LULA VOLTA À IMPRENSA DOS EUA E REFORÇA RECADO A TRUMP: BRASIL NÃO ACEITA INTERFERÊNCIA EXTERNA
Frase sobre democracia e soberania foi publicada no The New York Times em 2025; novo artigo, divulgado pelo Washington Post, critica tarifas impostas em julho de 2026
LEITURA RÁPIDA — 1 MINUTO
São Paulo, segunda-feira, 27 de julho de 2026
Centro Histórico da Cidade de SP
Por Redação do Jornal25News – Independente
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a utilizar um dos principais jornais dos Estados Unidos para dirigir uma mensagem ao governo de Donald Trump e defender a autonomia política e econômica do Brasil.
É necessário, porém, fazer uma correção: a frase segundo a qual a democracia e a soberania brasileiras não estão em negociação foi publicada por Lula no The New York Times em 14 de setembro de 2025, e não agora, em julho de 2026.
Naquele artigo, Lula respondeu às tarifas de 50% impostas pelo governo norte-americano, defendeu a independência do Supremo Tribunal Federal e afirmou:
“Presidente Trump, continuamos abertos a negociar qualquer coisa que possa trazer benefícios mútuos. Mas a democracia e a soberania do Brasil não estão em pauta.”
Já neste domingo, 26 de julho de 2026, Lula publicou um novo artigo, desta vez no The Washington Post. No texto atual, classificou as novas tarifas norte-americanas como injustas e um erro estratégico, advertindo que as medidas podem encarecer produtos nos Estados Unidos e prejudicar cadeias produtivas integradas entre os dois países.
LEITURA INTEGRAL
CORREÇÃO: ARTIGO DO NEW YORK TIMES FOI PUBLICADO EM 2025
O artigo citado no texto original não é uma publicação recente. Lula escreveu para o The New York Times em 14 de setembro de 2025, durante um período de forte tensão diplomática entre Brasília e Washington.
O texto foi publicado depois que o governo Trump impôs uma tarifa total de 50% sobre diferentes produtos brasileiros. A Casa Branca relacionou a medida comercial, entre outros argumentos, ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal.
Lula rebateu a justificativa norte-americana e sustentou que as relações comerciais não poderiam ser utilizadas como instrumento de pressão sobre decisões tomadas pelas instituições brasileiras.
DEMOCRACIA E SOBERANIA FORAM APRESENTADAS COMO LIMITES
No artigo de 2025, Lula afirmou que o governo brasileiro continuava disposto a discutir comércio, investimentos e qualquer proposta capaz de produzir benefícios para os dois países.
O presidente estabeleceu, entretanto, um limite: a organização democrática do Brasil, a independência de suas instituições e a soberania nacional não poderiam ser incluídas em uma negociação comercial.
Lula argumentou que Brasil e Estados Unidos possuem uma relação construída ao longo de mais de dois séculos e que divergências ideológicas não deveriam destruir uma parceria de tamanha importância econômica e diplomática.
LULA DEFENDEU A ATUAÇÃO DO STF
Outro ponto central do texto foi a defesa do Supremo Tribunal Federal.
Lula rejeitou a expressão “caça às bruxas”, utilizada por Trump ao se referir ao processo contra Jair Bolsonaro. Segundo o presidente brasileiro, o julgamento decorreu de investigações e procedimentos conduzidos sob as regras da Constituição Federal de 1988.
O presidente também mencionou que as investigações haviam identificado planos contra autoridades brasileiras e uma proposta de decreto destinada a anular o resultado das eleições presidenciais de 2022.
Essas declarações representavam a posição de Lula sobre o processo. As decisões judiciais, a análise das provas e os recursos apresentados pelas defesas permaneceram sob responsabilidade do Poder Judiciário.
TARIFAS FORAM CLASSIFICADAS COMO POLÍTICAS E ILÓGICAS
Lula contestou a justificativa econômica apresentada pelos Estados Unidos para a tarifa de 50%.
De acordo com os números citados pelo presidente no artigo, os Estados Unidos haviam acumulado um superávit de aproximadamente US$ 410 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil durante os 15 anos anteriores.
Para Lula, esses números demonstravam que os norte-americanos não enfrentavam uma relação comercial estruturalmente desfavorável com o Brasil. Por isso, classificou o aumento tarifário como equivocado e sem sustentação econômica.
O presidente reconheceu como legítima a preocupação dos Estados Unidos com a recuperação de empregos industriais, mas argumentou que ações unilaterais contra países específicos não solucionariam os problemas relacionados à desindustrialização.
