MÁFIA DO ICMS: OPERAÇÃO ÍCARO PRENDE EX-NÚMERO 3 DA FAZENDA E ADVOGADO POR SUPOSTO ESQUEMA DE PROPINA
Investigação do Ministério Público aponta pagamentos para acelerar ou favorecer pedidos de ressarcimento de ICMS e créditos tributários; grandes empresas aparecem nos documentos da apuração
Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 3 de setembro de 2026
LEITURA RÁPIDA — 1 MINUTO
O Ministério Público de São Paulo deflagrou nesta quinta-feira, 3 de setembro, uma nova fase da Operação Ícaro, que investiga um suposto esquema de corrupção dentro da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo.
Foram presos André Weiss, ex-integrante da cúpula da administração tributária paulista, e o advogado João André Buttini de Moraes, apontado pela investigação como um dos principais integrantes do núcleo privado do esquema.
Segundo o Ministério Público, o grupo atuava em procedimentos de ressarcimento de ICMS-ST e no aproveitamento de créditos acumulados de ICMS. Empresas interessadas em agilizar ou obter tratamento favorável em processos tributários teriam contratado intermediários, e parte dos valores seria destinada a agentes públicos.
As propinas investigadas poderiam variar entre 1% e 10% do valor dos créditos tributários.
A investigação também apura transferências milionárias envolvendo integrantes da administração tributária. Um dos investigados teria repassado cerca de R$ 13,6 milhões ao então delegado regional tributário do Butantã. Outro relato menciona aproximadamente R$ 4,5 milhões em dinheiro vivo, parte transportada em mochilas.
Empresas como Assaí, DIA, Casas Bahia, Carrefour e Ipiranga aparecem em diferentes pontos dos documentos da investigação.
A presença de empresas ou pessoas nos autos, no entanto, não significa condenação ou comprovação de participação criminosa. A responsabilidade de cada envolvido ainda deverá ser individualmente apurada pela Justiça.
LEITURA INTEGRAL
MP avança sobre suposto esquema dentro da Fazenda paulista
O Ministério Público de São Paulo realizou nesta quinta-feira, 3 de setembro, uma nova ofensiva contra um suposto esquema de corrupção envolvendo procedimentos tributários dentro da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado.
A nova etapa é um desdobramento da Operação Ícaro, investigação que apura suspeitas de fraudes, corrupção e pagamentos indevidos relacionados à liberação e ao aproveitamento de créditos de ICMS.
O foco dos investigadores está especialmente nos processos de ressarcimento do ICMS retido por substituição tributária, o ICMS-ST, e no aproveitamento de créditos acumulados.
O ressarcimento tributário é um procedimento legal. Empresas que recolhem imposto em valor superior ao efetivamente devido podem solicitar restituição ou compensação, desde que preencham os requisitos previstos na legislação.
O que o Ministério Público investiga é se esse sistema teria sido manipulado por meio do pagamento de vantagens indevidas.
Como funcionaria o esquema
Segundo a investigação, a estrutura teria dois principais núcleos.
De um lado estaria o núcleo privado, responsável pela aproximação com empresas e contribuintes interessados nos procedimentos tributários.
Do outro estaria o núcleo público, formado por agentes da administração tributária que teriam condições de interferir na tramitação dos pedidos.
Entre as condutas investigadas estão suspeitas de:
- aceleração de pedidos;
- centralização de processos;
- interferência em fiscalizações;
- facilitação de análises;
- favorecimento de decisões administrativas;
- redução de obstáculos burocráticos.
Em troca dessas facilidades, os pagamentos indevidos teriam sido calculados como porcentagens dos créditos obtidos.
Os percentuais investigados poderiam variar entre 1% e 10%.
André Weiss é preso
Um dos principais alvos da operação é André Weiss, ex-integrante da cúpula da administração tributária paulista.
Ele ocupou cargo de destaque na Secretaria da Fazenda e Planejamento e é citado nas investigações como um dos personagens centrais desta nova fase.
O Ministério Público busca esclarecer se valores provenientes do suposto esquema teriam chegado a integrantes da alta administração tributária.
Um dos relatos analisados pela investigação menciona aproximadamente R$ 4,5 milhões entregues em espécie a um ex-dirigente.
