O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar os aumentos recentes no preço da gasolina e do diesel, atribuindo o reajuste a uma combinação de fatores internacionais e o que chamou de “ganância” de setores da cadeia produtiva. Em discurso durante inauguração de obras do PAC em Pernambuco, Lula afirmou:
“A gasolina aumentou porque muita gente tira proveito da desgraça. Não faz sentido que o povo brasileiro tenha que sofrer com o aumento dos preços decorrente de um conflito que está a 14 mil km de distância. Tem muita gente ganhando dinheiro em cima da guerra, em cima da desgraça alheia.”
A fala faz referência indireta ao conflito no Oriente Médio (especialmente tensões envolvendo Irã, Israel e rotas do Golfo Pérsico), que pressionou os preços internacionais do barril de petróleo Brent (média de US$ 88–92 em fevereiro/2026) e do tipo WTI. Lula reforçou que o governo federal não controla diretamente os preços na bomba, mas que a Petrobras “está fazendo o possível para segurar o repasse” e que “o povo não pode pagar a conta da especulação”.
Contexto do aumento em março de 2026

- Preço médio da gasolina comum: R$ 6,47/litro (aumento de 9,3% em relação a janeiro/2026, segundo ANP).
- Diesel S10: R$ 6,12/litro (+7,8% no mesmo período).
- Fatores citados pelo mercado: – Alta do dólar (R$ 5,68–5,75) – Prêmios de risco no Golfo Pérsico após incidentes navais – Redução de oferta da OPEP+ (corte de produção mantido em 2,2 milhões de barris/dia) – Aumento de demanda sazonal no hemisfério norte
- Posição da Petrobras: A estatal informou que aplica política de paridade internacional com defasagem, mas que “absorveu parte da alta externa” para evitar reajuste maior. Mesmo assim, o último aumento foi de 8,4% na refinaria em 18/02.
Repercussão política e econômica
- Oposição: Deputados do PL e Novo classificaram a fala como “populismo” e “desvio de foco”, afirmando que o governo “não assumiu a responsabilidade pela alta do ICMS e pela política de preços da Petrobras pós-desestatização parcial”.
- Governo e aliados: Líderes do PT e do governo defendem que Lula aponta o “especulador” real: distribuidores e revendedores que elevam margens acima do repasse internacional. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou que a ANP vai intensificar fiscalização de preços abusivos em postos.
- Setor privado: Sindipostos e Fecombustíveis divulgaram nota conjunta afirmando que “a margem de distribuição está em patamar historicamente baixo” e que o aumento reflete “exclusivamente” o preço do barril e do câmbio.
Até Agora

O presidente Lula retoma o tom crítico aos “intermediários” da cadeia de combustíveis, ecoando falas semelhantes de 2022–2023, mas agora em contexto de conflito internacional e dólar alto. A frase “muita gente tira proveito da desgraça” viralizou nas redes e deve dominar o debate político nos próximos dias, enquanto o governo tenta equilibrar controle de preços com a manutenção da paridade internacional da Petrobras — uma equação que continua gerando atrito entre Planalto, Congresso e setor privado.
O Jornal 25News acompanhará a fiscalização da ANP nos postos e eventuais novas medidas de contenção de preços. Porque, quando o barril sobe a 14 mil km de distância e o litro chega a quase R$ 6,50 na bomba, o que está em jogo não é só combustível — é quem paga a conta da guerra que o Brasil não escolheu. E em 2026, o presidente está deixando claro que, para ele, a conta não pode ser só do povo.
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