O Parque Ibirapuera, o maior e mais querido espaço público da capital paulista, vive um dos momentos mais delicados de sua história recente. Frequentadores relatam aumento significativo de furtos, assaltos e sensação de insegurança, enquanto a concessionária Urbia Parques (responsável pela gestão desde 2021) avança com intervenções polêmicas que dividem opiniões: da proposta de instalar uma academia premium na antiga serraria histórica à instalação de novos quiosques e áreas pagas. Em março de 2026, o debate central não é mais só sobre conservação — é sobre até onde o lucro privado pode ir sem comprometer o caráter de espaço público e democrático do “pulmão verde” de São Paulo.
Os números da insegurança (dados 2025–2026)

- Furtos e roubos: aumento de 47% em ocorrências registradas dentro do parque entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026 (fonte: SSP-SP e Guarda Civil Metropolitana).
- Assaltos com violência: 28 casos confirmados em 2025 (contra 11 em 2024).
- Percepção de insegurança: pesquisa Datafolha (fevereiro/2026) mostra que 61% dos frequentadores regulares afirmam se sentir “inseguros” ou “muito inseguros” após as 18h.
- Fechamento precoce: em dias de semana, o parque tem sido fechado às 18h em algumas áreas por recomendação da GCM devido a roubos recorrentes no entorno.
As propostas polêmicas da Urbia
- Academia na Serraria Histórica (galpão de 1928 tombado pelo Condephaat): – Investimento de R$ 35 milhões. – Transformação em academia premium (capacidade para 400–500 alunos, mensalidades estimadas entre R$ 180–350). – Manutenção da fachada original, mas ampliação interna e instalação de equipamentos modernos. – Resistência: Condephaat, COMPRESP, SOS Ibirapuera e movimentos de defesa do parque classificam o uso como “incompatível com o tombamento” e “mercantilização de patrimônio público”.
- Outras intervenções em andamento ou planejadas: – Aumento de quiosques e food trucks (já 18 unidades em 2026, contra 9 em 2021). – Criação de áreas pagas para eventos privados e locação de espaços para empresas. – Instalação de câmeras e iluminação LED (positivo), mas com cobrança de “taxa de manutenção” em alguns acessos.
Posicionamento das partes

- Urbia Parques: “A receita gerada pelas intervenções é reinvestida integralmente na manutenção, limpeza e segurança do parque. Sem isso, o Ibirapuera não teria como se sustentar com o orçamento público atual.”
- Prefeitura de São Paulo (Ricardo Nunes): Apoio à concessão, mas cobrança por mais efetivo da GCM e câmeras. “O parque é de todos, e vamos garantir que continue sendo.”
- Movimentos sociais e frequentadores: Abaixo-assinado online com mais de 180 mil assinaturas pede revisão do contrato de concessão e proibição de usos comerciais em áreas tombadas. Manifestações semanais no vão do MASP cobram “Ibirapuera para o povo, não para o lucro”.
O Desfecho Até Agora
O Ibirapuera está no centro de um embate que vai além de segurança ou estética: é sobre o modelo de gestão de espaços públicos em uma cidade desigual. De um lado, a concessionária argumenta que o lucro privado é a única forma de manter o parque limpo, seguro e funcional. Do outro, a sociedade civil alerta que a privatização gradual transforma o “pulmão verde” em um clube de elite, onde quem não pode pagar mensalidade ou evento acaba excluído.
A próxima audiência pública no Conselho Deliberativo do Parque (prevista para 18 de março) será decisiva para o projeto da academia na serraria. Enquanto isso, os furtos continuam, as grades sobem em alguns acessos e a pergunta permanece: o Ibirapuera pode ser ao mesmo tempo lucrativo e democrático? Ou o preço da segurança e da manutenção será, inevitavelmente, a perda do que o parque sempre representou — um espaço de todos, para todos?
O Jornal 25News acompanhará a audiência do dia 18 e as manifestações em torno do tema. Porque, quando o parque mais amado de São Paulo começa a cobrar para respirar, o que está em risco não é só grama e lago — é a ideia de que a cidade ainda pertence a quem nela vive. Em 2026, o Ibirapuera não precisa de mais grades: precisa de mais gente cuidando dele. De verdade.
Apoio Institucional
Ibrachina – Instituto Sociocultural Brasil-China
APECC – Associação Paulista de Empreendedores
Shopping Circuito das Compras – O Maior Shopping Popular do Brasil
Calabria – Oportunidades de Negócios
Advocacia Marcovicchio
Lit Pró Digital
Gostou deste conteúdo? Fique por dentro das principais notícias de São Paulo e região. Curta, compartilhe e siga o Jornal 25 News nas redes sociais!
Redes Sociais | Jornal25News – Independente
Quer saber mais de tudo que está acontecendo à sua volta e as últimas notícias?
Clique aqui e navegue pelo nosso portal Jornal25News – Independente
Curta nossa página no Facebook
Siga nosso Instagram
Nos siga no Twitter (X)
Compartilhe essa matéria em todas as redes


















































