Mendonça afasta diretor-geral da PF e chefe da Inteligência e manda Corregedoria abrir investigação
Decisão atinge Andrei Rodrigues e Leandro Almada; ministro do STF aponta possíveis irregularidades na produção de relatórios de inteligência e determina apuração dentro da própria Polícia Federal
Por Mário Marcovicchio
Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 8 de setembro de 2026
LEITURA RÁPIDA — 1 MINUTO
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta terça-feira, 8 de setembro, o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa.
Além dos afastamentos, Mendonça determinou que a Corregedoria da Polícia Federal instaure procedimentos de natureza penal e administrativo-disciplinar para investigar a produção de relatórios de inteligência que, segundo o ministro, apresentam graves irregularidades.
A decisão ocorre em meio à crise provocada pela divulgação de documentos de inteligência da PF contendo análises sobre a atuação de integrantes do Supremo Tribunal Federal.
Um desses documentos foi utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes ao levantar questionamentos sobre a atuação de André Mendonça em investigações relacionadas ao Banco Master e a outros casos.
Mendonça sustenta que os relatórios apresentam graves problemas técnicos e jurídicos e afirma ter sido objeto de acompanhamento indevido por parte da área de inteligência da Polícia Federal.
O afastamento é cautelar e não representa condenação dos delegados.
A decisão deverá ser analisada pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal.
LEITURA INTEGRAL
Uma decisão do ministro André Mendonça elevou nesta terça-feira, 8 de setembro, a tensão institucional envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal e a cúpula da Polícia Federal.
Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Augusto Passos Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e de Leandro Almada da Costa, diretor de Inteligência Policial da corporação.
O ministro também determinou que a Corregedoria da própria Polícia Federal instaure procedimentos investigatórios de natureza penal e administrativo-disciplinar para apurar a produção de relatórios de inteligência que estão no centro da atual crise.
A investigação deverá tentar esclarecer como esses documentos foram produzidos, quem ordenou sua elaboração, quem participou da produção do material, para quem os relatórios foram encaminhados e se existem outros documentos semelhantes.
RELATÓRIOS DE INTELIGÊNCIA NO CENTRO DA CRISE
A controvérsia ganhou força depois da divulgação de relatórios produzidos pela área de inteligência da Polícia Federal contendo avaliações sobre autoridades e investigações envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal.
Parte desse material veio a público após o ministro Alexandre de Moraes levantar o sigilo de documentos relacionados ao caso.
Um dos relatórios mencionava a atuação de André Mendonça e afirmava que o ministro demonstrava interesse na abertura de determinadas investigações.
O documento também fazia comparações entre a postura de Mendonça diante de suspeitas relacionadas aos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Nunes Marques.
O próprio material, entretanto, era identificado como documento de trabalho, de circulação restrita e sem valor probatório.
Foi justamente a natureza e a forma de produção desses documentos que passaram a ser questionadas.
MENDONÇA CONTESTA VALIDADE DOS DOCUMENTOS
Na decisão, André Mendonça apresenta críticas severas ao material produzido pela área de inteligência.
Segundo o ministro, um dos relatórios seria apócrifo, sem timbre ou outros elementos capazes de garantir de forma adequada sua autoria, origem e data de elaboração.
Mendonça também considera que existiriam graves fragilidades técnicas na documentação.
O ministro entende que a produção desses relatórios ultrapassou os limites regulares da atividade de inteligência e poderia representar violação das prerrogativas de integrantes do Poder Judiciário e de outras carreiras públicas.
Essas acusações, entretanto, ainda deverão ser objeto de investigação.
A abertura dos procedimentos determinada por Mendonça deverá justamente estabelecer o que ocorreu e se houve responsabilidade administrativa ou criminal de agentes públicos.
MINISTRO AFIRMA TER SIDO MONITORADO
Outro ponto de forte repercussão na decisão é a afirmação de André Mendonça de que teria sido submetido a acompanhamento sistemático pela estrutura de inteligência da Polícia Federal.
O ministro menciona a existência de vários relatórios produzidos durante semanas e sustenta que o conjunto desses documentos poderia indicar monitoramento de sua atuação.
Para Mendonça, caso esse acompanhamento tenha ocorrido fora das hipóteses legais de atuação da inteligência policial, o episódio poderá assumir grande gravidade institucional.
A existência dos relatórios, entretanto, por si só não estabelece automaticamente a prática de crime.
Caberá à investigação determinar as circunstâncias em que foram elaborados, sua finalidade e eventual responsabilidade de autoridades ou servidores envolvidos.
CORREGEDORIA DA PF ENTRA NO CASO
Com a decisão, a própria Polícia Federal passa a investigar internamente a produção dos documentos.
A Corregedoria deverá identificar responsáveis, colher depoimentos, analisar registros internos e verificar os procedimentos adotados pela área de inteligência.
A investigação também poderá apurar se existiram outros relatórios sobre ministros, magistrados, integrantes da Advocacia Pública ou autoridades responsáveis por investigações.
Mendonça determinou ainda medidas para impedir que documentos semelhantes continuem sendo produzidos ou compartilhados enquanto os fatos são esclarecidos.
AFASTAMENTO NÃO SIGNIFICA CONDENAÇÃO
Do ponto de vista jurídico, é fundamental destacar que o afastamento de Andrei Rodrigues e Leandro Almada possui natureza preventiva e cautelar.
Isso significa que nenhum dos dois foi condenado ou considerado definitivamente responsável por irregularidades.
A medida foi adotada para permitir que as investigações prossigam sem eventual interferência daqueles que ocupavam posições de comando dentro da estrutura da Polícia Federal.
A responsabilidade de cada envolvido somente poderá ser estabelecida após a conclusão das investigações e a observância do direito de defesa.
CRISE INSTITUCIONAL SE APROFUNDA
O episódio ocorre em um momento de forte tensão entre autoridades responsáveis pelas investigações relacionadas ao Banco Master e integrantes do Supremo Tribunal Federal.
Nas últimas semanas, documentos, mensagens e relatórios relacionados ao caso passaram a provocar questionamentos sobre a atuação de diferentes autoridades.
Agora, pela primeira vez nessa nova fase da crise, o conflito atinge diretamente o comando da Polícia Federal.
A decisão de André Mendonça coloca sob investigação não apenas o conteúdo de determinados relatórios, mas também a própria maneira como a estrutura de inteligência da Polícia Federal teria sido utilizada.
O resultado dessa apuração poderá ser decisivo para esclarecer se houve apenas produção irregular de documentos internos ou se ocorreram violações mais graves envolvendo agentes públicos e autoridades.
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal deverá analisar a decisão cautelar.
O Jornal25News continuará acompanhando os desdobramentos do caso e as manifestações da Polícia Federal, do governo federal e das autoridades envolvidas.
“A decisão de André Mendonça levanta a suspeita de possível uso indevido da estrutura estatal, hipótese que poderá alimentar o debate sobre aparelhamento da Polícia Federal, caso as irregularidades apontadas sejam comprovadas.”
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