MORADORES DA PAULISTA SE MOBILIZAM CONTRA MEGASHOWS; DECISÃO DO MP-SP FICA PARA AGOSTO
LEITURA RÁPIDA — 1 MINUTO
São Paulo, quarta-feira, 22 de julho de 2026
Centro Histórico da Cidade de SP
Por Redação do Jornal25News – Independente
Moradores, comerciantes e entidades da região da Avenida Paulista ampliaram a mobilização contra a realização de novos megashows na principal avenida de São Paulo sem audiências públicas, estudos técnicos completos e garantias de proteção às pessoas diretamente afetadas.
O Conselho Superior do Ministério Público de São Paulo deveria analisar, nesta terça-feira (21), quatro embargos de declaração relacionados ao Termo de Ajustamento de Conduta que autoriza a realização de grandes shows gratuitos na avenida.
O julgamento, entretanto, foi adiado para 4 de agosto de 2026.
A mudança de data aumenta as incertezas sobre o megashow internacional que a Prefeitura de São Paulo pretendia realizar em 5 de setembro.
Com pouco mais de um mês disponível para contratar atrações, montar estruturas e concluir os planos de segurança, mobilidade, atendimento médico e controle de público, a viabilidade operacional do evento fica cada vez mais comprometida.
As entidades MOVPAULISTA, Paulista Boa Para Todos e SAMORCC questionam a ausência de participação popular, os impactos da poluição sonora, os riscos para a mobilidade urbana, as dificuldades de acesso aos hospitais e a falta de estudos detalhados sobre a capacidade da Avenida Paulista para receber multidões.
LEITURA INTEGRAL
O projeto da Prefeitura de São Paulo para transformar a Avenida Paulista em palco de megashows internacionais gratuitos enfrenta resistência organizada de moradores, pequenos comerciantes, prestadores de serviços e entidades representativas da região.
A discussão chegou novamente ao Conselho Superior do Ministério Público de São Paulo, que deveria retomar, nesta terça-feira (21), o julgamento dos embargos apresentados contra a homologação do novo Termo de Ajustamento de Conduta — TAC.
A sessão, porém, foi remarcada para 4 de agosto, prolongando a insegurança jurídica e diminuindo ainda mais o tempo disponível para a organização do primeiro espetáculo, inicialmente previsto para 5 de setembro.
EVENTO DE SETEMBRO PODE FICAR INVIÁVEL
O adiamento interfere diretamente no calendário da Prefeitura.
Uma produção internacional de grande porte exige meses de preparação, incluindo contratação de artistas, montagem de palco, instalação de equipamentos, segurança privada, atendimento médico, transporte público, limpeza, banheiros, controle de multidões e definição de rotas de evacuação.
O prefeito Ricardo Nunes reconheceu que a demora prejudica as negociações com possíveis atrações internacionais.
Artistas anteriormente mencionados, como U2, Coldplay e Bruno Mars, podem não ter mais disponibilidade em suas agendas para a data inicialmente planejada.
Embora o novo TAC tenha sido homologado em maio, a Prefeitura apresentou recurso contra algumas das condições estabelecidas pelo Ministério Público, especialmente a cláusula denominada “Custo Zero ao Erário”.
Pela regra, despesas com montagem, cachês artísticos, limpeza e segurança privada devem ser integralmente pagas pelos patrocinadores e organizadores, sem utilização de recursos públicos municipais.
A administração municipal argumenta que determinados serviços, como operações da Companhia de Engenharia de Tráfego — CET, da SPTrans e da Guarda Civil Metropolitana, fazem parte das atribuições regulares do município.
MORADORES COBRAM PARTICIPAÇÃO E TRANSPARÊNCIA
Do outro lado da discussão estão as entidades MOVPAULISTA, Paulista Boa Para Todos e SAMORCC — Sociedade dos Amigos, Moradores e Empreendedores do Bairro de Cerqueira César.
Os grupos defendem que decisões capazes de modificar profundamente a rotina da região não podem ser tomadas sem a participação das pessoas diretamente afetadas.
Os embargos apresentados pelas entidades pedem esclarecimentos sobre pontos considerados obscuros, contraditórios ou omissos na decisão do Conselho Superior do Ministério Público.
Entre os questionamentos estão a quantidade de megashows permitidos por ano, o trecho da Avenida Paulista que poderá ser utilizado, a realização de eventos em anos eleitorais e a necessidade de cada organizador assinar um TAC específico.
