DEBATE TERMINA EM BATE-BOCA: NUNES CONFRONTA HADDAD APÓS CITAÇÃO A CONTRATO DE WI-FI SOB INVESTIGAÇÃO
Prefeito de São Paulo contestou associação de seu nome ao caso; Haddad afirma que contrato precisa ser investigado. Discussão ocorreu após debate entre Tarcísio e Haddad na Band
LEITURA RÁPIDA — 1 MINUTO
O primeiro debate das eleições de 2026 para o Governo de São Paulo terminou com uma discussão nos bastidores entre o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), e o candidato Fernando Haddad (PT), na noite deste domingo (9).
Durante o confronto televisionado com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), Haddad citou o contrato firmado pela Prefeitura de São Paulo com o Instituto Conhecer Brasil (ICB) para a implantação e manutenção de pontos de Wi-Fi gratuito na capital.
O contrato é alvo de investigações sobre possíveis irregularidades. A entidade contratada é presidida por Karina Ferreira da Gama, também ligada à produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Depois do debate, Nunes procurou Haddad e reagiu à tentativa de associá-lo pessoalmente às suspeitas. O prefeito afirmou não ter cometido qualquer irregularidade e classificou as declarações do petista como irresponsáveis.
Haddad, por sua vez, sustentou que o contrato está sendo investigado e afirmou que o caso precisa ser esclarecido.
Até o momento, as suspeitas investigadas não equivalem a uma condenação nem comprovam responsabilidade pessoal do prefeito Ricardo Nunes.
LEITURA INTEGRAL
Discussão começou durante debate entre Tarcísio e Haddad
O clima esquentou nos minutos finais do debate realizado pela Band neste domingo, 9 de agosto de 2026, entre o governador Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad, adversários na disputa pelo Governo de São Paulo.
Ao defender sua parceria com a Prefeitura da capital, Tarcísio elogiou a administração de Ricardo Nunes.
Haddad reagiu fazendo críticas à situação financeira do município e mencionando o contrato do programa de Wi-Fi gratuito da Prefeitura.
O petista também fez acusações sobre o possível destino de recursos relacionados ao contrato, mencionando tanto a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro quanto o PCC.
É importante distinguir, entretanto, o que foi dito por Haddad no calor do debate do que efetivamente está demonstrado pelas investigações.
As fontes consultadas confirmam investigações sobre possíveis irregularidades no contrato e suspeitas relacionadas ao uso dos recursos públicos. Não há, nas informações consultadas para esta reportagem, conclusão definitiva das autoridades responsabilizando Ricardo Nunes pessoalmente ou estabelecendo como fato consumado que recursos tenham sido desviados ao PCC.
Nunes procura Haddad depois do debate
Encerrada a transmissão, Ricardo Nunes foi até Haddad para contestar a declaração.
O prefeito afirmou que não considerava correto que o candidato relacionasse diretamente seu nome às suspeitas envolvendo o contrato.
Segundo Nunes, Haddad deveria agir com responsabilidade ao fazer acusações dessa natureza, especialmente porque, na avaliação do prefeito, não existe irregularidade praticada pessoalmente por ele.
O encontro entre os dois ficou tenso e pessoas que estavam próximas intervieram para evitar que a discussão aumentasse.
A cobrança de Nunes após o debate foi confirmada também por outros veículos que acompanharam a transmissão e os bastidores do evento.
Haddad mantém críticas
Após o episódio, Haddad afirmou a jornalistas que havia citado o contrato em resposta a uma discussão sobre corrupção iniciada durante o debate.
O candidato do PT ponderou que o caso ainda está sendo investigado e que as suspeitas podem vir a ser esclarecidas, mas manteve a avaliação de que existem elementos que justificam uma apuração aprofundada.
O que está sendo investigado no contrato de Wi-Fi
O centro da controvérsia é um acordo firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB).
O contrato original, assinado em 2024, tinha valor aproximado de R$ 108 milhões e previa a implantação de cerca de 5 mil pontos de Wi-Fi gratuito em áreas da capital paulista.
Segundo levantamento publicado pela Agência Pública, alterações posteriores elevaram o valor total do acordo para mais de R$ 157 milhões. A meta também passou por modificações, com aproximadamente 3,2 mil pontos em funcionamento.
O caso passou a ser investigado pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil.
Um inquérito civil foi instaurado e a Divisão de Investigações sobre Crimes contra a Administração, vinculada ao Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania, também passou a apurar o caso.
Ligação com o filme sobre Bolsonaro
Outro ponto que colocou o contrato no centro da disputa política é a atuação de Karina Ferreira da Gama.
Ela preside o Instituto Conhecer Brasil e também está ligada à Go Up Entertainment, produtora responsável pelo projeto cinematográfico “Dark Horse”, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro.
As autoridades investigam possíveis irregularidades relacionadas ao contrato público, enquanto reportagens também levantaram questionamentos sobre eventual utilização de recursos vinculados ao instituto.
A existência dessas investigações, porém, não significa que o desvio esteja comprovado.
O que diz a Prefeitura
A Prefeitura de São Paulo sustenta que colabora com as investigações e nega desvio de recursos.
A gestão municipal afirma que os pontos de Wi-Fi contratados e efetivamente instalados permanecem em funcionamento e que os pagamentos correspondem aos serviços prestados.
O Instituto Conhecer Brasil também negou irregularidades e declarou que atua dentro das regras aplicáveis às organizações do terceiro setor.
Caso entra de vez na campanha eleitoral
O episódio mostra que as investigações envolvendo a Prefeitura de São Paulo deverão aparecer com frequência na disputa eleitoral paulista.
Tarcísio busca defender a parceria entre Estado e município e utilizou a administração Nunes como exemplo positivo durante o debate.
Haddad, por outro lado, tenta transformar contratos e suspeitas envolvendo a administração municipal em tema de confronto político.
O caso do Wi-Fi, que até então estava concentrado principalmente nas esferas policial e administrativa, entrou oficialmente no centro do embate eleitoral pelo Governo de São Paulo após o debate de domingo.
A apuração das autoridades será determinante para estabelecer se houve irregularidade, quem eventualmente participou dela e qual foi o destino dos recursos investigados.
Até que essas respostas sejam dadas, acusações feitas durante a campanha devem ser tratadas como acusações — e não como fatos definitivamente comprovados.
Centro Histórico da Cidade de SP
Redação 25NEWS
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