Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 4 de setembro de 2026
Enquanto o cidadão é esmagado por combustíveis caros e impostos implacáveis, criminosos que operam a adulteração e a sonegação no setor constroem palácios com dinheiro sujo, zombando abertamente da lei e da fiscalização pública.
Nesta semana, uma nova e contundente denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), descortinou mais um capítulo da Operação Carbono Oculto.
Os promotores revelaram que Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, atualmente foragidos da Justiça, montaram uma manobra de lavagem de capitais para erguer um complexo corporativo suntuoso no interior paulista, avaliado em milhões de reais e blindado por camadas de empresas de fachada.
A ENGRENAGEM DO FATO: A engrenagem da blindagem patrimonial funcionou como um relógio de alta precisão para enganar os órgãos de controle. O alvo central da acusação é a compra de dois terrenos em Catanduva, no interior de São Paulo, negociados por R$ 3,9 milhões para sediar o escritório-geral do Grupo Itajobi, conglomerado sucroenergético controlado pelos acusados.
O projeto previa uma estrutura de mais de 6,7 mil metros quadrados de área construída, distribuída em três andares sobre um terreno de 10 mil metros quadrados. Para pagar a conta sem deixar rastros fiscais, o grupo realizou uma lavagem relâmpago de quase R$ 4 milhões em apenas sete minutos.
O dinheiro partiu da distribuidora Aster Petróleo em 4 de outubro de 2023, transitou por uma instituição de pagamento que funcionava como “paraíso fiscal onshore” e passou em sequência frenética por cinco contas distintas mantidas em nome de intermediários e empresas de conveniência até cair na conta do vendedor.
No topo da pirâmide, a denúncia detalha que um advogado tributarista utilizou sua estrutura técnica e uma gestora financeira para criar fundos de investimento fechados, estruturando três camadas de blindagem jurídica com o único objetivo de ocultar os verdadeiros donos do patrimônio.
VOZES E ANÁLISE: Promotores do Gaeco ressaltam que o esquema não se resumia à sonegação contábil tradicional, mas representava uma infiltração sistemática do crime organizado na economia
formal e no mercado de capitais da Faria Lima. Ao utilizar fintechs desregulamentadas dotadas de “contas bolsão” e contabilidade paralela, o grupo conseguia movimentar fortunas em minutos, burlando os alertas do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e do Banco Central.
A nova representação soma-se a acusações anteriores que apontam o grupo como responsável por desvios massivos de metanol, adulteração criminosa de combustível e fraudes fiscais que ultrapassam a casa do bilhão de reais na malha de distribuição paulista. Em manifestações anteriores, as defesas dos acusados afirmaram que as acusações são infundadas, inexistindo vínculo ilícito com as empresas citadas, enquanto os investigados permanecem na condição de foragidos.
O Ministério Público já requereu à Justiça a decretação do confisco imediato e a perda definitiva de todos os terrenos adquiridos em Catanduva, do canteiro de obras da sede administrativa e de mais de R$ 290 mil em rendimentos financeiros auferidos ilegalmente pelas gestoras do esquema.
DADOS OFICIAIS:
- Patrimônio Sob Bloqueio: Dois terrenos urbanos em Catanduva avaliados em R$ 3,9 milhões e as benfeitorias da obra.
- Velocidade da Lavagem: Quase R$ 4 milhões transferidos por 5 contas de fintechs em apenas 7 minutos.
- Dimensão do Projeto: 6,7 mil m² de área construída em terreno unificado de 10 mil m² (Sede do Grupo Itajobi).
- Enquadramento Penal: Artigo 1º da Lei nº 9.613/1998 (Lavagem de Dinheiro), Artigo 299 do Código Penal (Falsidade Ideológica) e Lei nº 12.850/2013 (Organização Criminosa).
- Impacto Social: O montante bilionário sonegado pelo cartel de adulteração de combustíveis seria suficiente para custear mais de 450 novas ambulâncias de resgate ou asfaltar centenas de quilômetros de vias periféricas esburacadas em todo o estado.
O RIGOR DA LEI: O trabalhador que não tem colher de chá na hora de pagar a taxa da gasolina na bomba não pode tolerar que foragidos da polícia usem malabarismos jurídicos e fundos de investimento para viver como magnatas. Desviar recursos públicos e contaminar o mercado com produtos adulterados é sabotagem direta contra a sociedade e concorrência desleal contra o empresário sério que paga cada imposto com sacrifício.
A resposta da Justiça paulista tem que ser rápida, implacável e definitiva. Não basta expedir ordens de prisão no papel: é indispensável estrangular o bolso do crime, confiscando cada metro quadrado erguido sobre a fraude, fechando fintechs clandestinas que operam lavanderias de dinheiro e devolvendo cada centavo surrupiado aos cofres públicos. Lugar de dinheiro de fraude é ressarcindo o cidadão; lugar de chefe de cartel é atrás das grades.
AGORA A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:
Você acredita que o confisco sumário de bens e imóveis de luxo de foragidos é a única maneira eficaz de asfixiar o crime organizado no setor de combustíveis, ou o poder público precisa fechar imediatamente as brechas regulatórias que permitem às fintechs operar bancos paralelos?
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