EMBOSCADA NA MARGINAL TIETÊ: PM É MORTO E POLÍCIA APONTA AÇÃO DA “GANGUE DA PEDRA”
Criminosos teriam colocado pedras e obstáculos na pista para obrigar motoristas a parar; cabo da PM foi atacado, teve arma particular roubada e morreu após ser baleado
Centro Histórico da Cidade de São Paulo — 30 de agosto de 2026
25News-Brazil — Jornalismo com Responsabilidade Social
LEITURA RÁPIDA — 1 MINUTO
Uma emboscada montada em uma das avenidas mais movimentadas do país terminou com a morte do cabo da Polícia Militar Paulo Roberto Lima Pereira, de 44 anos, na noite de sexta-feira (28), na Marginal Tietê, em São Paulo.
A investigação aponta que criminosos teriam colocado pedras e outros obstáculos na pista para provocar problemas nos veículos e obrigar motoristas a parar. Paulo Roberto teria atingido os objetos e encostado o carro para verificar o que havia acontecido.
Ao desembarcar, foi surpreendido. Segundo o boletim de ocorrência e o relato de uma testemunha, três homens saíram da região próxima à margem do Rio Tietê. Um deles teria imobilizado o policial por trás enquanto os demais participavam da agressão. Durante a luta, os criminosos perceberam que a vítima era policial e tomaram sua arma particular, de calibre .45.
Paulo Roberto foi baleado e socorrido ao Hospital Municipal do Tatuapé, mas não resistiu. Sua arma funcional permaneceu no veículo. A polícia apura se a arma particular roubada foi utilizada no assassinato.
O caso foi registrado como latrocínio — roubo seguido de morte — no 73º Distrito Policial, no Jaçanã, com apoio de unidades especializadas nas investigações. Até a manhã deste domingo, não havia informação confirmada sobre a prisão dos responsáveis.
Paulo Roberto tinha 23 anos de carreira na Polícia Militar, integrava a Companhia de Ações Especiais de Polícia (CAEP) na região de Mogi das Cruzes e deixa três filhos.
O crime acende novamente o alerta para uma modalidade extremamente perigosa de assalto: criminosos provocam ou simulam problemas na pista para obrigar motoristas a desembarcar, transformando a parada em uma emboscada.
LEITURA INTEGRAL
Pedra na pista pode ter sido o início da armadilha
A Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte do cabo da Polícia Militar Paulo Roberto Lima Pereira, de 44 anos, assassinado durante um assalto na Marginal Tietê, na noite de sexta-feira, 28 de agosto.
A apuração mais recente aponta para a possível atuação de uma quadrilha especializada em utilizar pedras e outros obstáculos para forçar a parada de veículos.
Paulo Roberto trafegava pela Marginal Tietê quando seu carro atingiu objetos existentes na pista. Depois do impacto, ele parou próximo ao acostamento para verificar o veículo.
Era justamente esse o momento de vulnerabilidade que os criminosos aparentemente esperavam.
Criminosos estavam escondidos próximo ao Rio Tietê
Um agente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), que passava pelo local, relatou à polícia ter visto três homens saindo da região da margem do rio e partindo em direção ao motorista.
Segundo os elementos reunidos na investigação, Paulo Roberto foi surpreendido assim que deixou o veículo. Um dos criminosos teria conseguido imobilizá-lo por trás, enquanto ocorria uma luta corporal.
A testemunha ouviu disparos e viu os criminosos fugindo novamente em direção à área próxima ao rio.
A quantidade exata de envolvidos chegou a apresentar divergência nos primeiros relatos: informações iniciais divulgadas com base na SSP mencionavam dois suspeitos, enquanto o boletim de ocorrência e testemunhas citados posteriormente pela imprensa apontam a participação de três homens.
Criminosos descobrem que vítima era policial
Durante a luta, os assaltantes teriam percebido que Paulo Roberto era policial militar.
A arma particular do cabo, de calibre .45, foi tomada pelos criminosos. Sua arma funcional permaneceu dentro do veículo.
A investigação também trabalha para esclarecer se a arma particular roubada foi usada contra o próprio policial.
Paulo Roberto foi atingido por disparos e encaminhado para atendimento médico no Hospital Municipal do Tatuapé, mas não resistiu aos ferimentos.
Os criminosos fugiram levando a arma particular.
O que é a chamada “gangue da pedra”
O nome “gangue da pedra” passou a ser utilizado para identificar grupos que exploram uma estratégia relativamente simples e extremamente perigosa: colocar ou lançar pedras e outros objetos contra veículos ou sobre as pistas.
Quando o motorista percebe um pneu danificado, algum barulho ou problema mecânico, tende naturalmente a reduzir a velocidade ou parar o carro.
É nesse momento que ocorre o ataque.
No caso investigado na Marginal Tietê, pedras de grande porte e outros objetos foram encontrados no trecho próximo ao local do crime. Segundo a investigação, criminosos utilizariam áreas próximas à vegetação e às muretas da marginal como pontos de esconderijo.
Uma das principais vias de São Paulo transformada em cenário de emboscada
A gravidade do caso vai além do assassinato de um policial.
A Marginal Tietê é uma das principais artérias viárias da Região Metropolitana de São Paulo, utilizada diariamente por milhares de trabalhadores, famílias, transportadores e motoristas que atravessam a capital.
A possibilidade de criminosos espalharem obstáculos deliberadamente sobre uma via expressa para produzir acidentes ou obrigar veículos a parar exige investigação rigorosa e resposta das autoridades de segurança e trânsito.
O episódio também serve de alerta aos motoristas: diante de pedras, objetos suspeitos ou problemas repentinos no veículo em locais isolados, especialmente durante a noite, a prioridade deve ser buscar, sempre que as condições permitirem com segurança, um ponto iluminado e movimentado e acionar as autoridades.
Quem era Paulo Roberto Lima Pereira
Paulo Roberto tinha 44 anos e 23 anos de serviço na Polícia Militar.
Desde 2023, integrava a Companhia de Ações Especiais de Polícia — CAEP, na região de Mogi das Cruzes.
Morador de Poá, no Alto Tietê, era pai de três filhos e estava de folga quando foi atacado.
O velório foi marcado para este domingo (30), a partir das 8 horas, na Câmara Municipal de Poá, e o sepultamento para as 11h30, no Cemitério da Paz, também no município.
Investigação continua
O caso foi registrado como latrocínio — roubo seguido de morte — no 73º Distrito Policial, no Jaçanã.
A investigação recebeu apoio de unidades especializadas, enquanto as forças policiais realizam diligências para identificar e localizar os envolvidos.
Até a atualização desta matéria, não havia confirmação pública da prisão dos autores.
Além da identificação dos criminosos, a investigação terá de esclarecer toda a dinâmica da emboscada e verificar a participação do grupo em outros roubos praticados com método semelhante na Marginal Tietê.
Para São Paulo, fica uma questão que exige resposta do poder público: como criminosos conseguem utilizar uma das vias mais importantes da cidade como território para preparar armadilhas contra motoristas?
A morte de Paulo Roberto transforma essa pergunta em uma cobrança ainda mais urgente.
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