FALA SOBRE “MATAR” NA FARIA LIMA LEVA ARTHUR DO VAL A SER DENUNCIADO PELO MINISTÉRIO PÚBLICO
MPSP acusa ex-deputado de incitação ao crime após comentário sobre a Operação Carbono Oculto; Arthur do Val nega ter estimulado violência e afirma que apenas manifestou opinião sobre a ação policial
Centro Histórico da Cidade de São Paulo — 31 de agosto de 2026
LEITURA RÁPIDA — 1 MINUTO
O Ministério Público de São Paulo denunciou o ex-deputado estadual Arthur do Val, conhecido como Mamãe Falei, por incitação ao crime, após uma declaração feita em seu canal no YouTube durante comentários sobre a Operação Carbono Oculto.
A denúncia foi apresentada pelo promotor Roberto Bacal, do Juizado Especial Criminal.
Ao comentar a investigação sobre lavagem de dinheiro e crime organizado na região da Faria Lima, Arthur afirmou que quem lavasse dinheiro para organizações criminosas deveria ser morto.
O Ministério Público entendeu que a manifestação poderia configurar incitação pública à prática de crime, conduta prevista no artigo 286 do Código Penal.
Arthur do Val nega ter cometido crime. Segundo sua versão, a manifestação não teve a intenção de incentivar terceiros a praticarem violência, mas foi uma opinião dada durante comentários sobre uma operação policial.
A denúncia não representa condenação.
Arthur terá direito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência.
Agora, caberá ao Poder Judiciário decidir se a declaração ultrapassou os limites da liberdade de expressão e configurou efetivamente incitação ao crime.
LEITURA INTEGRAL
O Ministério Público do Estado de São Paulo denunciou o ex-deputado estadual Arthur do Val por incitação ao crime, após uma declaração feita em seu canal no YouTube.
Conhecido nas redes sociais como Mamãe Falei, Arthur comentava a Operação Carbono Oculto quando fez referência direta à morte de pessoas envolvidas com lavagem de dinheiro para organizações criminosas.
A denúncia foi apresentada pelo promotor Roberto Bacal, do Juizado Especial Criminal.
O QUE DISSE ARTHUR DO VAL
Durante seus comentários sobre a operação, Arthur afirmou:
“Vagabundo da Faria Lima que lava dinheiro para o crime organizado tem que ser morto.”
Foi essa declaração pública que levou o Ministério Público a apresentar a acusação.
O contexto era a investigação sobre a infiltração de organizações criminosas em setores da economia formal e do mercado financeiro.
O QUE É O CRIME DE INCITAÇÃO
A acusação apresentada contra Arthur do Val está relacionada ao artigo 286 do Código Penal.
A norma pune quem:
“incita, publicamente, a prática de crime.”
A pena prevista é de:
DETENÇÃO DE TRÊS A SEIS MESES OU MULTA.
O delito está inserido entre os crimes contra a paz pública.
A questão jurídica que deverá ser analisada é se a declaração de Arthur constituiu efetivamente um estímulo público à prática de violência ou se permaneceu no campo da manifestação de opinião.
ARTHUR DO VAL NEGA TER INCITADO CRIME
Arthur contesta a acusação.
Segundo sua versão, a manifestação não teve como objetivo incentivar terceiros a cometer crimes.
O ex-deputado sustenta que estava comentando uma operação oficial das forças de segurança e que sua fala deve ser interpretada dentro daquele contexto.
Esse será um dos pontos centrais da controvérsia jurídica.
DENÚNCIA NÃO É CONDENAÇÃO
É importante fazer uma distinção.
Arthur do Val foi denunciado pelo Ministério Público.
Isso não significa que tenha sido condenado.
A acusação será analisada pelo Poder Judiciário e o ex-deputado terá direito ao contraditório e à ampla defesa.
Somente após a tramitação do processo poderá ser estabelecida eventual responsabilidade criminal.