Segundo as informações reunidas pelos investigadores, parte desses valores teria sido transportada em mochilas.
Weiss e os demais investigados têm direito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência.
João André Buttini de Moraes
Outro nome central é o advogado João André Buttini de Moraes.
Segundo a investigação, ele teria exercido papel importante na ligação entre contribuintes interessados nos procedimentos tributários e integrantes da administração fazendária.
Os investigadores identificaram transferências que somariam aproximadamente R$ 13,6 milhões ao então delegado regional tributário do Butantã entre 2021 e agosto de 2025.
O Ministério Público procura agora estabelecer a origem, a destinação e a finalidade desses recursos.
O delegado tributário
Outro personagem citado nas apurações é o ex-delegado tributário Paulo Sérgio Siqueira Prado, conhecido como “PP”.
Ele teria atuado como delegado regional tributário do Butantã.
A investigação analisa transferências financeiras, anotações, documentos, registros bancários, informações fiscais e dados obtidos em aparelhos eletrônicos.
Também fazem parte do conjunto probatório relatórios financeiros e outros elementos reunidos ao longo das investigações.
Assaí aparece na investigação
Entre as empresas citadas nos documentos aparece o Assaí.
A investigação analisa processos de ressarcimento relacionados à empresa e pagamentos realizados a estruturas privadas que prestavam serviços na área tributária.
A existência desses pagamentos, isoladamente, não caracteriza irregularidade.
O ponto investigado é se parte dos recursos teria sido destinada, direta ou indiretamente, ao pagamento de agentes públicos em troca de favorecimento administrativo.
DIA
A rede DIA também aparece entre as empresas relacionadas a processos analisados pelos investigadores.
A apuração procura verificar a tramitação dos pedidos de ressarcimento e eventual existência de pagamentos vinculados à atuação de intermediários.
A presença da empresa nos documentos não representa, por si só, prova de participação em qualquer esquema criminoso.
Casas Bahia
O Grupo Casas Bahia também aparece entre empresas relacionadas ao núcleo privado investigado.
Os investigadores analisam pagamentos feitos por serviços tributários e procuram identificar se houve eventual desvio de recursos para agentes públicos.
Mais uma vez, é necessário separar a contratação legítima de serviços tributários de qualquer eventual pagamento ilícito.
Ipiranga e Carrefour
A Ipiranga aparece em procedimentos relacionados a pedidos de ressarcimento e créditos acumulados de ICMS.
O Carrefour também é citado em documentos analisados pela investigação.
A eventual responsabilidade de cada empresa, executivo ou prestador de serviço ainda deverá ser comprovada individualmente.
Operação alcança dezenas de endereços
A operação desta quinta-feira cumpriu diligências em dezenas de endereços na capital paulista, Grande São Paulo, interior do Estado e Mato Grosso do Sul.
Além das prisões, foram determinadas medidas cautelares contra investigados e servidores públicos.
Entre as medidas estão afastamentos de funções, restrições de contato e outras determinações judiciais.
O ponto central da investigação
O aspecto mais grave do caso não está no fato de empresas solicitarem créditos tributários.
O pedido de ressarcimento de imposto é um direito do contribuinte quando preenchidos os requisitos legais.
A suspeita do Ministério Público é outra: o eventual pagamento de dinheiro para interferir no funcionamento da administração pública.
Se comprovado, o esquema teria transformado um procedimento que deveria obedecer a critérios técnicos, legais e impessoais em um sistema de favorecimento mediante pagamento.
É justamente essa hipótese que os investigadores buscam esclarecer.
Investigação continua
A Operação Ícaro permanece em andamento.
Os investigadores trabalham com suspeitas envolvendo crimes como corrupção ativa, corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Nesta fase, o Ministério Público busca novos documentos, registros financeiros, computadores, telefones e outros elementos capazes de esclarecer o funcionamento do suposto esquema.
As pessoas citadas ainda não foram condenadas.
O 25News continuará acompanhando o caso e atualizará a reportagem conforme surgirem novas informações, manifestações das defesas, posicionamentos das empresas, da Secretaria da Fazenda e do Ministério Público.
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