Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 21 de agosto de 2026.
A busca por agilidade e menor esforço físico fez disparar a presença de bicicletas elétricas, patinetes e scooters motorizadas, enquanto a tradicional pedalada perdeu espaço na capital.
Um levantamento inédito realizado pela ONG Ciclocidade, em parceria com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), revelou que o número de viagens feitas com bicicletas convencionais caiu 7,53% nos últimos três anos na capital paulista, recuando de 36,5 mil para 33,75 mil deslocamentos diários nas principais vias monitoradas.
A ENGRENAGEM DO FATO: Enquanto o modal tradicional encolhe, a presença de veículos autopropelidos e bicicletas com motor elétrico vive uma explosão sem precedentes nas vias paulistanas. No mesmo período de três anos, as viagens com esses equipamentos motorizados saltaram de modestas 703 para impressionantes 7.268 — um crescimento superior a dez vezes (1.033%).
A aceleração do uso de veículos elétricos individuais expõe, contudo, gargalos históricos na infraestrutura de mobilidade da cidade. A promessa da Prefeitura de São Paulo de entregar 1.000 quilômetros de malha cicloviária até 2024 não foi cumprida e acabou adiada para o final de 2028.
Atualmente, a cidade conta com aproximadamente 750 quilômetros de pistas exclusivas para ciclistas, muitas das quais enfrentam problemas de conservação, sinalização e falta de pontos de apoio — como o tradicional contêiner de manutenção do Largo da Batata, desativado recentemente.
A disputa por espaço nas ciclovias estreitas e a falta de conscientização nas vias de tráfego compartilhado refletem-se no aumento da violência viária: entre janeiro e julho deste ano, 18 ciclistas perderam a vida em acidentes na capital, registrando uma alta alarmante de 28% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
VOZES E ANÁLISE: Especialistas em engenharia de transportes e logística urbana apontam que a popularização dos autopropelidos traz um efeito colateral preocupante para o sistema de transporte coletivo da metrópole.
“Estudos de mobilidade em grandes capitais da América Latina indicam que cerca de metade dos usuários de scooters e bicicletas elétricas não está deixando o carro em casa, mas sim migrando do transporte público de ônibus e metrô. A fuga de passageiros do sistema coletivo reduz a arrecadação da rede pública, o que pode forçar o encarecimento das tarifas no futuro e alimentar um ciclo vicioso de desequilíbrio na mobilidade”, avalia o professor de Engenharia de Transportes da Universidade de São Paulo (USP), Mateus Humberto.
Por outro lado, usuários do modal elétrico defendem a convivência pacífica entre os veículos e cobram sinalização mais clara. “Tanto a bicicleta tradicional quanto a elétrica cumprem a função de retirar carros da rua e dar rapidez ao trabalhador. O problema não é a motorização, mas a falta de pistas adequadas e de fiscalização contra excessos de velocidade”, argumentam ciclistas e especialistas do setor.
DADOS OFICIAIS:
Órgãos do Levantamento: Pesquisa conjunta da ONG Ciclocidade e da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).
Bikes Convencionais: Queda de 36,5 mil para 33,75 mil viagens diárias (-7,53% em três anos).
Elétricas e Autopropelidos: Salto de 703 para 7.268 viagens diárias (+1.033% no mesmo período).
Malha Cicloviária: Cerca de 750 km existentes; meta municipal de 1.000 km foi adiada de 2024 para o fim de 2028.
Indicador de Insegurança: 18 mortes de ciclistas registradas entre janeiro e julho deste ano (alta de 28%).
Migração de Modal: Estimativa de que até 50% dos novos usuários de elétricos vieram do transporte público coletivo.
O RIGOR DA LEI: O paulistano que opta por se locomover de forma sustentável — seja no pedal manual ou na propulsão elétrica — não pode ficar desprotegido em ciclovias sucateadas ou esmagado pelo trânsito agressivo das avenidas. A mobilidade urbana moderna exige planejamento sério, fiscalização rigorosa de velocidade nos espaços compartilhados e cumprimento rigoroso das metas de expansão viária por parte do Poder Público.
A Prefeitura de São Paulo e a Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito têm a obrigação de acelerar as obras da malha cicloviária, recuperar pontos de apoio desativados e regulamentar com clareza a circulação de autopropelidos. Garantir segurança nas pistas e paz no trânsito é o mínimo que se espera para preservar a vida e o direito de ir e vir do cidadão de bem.
AGORA A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:
Você acredita que a prefeitura deveria acelerar a expansão das ciclovias e impor regras mais severas para veículos elétricos, ou o aumento dos autopropelidos é um caminho natural para fugir do trânsito da capital?
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