As entidades também querem saber se moradores e representantes da sociedade civil serão ouvidos antes das autorizações e quais medidas serão adotadas para evitar prejuízos aos hospitais, residências, escritórios e estabelecimentos comerciais da região.
Os movimentos afirmam que não são contrários à cultura ou à realização de eventos públicos na cidade.
A contestação está concentrada na ausência de diálogo, de audiências públicas e de estudos técnicos compatíveis com espetáculos capazes de reunir centenas de milhares de pessoas.
POLUIÇÃO SONORA PREOCUPA QUEM MORA NA AVENIDA
A poluição sonora está entre as principais preocupações apresentadas pelos moradores.
Representantes das entidades afirmam que a Avenida Paulista funciona como uma espécie de “cânion urbano”, cercado por edifícios altos e fachadas de vidro.
Essa configuração arquitetônica pode provocar reverberação e amplificação do som, fazendo com que o barulho alcance apartamentos localizados nos andares mais elevados.
Além das residências, a região concentra hospitais, clínicas, escolas, escritórios, hotéis, centros culturais e serviços essenciais que precisam continuar funcionando durante os eventos.
Moradores também relatam problemas durante o programa Ruas Abertas, realizado aos domingos e feriados, quando apresentações com equipamentos de som ocupam diferentes pontos da avenida.
CONSELHEIROS DO MP APONTARAM FALTA DE ESTUDOS
A homologação do novo TAC, ocorrida em 12 de maio, foi aprovada por uma diferença mínima: seis votos favoráveis e cinco contrários.
Parte dos integrantes do Conselho Superior do Ministério Público defendeu que o acordo fosse convertido em inquérito civil, permitindo a realização de audiências públicas e a produção de estudos técnicos mais aprofundados.
Os conselheiros contrários à homologação apontaram a ausência de avaliações completas sobre capacidade máxima de público, segurança, gerenciamento de multidões, rotas de fuga e pontos de compressão.
Também foram levantadas dúvidas sobre os impactos no trânsito, no transporte público, no acesso de ambulâncias e equipes de emergência, no funcionamento dos hospitais e no controle da poluição sonora.
Segundo o voto divergente, a fundamentação inicialmente apresentada pela Prefeitura estaria baseada principalmente em material institucional da SPTuris, sem cálculos, metodologias ou pareceres técnicos suficientes para comprovar a segurança da operação.
NOVO TAC AMPLIOU O NÚMERO DE GRANDES EVENTOS
O acordo anterior, firmado em 2007, restringia os grandes bloqueios da Avenida Paulista aos eventos tradicionais: Parada do Orgulho LGBT+, Corrida Internacional de São Silvestre e Réveillon.
Com o novo TAC, a Prefeitura recebeu autorização para realizar um show gratuito em 2026 e, a partir de 2027, promover até dois megashows adicionais por ano, um em cada semestre.
O documento determina que a administração municipal apresente estudos de lotação, planos de evacuação, medidas de controle sonoro, atendimento médico, banheiros, áreas de hidratação, acessibilidade e corredores para circulação de socorristas.
A Prefeitura também deverá assegurar o acesso de moradores, trabalhadores, pacientes e profissionais aos imóveis, empresas, clínicas e hospitais situados no entorno.
PAULISTA NÃO É APENAS UM PALCO
A Avenida Paulista é um dos maiores símbolos culturais, econômicos e turísticos do Brasil.
Ao mesmo tempo, é uma região densamente ocupada por moradores, trabalhadores, hospitais, clínicas, empresas, instituições de ensino, hotéis e centros culturais.
Eventos públicos podem movimentar a economia, ampliar o acesso à cultura e projetar internacionalmente a imagem da cidade.
Entretanto, o interesse turístico, cultural e publicitário não pode eliminar o direito da população à segurança, ao descanso, à mobilidade e à participação nas decisões públicas.
O impasse que retorna ao Ministério Público não envolve apenas a realização de um espetáculo.
O debate trata da maneira como o poder público pretende utilizar um dos espaços urbanos mais importantes e movimentados de São Paulo.
Até o julgamento marcado para 4 de agosto, o megashow de setembro permanece oficialmente planejado, mas cercado de incertezas jurídicas, técnicas e operacionais.
APOIO INSTITUCIONAL
Ibrachina – Instituto Sociocultural Brasil-China
APECC – Associação Paulista de Empreendedores
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Calabria – Oportunidades de Negócios
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