TRAGÉDIA NA ZONA LESTE: MULHER MORRE APÓS PERFURAÇÃO INTESTINAL DURANTE COLONOSCOPIA
Exame era preventivo, segundo a família; paciente passou por cirurgia de emergência no Hospital de Ermelino Matarazzo, mas não resistiu. Polícia Civil e Secretaria Municipal da Saúde apuram as circunstâncias
LEITURA RÁPIDA — 1 MINUTO
São Paulo, quinta-feira, 30 de julho de 2026
Centro Histórico da Cidade de SP
Por Mário Marcovicchio
MTB/SP 71.710/SP
Mariana dos Santos Candido, de 41 anos, morreu na tarde desta quarta-feira (29) depois de sofrer uma perfuração intestinal durante uma colonoscopia realizada no Hospital Municipal Professor Doutor Alípio Corrêa Netto, conhecido como Hospital Municipal de Ermelino Matarazzo, na Zona Leste de São Paulo. Ela foi submetida a uma cirurgia de emergência, mas não resistiu às complicações.
Segundo familiares, Mariana não apresentava problemas de saúde conhecidos e realizava o exame pela primeira vez, de forma preventiva, por causa do histórico de câncer colorretal na família. A tia da paciente afirma que os parentes foram informados de que uma grande extensão do intestino havia sido lesionada durante o procedimento. Essa informação ainda depende de confirmação pelos prontuários, laudos médicos e exame necroscópico.
O caso foi registrado no 62º Distrito Policial como morte suspeita. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal, que deverá apontar oficialmente a causa da morte. A Secretaria Municipal da Saúde informou que abriu uma apuração junto às chefias de endoscopia e cirurgia do hospital.
LEITURA INTEGRAL
EXAME PREVENTIVO TERMINA EM MORTE
O que deveria ser um procedimento preventivo transformou-se em uma tragédia para uma família da Zona Leste da capital paulista.
Mariana dos Santos Candido deu entrada no Hospital Municipal Professor Doutor Alípio Corrêa Netto para realizar uma colonoscopia. Durante o procedimento, ocorreu uma perfuração intestinal, e a paciente precisou ser encaminhada imediatamente para uma cirurgia de emergência. Apesar da intervenção, a morte foi confirmada na tarde de quarta-feira.
De acordo com a tia de Mariana, Mara Aparecida, a equipe informou à família que aproximadamente metade do intestino teria sido atingida. A cirurgia conseguiu reparar a lesão, mas o quadro clínico evoluiu de forma grave e a paciente não resistiu. O relato sobre a extensão do ferimento é da família e deverá ser confrontado com o prontuário médico, o relatório cirúrgico e os exames periciais.
HISTÓRICO FAMILIAR DE CÂNCER
Segundo Mara, Mariana fazia a colonoscopia por recomendação médica, devido à existência de casos de câncer de intestino na família.
A paciente tinha 41 anos, não possuía doenças conhecidas e realizava sua primeira colonoscopia. A família adotava o acompanhamento preventivo após a morte de um parente por câncer colorretal.
A colonoscopia permite examinar o reto, o intestino grosso e a porção final do intestino delgado. O procedimento é utilizado para investigar sangramentos, alterações intestinais, pólipos e possíveis tumores, além de exercer papel importante na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer colorretal.
FAMÍLIA COBRA INFORMAÇÕES
Os familiares afirmam que enfrentaram dificuldades para obter informações sobre o médico e a empresa responsáveis pelo exame.
Segundo a tia, representantes da unidade disseram que o serviço de colonoscopia era realizado por uma empresa terceirizada instalada dentro do hospital e que os dados somente poderiam ser entregues a parentes de primeiro grau.
A família também teria sido informada de que um relatório detalhado poderia demorar até 30 dias. Até a última atualização, não havia divulgação pública da identidade da empresa contratada nem do profissional que realizou o procedimento.
O relato sobre a terceirização precisa ser esclarecido pela Secretaria Municipal da Saúde. Mesmo quando um procedimento é executado por empresa contratada, cabe à investigação verificar as atribuições do prestador, da equipe médica, da direção técnica e da administração da unidade.
