O movimento SAFiel foi criado por um grupo de torcedores e associados que defendem que o Corinthians se transforme em uma SAF (Sociedade Anônima do Futebol). O grupo ganhou grande visibilidade nas últimas semanas e agora vem sendo criticado por membros do Conselho de Orientação (CORI) do clube paulista. Seus representantes afirmam defender um modelo de gestão mais moderno, profissional e financeiramente sustentável, com promessas de captação bilionária para aliviar as grandes dívidas do clube.

Conselheiros apontam inconsistências no projeto
O conselheiro trienal e membro do CORI, Paulo Pedro, fez críticas contundentes ao SAFiel em uma entrevista. Para ele, o debate sobre a transformação em SAF “é legítimo”, mas “deve ocorrer dentro do clube, com base em dados reais”. O conselheiro também demonstra incômodo com a abordagem do grupo, afirmando:
“Qualquer debate que traga soluções para o Corinthians é bem-vindo. Eu gosto de debate, acho sadio e necessário. Mas me incomoda o movimento externo, essa pressão vinda de fora para depois se discutir internamente.”
Paulo Pedro também criticou o discurso usado por alguns representantes da SAFiel para desqualificar a política interna do clube:
“Quando dizem que não querem fazer parte da ‘política suja do Parque São Jorge’, isso me incomoda. Eu não sou sujo, nem admito ser chamado assim. Esse tipo de postura gera desgaste desnecessário.”
Sob um ponto de vista mais técnico, ele questiona a capacidade do grupo de cumprir as promessas financeiras, apontando que o SAFiel não apresenta provas concretas da capacidade de captar o montante prometido — estimado em mais de R$ 1 bilhão. Além disso, afirma que, juridicamente, a pessoa jurídica criada pelo movimento não cumpre os requisitos formais exigidos pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). O conselheiro chamou o projeto de “capenga” e demonstrou preocupação com a governança futura do Corinthians:
“Falam em pesquisas que mostram a viabilidade dessa captação, mas não apresentaram essas pesquisas. E, juridicamente, a pessoa jurídica criada por eles não cumpre os requisitos formais exigidos pela CVM… É um projeto um pouco capenga, com algumas questões que efetivamente não param de pé.”
Ele também alertou para riscos de concentração de poder:
“Dentro do direito societário, o acionista vota de acordo com o capital que possui. Quem comprar ações de R$ 2 milhões terá muito mais peso do que quem investir R$ 200… E a lei ainda permite acordos de acionistas, que podem concentrar o poder independentemente do estatuto.”
Paulo Pedro lembrou ainda que seu grupo já defende governança e transparência no clube. Ele critica a ideia de que exista uma solução única para o Corinthians, citando como exemplo a crise política que levou ao impeachment do ex-presidente Augusto Melo:
“A eleição do último presidente, que acabou impichado, é prova disso. Quando se tenta impor um projeto como a única saída, o resultado raramente é positivo.”
A resposta da SAFiel às críticas
A SAFiel divulgou uma nota pública defendendo sua estrutura e respondendo aos questionamentos feitos pelos conselheiros do clube.
- Sobre o capital social baixo
O movimento afirma que os R$ 3 mil iniciais declarados pela Invasão Fiel S.A. são comuns para empresas em fase pré-operacional. Segundo a SAFiel, esse valor simbólico não reflete o potencial real de captação, que deve ser atingido por meio de um plano de investimento escalonado e validado por consultorias de mercado.
- Quanto à participação de Maurício Chamati
A SAFiel defendeu que a participação de Chamati, um de seus idealizadores, “não propiciou qualquer vantagem ou conhecimento privilegiado”. O grupo afirma que nenhum idealizador ocupa ou ocupará cargo executivo ou remunerado no clube, e que sua participação futura será apenas para apoiar a fase de transição.
- Sobre riscos de governança e compliance
No manifesto divulgado, o movimento reforça a proposta de adotar uma “governança independente” e critérios rígidos de compliance. A SAFiel se declara disponível para prestar esclarecimentos aos órgãos internos do Corinthians e diz estar aberta ao diálogo com conselheiros, torcedores e imprensa.
- Viabilidade financeira
Segundo a SAFiel, os valores bilionários mencionados fazem parte de um plano estruturado, baseado em dados públicos e análises de mercado, e validado por consultorias especializadas. A estratégia, segundo eles, permite escalar os aportes de forma segura e responsável.
O que vem pela frente
O movimento SAFiel deve continuar ativo nas redes e busca ampliar o apoio entre torcedores. Dentro do clube, porém, o clima é de cautela. Lideranças internas defendem uma análise técnica rigorosa, debates formais e esclarecimentos sobre as fragilidades apontadas.
Enquanto isso, a discussão sobre a SAF no Corinthians, tema que já é tendência no futebol brasileiro, segue aberta, mas ainda distante de um consenso.

















































“Qualquer debate que traga soluções para o Corinthians é bem-vindo. Eu gosto de debate, acho sadio e necessário. Mas me incomoda o movimento externo, essa pressão vinda de fora para depois se discutir internamente.”


