Os dois roubos da Taça Jules Rimet: o troféu mais cobiçado e misterioso do futebol
A trajetória da Taça Jules Rimet mistura glória, segurança falha e dois roubos que marcaram para sempre a história do futebol mundial.
Centro Histórico da Cidade de São Paulo, quinta-feira, 14 de maio de 2026
Por Arianne Marcovicchio | Jornal25News – Independente

Criada para simbolizar o maior sonho do futebol, a Taça Jules Rimet representava o título máximo conquistado nas Copas do Mundo organizadas pela FIFA.
Produzida com ouro e prata, ela passou por décadas de disputas, viagens entre países e momentos históricos, até se transformar também em um dos objetos mais visados do esporte mundial, alvo de dois roubos que entraram para a história.
A taça recebeu o nome de Jules Rimet em homenagem ao dirigente francês que idealizou e liderou a criação da Copa do Mundo. Presidente da FIFA por mais de três décadas, Jules Rimet foi o principal responsável por transformar a ideia de um torneio mundial de seleções em realidade, em 1930. Em reconhecimento ao seu papel fundamental na história do futebol, o troféu entregue aos campeões da competição passou a levar seu nome, eternizando sua contribuição para o esporte.
Primeiro roubo: Inglaterra, 1966 — o caso do cachorro “herói”
Em março de 1966, às vésperas da Copa do Mundo, a taça estava exposta no Westminster Central Hall, em Londres. Apesar de estar em um evento oficial, a segurança foi considerada insuficiente.
O troféu foi furtado de forma rápida e silenciosa, gerando uma crise nacional e uma grande operação policial em toda a Inglaterra.
Dias depois, o caso teve um desfecho inesperado: a taça foi encontrada por um cachorro chamado Pickles, enrolada em jornais, em um jardim de um subúrbio londrino. O animal virou símbolo do caso e recebeu grande atenção da mídia.
Mesmo com a recuperação, o crime nunca teve um autor oficialmente identificado.
O capítulo final no Brasil: o tricampeonato e o roubo definitivo
O capítulo final da história da Taça Jules Rimet aconteceu no Brasil. Em 1970, com uma das seleções mais marcantes da história do futebol, o país conquistou o tricampeonato mundial ao vencer a Itália por 4 a 1 na final, garantindo o direito de ficar com o troféu em definitivo, conforme o regulamento da FIFA.
Aquele era o auge da trajetória da taça: após passar por nove sedes diferentes e ser conquistada temporariamente por seis seleções nacionais, ela finalmente pertencia exclusivamente ao Brasil. O troféu permaneceu no país por 13 anos, período que coincidiu com o número considerado de sorte do técnico Zagallo, campeão mundial como jogador e também como integrante da comissão técnica da seleção em 1970.

No entanto, essa história teve um fim inesperado.
Em 19 de dezembro de 1983, exatamente 13 anos e seis meses após o histórico gol de Carlos Alberto Torres na final de 1970, a taça foi roubada da sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no centro do Rio de Janeiro. Além da Jules Rimet, também foram levadas outras taças simbólicas do futebol brasileiro, como a Taça Independência, a Taça Panamericana e a Taça das Nações. Ainda assim, nenhuma tinha o mesmo valor histórico e material da peça principal, feita com cerca de 3,5 kg de ouro maciço.
Segundo o processo que hoje integra o acervo do Arquivo Nacional, sete pessoas foram denunciadas pelo crime. O suposto mentor seria Sérgio Peralta, identificado após a delação de Antonio Setta, conhecido como “Broa”, um arrombador experiente.

Curiosamente, Broa recusou participação no roubo por motivos emocionais e patrióticos. Ele afirmava guardar forte lembrança da conquista de 1970 e do impacto da vitória sobre a Itália, episódio que teria sido ainda mais marcante pelo falecimento de seu irmão, que sofreu um infarto ao ver o gol de Carlos Alberto Torres. Em respeito a essa memória, ele não apenas se recusou a participar do crime, como também denunciou Peralta às autoridades.
Mesmo com as investigações e denúncias, a taça nunca foi recuperada, encerrando de forma definitiva sua trajetória.
O fim da era Jules Rimet
Após o tricampeonato brasileiro, o país ficou com a posse definitiva do troféu. Porém, o roubo de 1983 encerrou sua história de forma trágica.
A FIFA então criou um novo troféu, que passou a ser usado a partir de 1974 e segue até hoje.
Os dois roubos da Taça Jules Rimet mostram como um símbolo esportivo pode ultrapassar o futebol e se tornar um objeto de interesse mundial. Entre uma recuperação improvável e um desaparecimento definitivo, o troféu virou uma das maiores lendas da história do esporte.
Contagem regressiva para a Copa do Mundo
Faltam 28 dias para o início da Copa do Mundo FIFA 2026.
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