REGULAÇÃO DAS PLATAFORMAS NÃO SERIA CENSURA
Lula também respondeu às acusações de que o Brasil estaria perseguindo empresas norte-americanas de tecnologia.
Segundo o artigo, plataformas digitais brasileiras e estrangeiras devem cumprir as mesmas leis enquanto operam no território nacional.
O presidente defendeu que a responsabilização das empresas por fraudes, desinformação, incitação à violência e discursos ilícitos não pode ser confundida automaticamente com censura. (Congresso em Foco)
A posição do governo brasileiro é contestada por setores políticos e organizações que consideram algumas decisões judiciais excessivas. O debate envolve os limites entre liberdade de expressão, responsabilidade das plataformas e proteção das instituições democráticas.
PIX TAMBÉM FOI DEFENDIDO
O presidente incluiu o Pix entre os temas abordados no artigo.
Lula afirmou que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos ampliou o acesso da população aos serviços financeiros, estimulou a concorrência e reduziu custos para consumidores e empresas.
O presidente rejeitou a interpretação de que o sistema representaria uma prática comercial desleal contra empresas estrangeiras. Para ele, o Pix é uma inovação pública desenvolvida para atender às necessidades da economia brasileira.
AMAZÔNIA E COOPERAÇÃO INTERNACIONAL
Na área ambiental, Lula destacou medidas adotadas para reduzir o desmatamento e combater crimes praticados na Amazônia.
O presidente argumentou que a preservação da floresta interessa a toda a comunidade internacional, mas precisa ocorrer por meio de cooperação, financiamento climático e respeito à soberania dos países amazônicos.
A mensagem era de que o Brasil aceitaria parcerias internacionais, mas rejeitaria iniciativas que buscassem controlar diretamente suas decisões territoriais ou ambientais.
NOVO ARTIGO FOI PUBLICADO NO WASHINGTON POST EM 2026
O episódio mais recente ocorreu neste domingo, 26 de julho de 2026, quando Lula publicou um artigo no The Washington Post — e não no The New York Times.
No novo texto, o presidente criticou tarifas norte-americanas que variam entre 12,5% e 37,5%, impostas sobre produtos brasileiros depois de a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar as tarifas de 50% adotadas no ano anterior.
Segundo Lula, as novas taxas podem elevar os preços de alimentos, calçados, roupas, móveis, autopeças e outros produtos para os consumidores norte-americanos.
O presidente também advertiu que as tarifas podem desorganizar cadeias produtivas já integradas e levar empresas brasileiras a substituir fornecedores dos Estados Unidos por parceiros de outros mercados.
SUPERÁVIT NORTE-AMERICANO TERIA CHEGADO A US$ 428 BILHÕES
No artigo de 2026, Lula atualizou os números sobre o comércio bilateral.
Segundo o presidente, os Estados Unidos acumularam um superávit de aproximadamente US$ 428 bilhões nas trocas de bens e serviços com o Brasil durante 15 anos consecutivos.
Lula afirmou ainda que as exportações brasileiras para o mercado norte-americano atingiram o menor nível desde 1997.
Os dados foram utilizados para sustentar a tese de que as tarifas não corrigem um prejuízo comercial norte-americano, mas podem enfraquecer uma parceria que historicamente beneficia as duas economias.
BRASIL MANTÉM DISPOSIÇÃO PARA NEGOCIAR
Apesar das críticas, Lula afirmou que o Brasil continua aberto ao diálogo construtivo com os Estados Unidos.
O presidente defendeu negociações comerciais, cooperação tecnológica, integração produtiva e investimentos capazes de gerar benefícios para brasileiros e norte-americanos.
Ao mesmo tempo, voltou a rejeitar qualquer forma de condicionamento político ou interferência externa sobre as escolhas do país.
A mensagem apresentada nos dois artigos — primeiro no The New York Times, em 2025, e depois no The Washington Post, em 2026 — mantém o mesmo eixo: o Brasil deseja negociar, mas pretende preservar a autonomia de suas instituições e de sua política externa.
RECADO DIRETO À SOCIEDADE NORTE-AMERICANA
A publicação dos artigos em dois dos jornais mais influentes dos Estados Unidos também permite ao governo brasileiro apresentar sua posição diretamente à opinião pública, ao setor empresarial e aos formadores de opinião norte-americanos.
Trata-se de uma estratégia diplomática que ultrapassa as comunicações formais entre governos e procura explicar como Brasília interpreta as medidas adotadas por Washington.
No artigo mais recente, Lula resumiu essa posição afirmando que o destino do Brasil deve ser decidido pelos próprios brasileiros, sem interferência estrangeira ou submissão.
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