POLÍCIA CIVIL INVESTIGA MORTE SUSPEITA
A Secretaria da Segurança Pública confirmou que a ocorrência foi registrada no 62º Distrito Policial, em Ermelino Matarazzo, como morte suspeita.
O corpo de Mariana foi levado ao Instituto Médico Legal para a realização do exame necroscópico. O resultado será fundamental para esclarecer a causa médica da morte e verificar a relação entre a perfuração intestinal, a cirurgia realizada e as complicações posteriores.
A classificação inicial de uma ocorrência como morte suspeita não significa, por si só, que exista crime ou culpa profissional comprovada. A conclusão dependerá dos laudos, dos prontuários, dos depoimentos e de eventual perícia médica.
PREFEITURA ABRE APURAÇÃO
Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde lamentou o falecimento e afirmou que o episódio está sendo apurado com rigor pela direção do hospital, juntamente com as chefias dos setores de endoscopia e cirurgia.
A pasta declarou ainda que a administração da unidade permanece à disposição da família. Não foram divulgados, até o momento, detalhes sobre eventual sindicância, afastamento preventivo de profissionais ou identificação da empresa que teria realizado o exame.
MARIANA DEIXA TRÊS FILHOS
Mariana trabalhava como agente de organização escolar e havia comemorado recentemente a conquista de um emprego formal, conforme o relato de sua tia.
Ela morava com a mãe na região da Cohab I e deixa três filhos, com 20, 15 e 9 anos. Familiares a descreveram como uma mulher trabalhadora, dedicada aos filhos e satisfeita com a nova fase profissional.
Na véspera do procedimento, Mariana telefonou para a tia, disse que estava com medo do exame e declarou seu carinho pela familiar. Segundo Mara, aquela foi a última conversa entre as duas.
PERFURAÇÃO É RARA, MAS PODE SER GRAVE
A perfuração do intestino é uma complicação reconhecida da colonoscopia, embora seja considerada incomum.
Uma revisão da Sociedade Americana de Endoscopia Gastrointestinal, baseada em mais de 10 milhões de procedimentos, encontrou uma taxa agrupada de aproximadamente 5,8 perfurações a cada 10 mil colonoscopias. Quando ocorre, a lesão pode exigir tratamento endoscópico, internação ou cirurgia de emergência.
Protocolos de saúde brasileiros também alertam que, embora infrequentes, complicações como hemorragia e perfuração intestinal podem ser graves e eventualmente exigir cirurgia.
O fato de a perfuração ser um risco conhecido do exame não encerra a discussão sobre o caso de Mariana. Também não permite concluir antecipadamente que houve erro médico. A apuração deverá determinar se foram observados os protocolos, se a lesão foi identificada rapidamente, quais providências foram tomadas e se o atendimento posterior foi adequado.
PONTOS QUE PRECISAM SER ESCLARECIDOS
A investigação deverá responder quem realizou a colonoscopia, qual empresa prestava o serviço, qual foi a extensão real da perfuração e em que momento a intercorrência foi identificada.
Também será necessário esclarecer quanto tempo transcorreu até a cirurgia, quais foram as complicações que levaram ao óbito, se existiam condições clínicas anteriores e quais informações foram fornecidas à paciente e à família antes e depois do procedimento.
Somente a análise conjunta do prontuário, dos registros da colonoscopia, do relatório cirúrgico e do laudo do IML poderá indicar se ocorreu uma complicação imprevisível ou se houve alguma falha técnica, assistencial ou administrativa.
POSIÇÃO DO JORNAL25NEWS
A morte de uma paciente durante um procedimento preventivo exige transparência absoluta, preservação dos documentos médicos e investigação técnica independente.
É necessário respeitar o luto da família, evitar julgamentos precipitados e cobrar respostas objetivas das autoridades, da direção hospitalar e do prestador responsável pelo exame.
O Jornal25News continuará acompanhando a investigação policial, a apuração da Secretaria Municipal da Saúde e a eventual manifestação dos órgãos de fiscalização profissional.
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