Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 01,07.2026
Você que rala de sol a sol, que acompanha as notícias policiais buscando um sopro de segurança em meio ao medo diário da violência urbana, sabe o quanto a realidade paulista é complexa e cheia de contradições. Muitas vezes, os mesmos personagens que estampam as páginas de jornais sob o manto da tragédia familiar, ressurgem anos depois no epicentro de disputas violentas envolvendo a farda e o crime.
Neste final de semana, a fisionomia do medo voltou a assombrar a família Pimentel. O primeiro-tenente da ROTA Ronickson Pimentel dos Santos, de 39 anos — irmão mais velho de Eloá Pimentel, a adolescente cuja trágica morte chocou o país em 2008 —, sofreu uma emboscada impiedosa em São Caetano do Sul. O atentado ocorre em um momento delicado: enquanto o policial luta pela sobrevivência em uma UTI, a Polícia Civil e a Corregedoria investigam seu envolvimento direto em duas mortes decorrentes de intervenção policial (MDIP).
A ENGRENAGEM DO ATENTADO: A engrenagem que quase tirou a vida do oficial começou a rodar na manhã do último sábado, 27 de junho, na Avenida Goiás, uma das vias mais movimentadas do ABC Paulista. Ronickson estava de folga, à paisana e desarmado, pilotando sua motocicleta após deixar uma academia. Ao parar em um semáforo fechado, foi surpreendido por dois homens em outra moto, que se aproximaram e efetuaram disparos de forma covarde pelas costas, atingindo-o gravemente na região posterior da cabeça.
Socorrido às pressas com o auxílio do helicóptero Águia, o tenente foi encaminhado ao Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, onde passou por uma complexa e delicada cirurgia neurológica de emergência. Seu estado de saúde é considerado gravíssimo, porém estável sob monitoramento neurológico constante. Em uma resposta rápida das forças de segurança, dois suspeitos de dar apoio logístico ao atentado foram presos em Guaianases, na Zona Leste da capital, com o uso de imagens de monitoramento que rastrearam a movimentação coordenada dos carros de apoio. Os executores dos tiros continuam foragidos.
A ENGRENAGEM DAS ABORDAGENS: Mas, longe das câmeras de monitoramento do semáforo, outra engrenagem jurídica funciona de forma paralela nos bastidores policiais. Ronickson ingressou na Polícia Militar em 2009, motivado pela tragédia da irmã, e passou a integrar a Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) em 2019. O batalhão de elite, conhecido por sua alta letalidade, agora tem duas ações coordenadas pelo tenente sob a lupa minuciosa da Justiça e da Polícia Civil.
O caso mais recente sob investigação ocorreu em janeiro de 2026, no município de Suzano, na Grande São Paulo. Durante uma incursão contra o tráfico de drogas, o tenente efetuou disparos de fuzil calibre 5,56 que resultaram na morte de Weslley da Silva Facundo, de 25 anos. O laudo necroscópico da vítima, acendeu o sinal de alerta dos investigadores ao apontar que o suspeito foi atingido pelas costas, contradizendo a versão inicial de confronto armado direto.

O outro inquérito apura uma abordagem violenta realizada em Santo André, em julho de 2025, que também terminou com um suspeito de roubo morto após suposta troca de tiros com a equipe comandada pelo oficial.
DADOS OFICIAIS:
Identificação do Policial: Ronickson Pimentel dos Santos, 39 anos, primeiro-tenente da Rota e irmão de Eloá Cristina Pimentel (vítima de cárcere privado seguido de morte em 2008).
Detalhes do Atentado: Baleado na cabeça no sábado (27 de junho), na Avenida Goiás, São Caetano do Sul. Dois carros de apoio foram apreendidos e dois homens foram presos temporariamente no domingo (28 de junho) sob suspeita de suporte logístico.
Status Clínico Atual: Internado na UTI do Hospital Estadual Mário Covas (Santo André), sob sedação e ventilação mecânica após cirurgia cerebral de emergência. Quadro gravíssimo, porém estável.
Inquéritos Paralelos (MDIP): Investigado por mortes decorrentes de ação policial em Suzano (janeiro de 2026, disparo de fuzil pelas costas) e Santo André (julho de 2025).
O RIGOR DA LEI: O cidadão de bem exige e merece que a lei seja aplicada com o mesmo peso e rigor implacáveis, não importa quem esteja segurando a arma ou vestindo a farda.
A tentativa de execução do tenente Ronickson é um ato hediondo e covarde que deve ser investigado até as últimas consequências, com a punição severa de todos os envolvidos no planejamento e execução do ataque. Por outro lado, o uso legítimo da força pelo Estado não pode ser confundido com carta branca, para abusos ou execuções sumárias no chão de fábrica da periferia.
Se as investigações técnicas da Polícia Civil e os laudos periciais, indicarem que houve excesso ou fraude processual nas ocorrências de Suzano e Santo André, o rigor da justiça deve prevalecer de forma transparente, sem blindagens corporativas.
A farda serve para proteger a sociedade, e cada disparo efetuado em nome do Estado deve ser pautado pela legalidade absoluta e preservação de vidas.
AGORA A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:
Você acredita que a coincidência de o tenente Ronickson Pimentel ser simultaneamente vítima de um grave atentado planejado e investigado por mortes decorrentes de sua atuação em serviço expõe a urgência de uma reformulação nos protocolos de segurança e controle da letalidade policial em São Paulo, ou essas situações devem ser tratadas de forma totalmente isolada pela justiça?
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