PF FAZ 49 BUSCAS E ATINGE MÁRIO FRIAS EM INVESTIGAÇÃO LIGADA A “DARK HORSE”
Operação Make Up apura possível desvio de emendas parlamentares; deputado e produtora do filme sobre Jair Bolsonaro estão entre os alvos
25NEWS-BRAZIL — Jornalismo com Responsabilidade Social
Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 10 de setembro de 2026
Por Mário Marcovicchio
LEITURA RÁPIDA — 1 MINUTO
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 10 de setembro, a Operação Make Up, que investiga suspeitas de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares.
São cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
Entre os alvos estão o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e Karina Ferreira da Gama, responsável pela Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Durante as buscas, a Polícia Federal apreendeu sete armas pertencentes a Mário Frias. As armas estavam registradas, mas foram encontradas em endereço diferente daquele informado oficialmente. A PF deverá apurar se houve alguma irregularidade.
A investigação apura possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.
Mário Frias destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, entidade presidida por Karina Gama.
A Polícia Federal procura descobrir se contratos realizados pelas entidades investigadas correspondem a serviços efetivamente prestados e qual foi o destino final dos recursos.
As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam condenação dos envolvidos.
LEITURA INTEGRAL
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 10 de setembro de 2026, uma ampla operação para investigar o destino de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares.
Batizada de Operação Make Up, a ação cumpre 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
As diligências foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.
Entre os principais alvos estão o deputado federal Mário Frias, ex-secretário especial de Cultura do governo Jair Bolsonaro, e Karina Ferreira da Gama, responsável pela Go Up Entertainment e por entidades que receberam recursos públicos.
Frias também participa da produção de Dark Horse, filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
R$ 2 MILHÕES EM EMENDAS
Em 2024, Mário Frias destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Gama.
A investigação passou a analisar contratos firmados pelo instituto e por outras entidades relacionadas à empresária.
Parte desses contratos teria sido celebrada com empresas ou pessoas que mantinham algum tipo de ligação profissional ou política com integrantes do grupo investigado.
A Polícia Federal procura saber se todos os serviços foram efetivamente prestados e se os valores pagos correspondem aos trabalhos contratados.
PF INVESTIGA POSSÍVEL ESQUEMA
Segundo a investigação, existem indícios de que empresas teriam sido subcontratadas de forma irregular.
Também são investigadas suspeitas de documentos produzidos posteriormente ou com datas alteradas para tentar dar aparência de regularidade a determinadas operações.
A Polícia Federal apura possíveis crimes de:
peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.
Os investigadores procuram reconstruir todo o caminho percorrido pelo dinheiro.
MOVIMENTAÇÃO DE R$ 19 MILHÕES
Outro ponto sob análise envolve movimentações financeiras entre pessoas, entidades e empresas relacionadas aos investigados.
Levantamentos apontam movimentações que chegaram a aproximadamente R$ 19 milhões entre novembro e dezembro de 2025 envolvendo integrantes do universo investigado.
A existência dessas movimentações, isoladamente, não comprova prática criminosa.
A Polícia Federal procura agora descobrir a origem, o destino e a justificativa econômica de cada operação.
SETE ARMAS APREENDIDAS
Durante as buscas realizadas nesta quinta-feira, a Polícia Federal apreendeu sete armas pertencentes a Mário Frias.
As armas estavam registradas em nome do deputado, mas teriam sido encontradas em endereço diferente daquele informado nos registros oficiais.
A Polícia Federal deverá analisar se a situação configura alguma irregularidade administrativa ou penal.
Portanto, neste momento, não é correto afirmar que as armas eram ilegais.
Computadores, celulares, documentos e outros materiais também foram apreendidos para análise.
CASO “DARK HORSE” TEM FRENTES DIFERENTES
Um ponto importante precisa ser esclarecido.
Existem diferentes investigações envolvendo pessoas relacionadas ao filme Dark Horse.
A operação desta quinta-feira está relacionada principalmente à apuração sobre emendas parlamentares, organizações da sociedade civil, contratos públicos e destino de recursos públicos.
Existe também outra frente de investigação relacionada ao financiamento privado do filme, envolvendo recursos atribuídos ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Essa segunda frente está sob a relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
As duas investigações possuem pontos de contato, mas não devem ser tratadas como se fossem exatamente o mesmo processo.
VORCARO E O FINANCIAMENTO DO FILME
A investigação sobre o financiamento privado de Dark Horse também avançou nos últimos dias.
O ministro André Mendonça homologou colaboração premiada de empresário apontado como operador financeiro ligado a Daniel Vorcaro.
A apuração procura esclarecer pagamentos realizados por meio de estruturas financeiras no exterior utilizadas para financiar a produção do longa-metragem.
Reportagens anteriores também apontaram negociações envolvendo integrantes da família Bolsonaro e empresários interessados em financiar o projeto.
PRODUTORA NEGA USO DE DINHEIRO PÚBLICO NO FILME
A Go Up Entertainment sustenta que não utilizou recursos públicos na produção de Dark Horse.
Uma perícia privada contratada pela própria produtora calculou gastos de aproximadamente R$ 75 milhões na produção do filme e afirmou não ter encontrado aplicação de recursos públicos.
Segundo a empresa, grande parte dos gastos ocorreu nos Estados Unidos.
A produtora afirma ainda ter entregue milhares de páginas de documentos à Polícia Federal, incluindo contratos, notas fiscais e comprovantes bancários.
Por se tratar de uma perícia contratada pela própria empresa investigada, o documento não representa conclusão oficial da Polícia Federal.
DEFESAS NEGAM IRREGULARIDADES
Mário Frias e representantes das entidades envolvidas já negaram irregularidades em manifestações anteriores.
Frias sustenta que não existe prova de que recursos provenientes de suas emendas tenham sido utilizados para financiar o filme Dark Horse.
Os investigados terão direito de apresentar suas versões, documentos e explicações durante o andamento das investigações.
INVESTIGAÇÃO ESTÁ LONGE DO FIM
A operação desta quinta-feira não representa condenação de Mário Frias, Karina Gama ou qualquer outro investigado.
Os mandados de busca e apreensão servem principalmente para coleta de provas.
A partir de agora, a Polícia Federal deverá analisar computadores, celulares, documentos, movimentações financeiras e demais materiais recolhidos.
O ponto central da investigação será descobrir qual foi o destino efetivo das emendas parlamentares, se todos os serviços contratados foram realizados e se houve algum desvio ou ocultação de recursos públicos.
A investigação continua.
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