Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 4 de julho de 2026
Você que sai de casa ainda escuro para garantir o sustento da sua família, sabe que o maior desejo do trabalhador é voltar para os seus em segurança. O paulistano quer, sim, o crime asfixiado e as ruas patrulhadas. No entanto, quando quem deveria proteger o cidadão de bem se torna um vetor de risco, a confiança na farda racha.
Após um período de queda, a letalidade policial voltou a subir no estado de São Paulo, provando que a linha tênue entre a aplicação firme da lei e a tragédia urbana, está cada vez mais fragilizada nas nossas periferias, cobrando vidas de quem não deve nada à Justiça.
A ENGRENAGEM DO FATO: A engrenagem dessa escalada de mortes é exposta em detalhes pelo último relatório “Pele Alvo”, produzido pela Rede de Observatórios da Segurança. Os dados de faturamento do crime e redução geral de roubos, são comemorados nos gabinetes, mas as mortes por intervenção estatal subiram 6,4% nos estados monitorados no Brasil. Em São Paulo, o balanço de mortes por farda explodiu, atingindo o recorde histórico de 834 vítimas fatais no consolidado anual — o maior índice de letalidade registrado desde 2019.
O reflexo prático dessa política de confronto não é apenas estatístico; ele tem rosto, nome e destrói lares reais. Na madrugada do dia 3 de abril, a ajudante geral Thawanna Salmázio, de 31 anos e mãe de cinco filhos, foi morta com um tiro no abdômen durante uma abordagem policial na Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo.
O que deveria ser uma verificação de rotina virou bate-boca após a viatura encostar no marido de Thawanna, Luciano Santos. Desarmados, os dois foram encurralados. Thawanna agonizou no chão sem socorro rápido por mais de meia hora sob a mira de fuzis, escancarando como o despreparo no asfalto custa a vida de inocentes.
VOZES E ANÁLISE: Para cientistas sociais e juristas que monitoram a segurança pública paulista, a curva ascendente de mortes, indica uma falha na gestão e no controle do uso da força. “Os dados mostram que não estamos diante de fatalidades isoladas. A letalidade policial responde a uma lógica de segurança baseada puramente no confronto”, afirma Silvia Ramos, coordenadora da Rede de Observatórios.
No âmbito jurídico, promotores do Ministério Público e corregedores, agora investigam graves desvios de protocolo na ação da Zona Leste. A policial que efetuou o disparo contra Thawanna, estava com a câmera corporal desligada por suposta falta de cadastro no sistema.

Para piorar, o boletim de ocorrência original registrou o caso inicialmente como resistência, numa clara tentativa de culpar as próprias vítimas pelo desfecho fatal — versão desmentida por vídeos gravados por vizinhos indignados. “A farda carrega o monopólio da força legítima; quando o agente falha tecnicamente e ignora as regras de engajamento, a conta chega para o cidadão e para a própria credibilidade da corporação”, afirmam especialistas envolvidos na apuração.
DADOS OFICIAIS:
Alta Estatística: Aumento de 6,4% nas mortes provocadas por policiais nos estados acompanhados pela Rede de Observatórios.
Recorde em SP: 834 mortes decorrentes de intervenção policial registradas em São Paulo, o maior patamar desde 2019.
Caso Símbolo: Thawanna Salmázio, de 31 anos, baleada e morta em Cidade Tiradentes sem portar arma alguma.
Base Legal de Apuração: Inquérito Policial Militar e investigação do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) sob acompanhamento do Ministério Público estadual.
Impacto Social: Desconfiança generalizada sobre o patrulhamento de periferia, desvios de conduta acobertados e cinco crianças órfãs de mãe.
O RIGOR DA LEI: O paulistano de bem apoia as forças de segurança quando elas entram em campo para desmantelar facções e deter criminosos de verdade. O que não podemos tolerar é a conivência com o erro e o amadorismo armado. O rigor da lei e da ordem deve servir para garantir a segurança das calçadas, mas também para punir de forma exemplar o policial que perde o controle, desrespeita protocolos vitais e atira em trabalhador desarmado.
A vida de uma mãe de família na periferia deve ser tão sagrada quanto a de qualquer morador de bairro nobre. Se houver comprovação de abuso ou tentativa de fraudar as câmeras corporais, o agente envolvido precisa ser expulso da corporação e levado diretamente para o banco dos réus.
Somente com punição rígida para o mau policial, aliada a um treinamento técnico rigoroso focado na inteligência e na preservação da vida do cidadão que rala de sol a sol, devolveremos a honra à farda e a tranquilidade para as comunidades de São Paulo.
AGORA A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:
Você acredita que o aumento da letalidade policial, reflete o rigor necessário no combate direto à criminalidade no estado, ou demonstra que falta treinamento técnico e controle rigoroso para que vidas inocentes não sejam ceifadas no asfalto?
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