O QUE É A OPERAÇÃO CARBONO OCULTO
A declaração ocorreu no contexto da Operação Carbono Oculto, investigação voltada à estrutura financeira do crime organizado.
A operação revelou suspeitas de utilização de setores da economia formal para movimentar e lavar recursos de origem criminosa.
Entre os segmentos investigados estão:
postos de combustíveis;
distribuidoras;
fintechs;
empresas;
fundos de investimento;
estruturas financeiras utilizadas para ocultação patrimonial.
A investigação ganhou repercussão justamente por indicar que o crime organizado não atua apenas nas ruas, no tráfico de drogas ou no domínio territorial.
Também busca infiltrar recursos ilícitos em atividades econômicas aparentemente regulares.
CRIME ORGANIZADO TAMBÉM ATUA NO MERCADO FINANCEIRO
O avanço das investigações revelou uma face mais sofisticada das organizações criminosas.
O dinheiro proveniente de atividades ilegais pode circular por empresas, instituições financeiras, fundos e operações comerciais antes de retornar à economia com aparência de legalidade.
Esse processo é conhecido como lavagem de dinheiro.
Foi justamente essa dimensão da investigação que Arthur do Val comentava quando fez a declaração que agora é objeto da denúncia.
A QUESTÃO CENTRAL: OPINIÃO OU INCITAÇÃO?
O episódio abre uma discussão jurídica relevante.
A Constituição Federal protege a liberdade de manifestação do pensamento.
Isso inclui críticas duras, opiniões controversas, indignação política e manifestações que possam causar desconforto.
Mas a liberdade de expressão não significa ausência de responsabilidade.
O Código Penal estabelece limites quando uma pessoa, por exemplo, incita publicamente a prática de um crime.
Agora caberá ao Judiciário estabelecer de que lado dessa fronteira está a declaração de Arthur do Val.
LIBERDADE DE EXPRESSÃO TEM LIMITES?
A liberdade de expressão é uma garantia fundamental da democracia.
Mas nenhum direito é absolutamente ilimitado.
A legislação brasileira também protege a vida, a honra, a integridade das pessoas e a paz pública.
Por isso, ameaças, estímulos à prática de crimes e determinadas manifestações podem gerar responsabilidade civil ou criminal.
A discussão no processo será justamente definir se houve apenas uma manifestação retórica e exagerada ou um verdadeiro incentivo público à violência.
O PESO DAS REDES SOCIAIS
Existe ainda uma diferença importante entre uma conversa privada e uma manifestação publicada em uma plataforma digital.
Um canal de YouTube pode alcançar milhares ou milhões de pessoas.
Uma frase gravada pode ser recortada, compartilhada, republicada e permanecer disponível durante anos.
Isso aumenta a responsabilidade de políticos, influenciadores e comunicadores sobre o conteúdo de suas manifestações públicas.
QUEM É ARTHUR DO VAL
Arthur do Val ganhou notoriedade inicialmente por seus vídeos políticos na internet.
Posteriormente, foi eleito deputado estadual em São Paulo.
Em 2022, perdeu o mandato após processo por quebra de decoro parlamentar relacionado à divulgação de áudios gravados durante uma viagem à Ucrânia.
Desde então, manteve presença intensa nas redes sociais e em plataformas de vídeo.
AGORA A PALAVRA É DA JUSTIÇA
O Ministério Público apresentou sua acusação.
Arthur do Val nega ter cometido crime.
A partir daqui, a controvérsia deixa de ser apenas uma discussão política ou de redes sociais.
Passa para o campo judicial.
A pergunta central será:
DIZER PUBLICAMENTE QUE DETERMINADAS PESSOAS “TÊM QUE SER MORTAS” É UMA OPINIÃO PROTEGIDA PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO OU UMA INCITAÇÃO À PRÁTICA DE CRIME?
Será o Poder Judiciário que terá de responder.
Até lá, permanecem válidos os princípios do contraditório, da ampla defesa e da presunção de inocência.
Redação — 25News-Brazil
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