Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 1 de setembro de 2026.
Você que anda pelas ruas escuras com medo de assalto e paga a taxa de iluminação pública na sua conta de energia sabe muito bem: o serviço público essencial não pode ser tratado como moeda de troca ou balcão de guerra entre grandes grupos econômicos. A bilionária concessão da iluminação pública da capital paulista virou palco de um embate feroz nos bastidores do Palácio do Anhangabaú.
A concessionária Ilumina SP, vencedora da licitação pública, protocolou uma representação formal junto à Controladoria-Geral do Município (CGM) acusando o advogado do consórcio concorrente, a desclassificada Walks, de suposto conflito de interesses. O caso expôs fissuras na cúpula da administração municipal e elevou a tensão sobre um contrato que soma R$ 6,9 bilhões.
A ENGRENAGEM DO FATO: A denúncia tem como alvo central o jurista Gustavo Ungaro, Ex-controlador-geral do município em 2018 — ano em que a pasta realizou auditorias sobre a licitação da iluminação. A Ilumina SP sustenta que o advogado teve acesso a dados privilegiados no passado e pede a preservação de todos os documentos da época para checar se houve atuação irregular em favor do consórcio derrotado.
O embate transbordou para o campo político após o advogado se reunir com o vice-prefeito Ricardo Mello Araújo (PL) sem o conhecimento prévio do prefeito Ricardo Nunes (MDB). O encontro gerou cobranças imediatas à agência reguladora SP Regula sobre o cumprimento de ordens judiciais obtidas pela Walks no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reabrir o processo licitatório.
Enquanto os consórcios brigam por centavos e bilhões nos tribunais e gabinetes, o trabalhador paulistano assiste à judicialização sem fim de um serviço que já deveria estar modernizado em cada poste da periferia.
VOZES E ANÁLISE: Para especialistas em direito administrativo e gestão pública, a sobreposição de interesses
privados em disputas de concessões urbanas atrasa a entrega de melhorias e gera insegurança jurídica para a cidade.
Em sua defesa, o advogado Gustavo Ungaro declarou que desconhecia o teor da representação e ressaltou que sua conduta é estritamente técnica, pautada pela legalidade e voltada ao cumprimento das decisões transitadas em julgado no STF e no STJ. Segundo ele, o diálogo com o vice-prefeito ocorreu após a recusa de interlocução por parte de órgãos municipais.
A Prefeitura de São Paulo e a SP Regula afirmam que cumprem rigorosamente os ritos legais e as determinações da Justiça, mantendo a operação da rede para que a população não fique desassistida no fornecimento de luz nas vias públicas.
DADOS OFICIAIS:
Contrato em Disputa: Concessão da Parceria Público-Privada (PPP) da Iluminação Pública de São Paulo.
Valor Global do Certame: R$ 6,9 bilhões ao longo do período de concessão.
Empresas Envolvidas: Consórcio Ilumina SP (atual concessionária) e Consórcio Walks (concorrente desclassificado que tenta reabrir a concorrência).
Órgãos Acionados: Controladoria-Geral do Município (CGM), Agência Reguladora de Serviços Públicos de SP (SP Regula), Supremo Tribunal Federal (STF) e 14ª Vara da Fazenda Pública.
Impacto Social: Risco de atrasos no cronograma de modernização de lâmpadas de LED, prejuízo na segurança pública noturna e impasse no uso eficiente dos recursos da taxa de iluminação paga pelo contribuinte.
O RIGOR DA LEI: O dinheiro que sai do bolso de quem acorda cedo para trabalhar em São Paulo tem de ser sagrado. As concessões públicas da maior capital do país não são feudos para disputas intermináveis de influência política e jurídica entre gigantes do mercado.
A Controladoria-Geral do Município tem a obrigação de conduzir uma apuração transparente e implacável para esclarecer qualquer sombra de conflito de interesses, blindando o interesse público de pressões de bastidor.
A prioridade da administração não pode ser o conforto dos escritórios de advocacia ou o lucro das concessionárias, mas sim a entrega de ruas claras, seguras e bem iluminadas para o cidadão. A ordem pública e o respeito ao erário exigem que as decisões judiciais e os contratos sejam executados com rigor ético absoluto.
AGORA A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:
Você acredita que a Controladoria e a Prefeitura devem investigar a fundo a atuação de ex-membros de gabinete que assumem causas privadas contra o município, ou disputas jurídicas dessa magnitude são movimentos normais do mercado de concessões?























































