam ser desapropriados para receber o novo Centro TEA sem derramar uma única folha de floresta.
A reavaliação anunciada pela gestão Nunes, deve ser levada a sério. Exigimos que o poder público ouça a comunidade local, e encontre uma solução inteligente que una o cuidado com a saúde atípica e o respeito rigoroso às nossas áreas verdes.
AGORA A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:
Você acredita que a prefeitura deveria manter o projeto do Centro TEA na Praça Kaol Sugimoto, mesmo que isso custe a derrubada de cem árvores nativas de Mata Atlântica, ou a gestão municipal deve encontrar um prédio público ocioso no Butantã para abrigar o serviço de saúde sem destruir a praça do bairro?
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