Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 6 de agosto de 2026
Você que aprecia o sabor da gastronomia e faz questão de saber a procedência daquilo que coloca na mesa da sua família, já deve ter percebido que o chocolate industrializado de prateleira está cada vez mais cheio de açúcar, gordura vegetal e longe do cacau de verdade.
Valorizar o trabalho honesto de quem cultiva a terra e transforma o fruto brasileiro em arte comestível é um dever de quem preza pela qualidade e pelo respeito ao consumidor. Nesta semana, a capital paulista se consolida como o grande epicentro do cacau fino nacional, ao receber a 6ª edição da Bean to Bar Chocolate Week, o maior encontro do setor no Brasil.
A ENGRENAGEM DO FATO: Promovido pela Associação Bean to Bar Brasil, o evento reúne os principais atores da cadeia do cacau e chocolate de origem entre os dias 10 e 16 de agosto. O conceito bean to bar — traduzido literalmente como “da amêndoa à barra” — identifica fabricantes artesanais e independentes, que controlam rigorosamente todas as etapas de produção: desde a escolha das amêndoas diretamente com os agricultores até a torra, moagem, refino e moldagem final.
A programação da semana foi dividida estrategicamente para atender profissionais e o grande público. Entre os dias 10 e 14 de agosto, o SENAI Barra Funda sedia a etapa técnica com o curso “Jornada Sensorial”, além de painéis e mesas-redondas focadas no panorama da cadeia produtiva, exportação, sustentabilidade e fortalecimento do comércio justo. Já no final de semana, nos dias 15 e 16 de agosto, o evento ganha a Avenida Paulista, ocupando o 1º andar do tradicional Conjunto Nacional, com uma grande feira de produtores aberta ao público e com entrada totalmente gratuita.
VOZES E ANÁLISE: Especialistas do setor gastronômico e representantes da associação, destacam que o movimento bean to bar representa uma ruptura necessária contra a massificação e a perda de qualidade do chocolate comercial.
“Não se trata apenas de vender uma barra de chocolate; trata-se de remunerar dignamente o produtor rural na ponta do processo, valorizar as diferentes origens do cacau brasileiro — da Amazônia à Bahia — e entregar ao consumidor um produto puro, saudável e com identidade sensorial única”, explicam organizadores do encontro.
Além da exposição e venda direta de mais de 28 marcas reconhecidas, a feira contará com a entrega do Prêmio Brasil Chocolate do Cacau à Barra, reconhecendo conjuntamente o trabalho do produtor de cacau e do chocolatier responsável por criar a barra campeã, além de sessões especiais de harmonização com cafés especiais, queijos e cachaças artesanais.
DADOS OFICIAIS:
Evento: 6ª Bean to Bar Chocolate Week (Maior encontro de chocolate artesanal de origem do Brasil).
Realização: Associação Bean to Bar Brasil.
Programação Técnica: Cursos e painéis no SENAI Barra Funda (Rua Tagipuru, 242) entre 10 e 14 de agosto.
Feira Aberta ao Público: Dias 15 (sábado, das 10h às 19h) e 16 de agosto (domingo, das 10h às 18h) no Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2073) com Entrada Gratuita.
Impacto Social: Estímulo ao comércio justo (Fair Trade), sustentabilidade no campo e eliminação de intermediários na compra do cacau de pequenos agricultores.
O RIGOR DA LEI: O consumidor paulistano merece respeito e transparência total sobre o que consome. Durante décadas, grandes corporações empurraram para o trabalhador produtos ultra processados mascarados como “chocolate”, enquanto o pequeno produtor de cacau do interior do país recebia centavos por sua colheita.
O fortalecimento da cultura bean to bar no coração de São Paulo, é uma resposta altiva e necessária a esse modelo exploratório. Cobrar rotulagem clara, incentivar o empreendedorismo nacional e valorizar o ingrediente autêntico, são passos fundamentais para proteger a saúde da população e garantir justiça econômica a quem produz com honestidade do campo até a cidade.
AGORA A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:
Você acredita que o governo estadual e as prefeituras, deveriam criar incentivos fiscais para pequenos produtores de chocolate de origem para baratear o acesso do consumidor ao produto artesanal, ou o mercado deve regulá-los apenas pela livre concorrência?
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