Como a FIFA escolhe os países-sede da Copa do Mundo
Muito além dos estádios: entenda os critérios, bastidores e disputas políticas por trás da escolha do país que recebe a maior competição do futebol
Centro Histórico da Cidade de São Paulo, terça-feira, 19 de maio de 2026
Por Arianne Marcovicchio | Jornal25News – Independente

Receber uma Copa do Mundo vai muito além de organizar partidas de futebol. A escolha do país-sede envolve política, infraestrutura, economia, segurança, turismo e bilhões de dólares em investimentos. Ao longo da história do torneio, a FIFA transformou o processo de seleção em uma das disputas mais importantes, e também mais polêmicas, do esporte mundial.
Atualmente, a escolha da sede da Copa do Mundo é feita pela própria FIFA, entidade máxima do futebol mundial, através de votação entre suas federações filiadas. O processo começa anos antes do torneio acontecer. Países interessados apresentam candidaturas oficiais e passam por uma longa avaliação técnica. A FIFA analisa fatores como estádios, transporte, hotéis, segurança, centros de treinamento, capacidade financeira e impacto comercial do evento.
Além da infraestrutura esportiva, o país precisa mostrar que consegue receber milhões de turistas e jornalistas durante o torneio. Aeroportos, sistemas de transporte público e rede hoteleira entram entre os pontos mais importantes avaliados pela entidade. Também são analisados fatores climáticos, estabilidade política e até questões relacionadas aos direitos humanos.
Depois da entrega dos projetos, a FIFA envia equipes técnicas para visitar os países candidatos. Essas inspeções avaliam se as promessas apresentadas realmente podem ser cumpridas. Ao final, a entidade produz relatórios detalhados sobre cada candidatura. Só então acontece a votação oficial.
Durante muitos anos, apenas membros do Comitê Executivo da FIFA escolhiam a sede do Mundial. Porém, após escândalos de corrupção envolvendo escolhas anteriores, o sistema mudou. Desde 2026, todas as federações filiadas à FIFA passaram a participar da votação final, tornando o processo mais amplo e transparente.

A escolha da Copa de 2026 marcou um momento histórico. Pela primeira vez, três países foram escolhidos juntos para sediar o torneio: Estados Unidos, Canadá e México. A candidatura unificada venceu a disputa contra Marrocos e recebeu a maioria dos votos no congresso da FIFA. O Mundial de 2026 também será o primeiro da história com 48 seleções participantes.
Já a escolha da Copa de 2030 também entrou para a história. O torneio terá jogos em seis países diferentes: Espanha, Portugal, Marrocos, Uruguai, Argentina e Paraguai. A decisão foi tomada como forma de celebrar o centenário da primeira Copa do Mundo, realizada em 1930 no Uruguai.

Apesar do prestígio, sediar uma Copa do Mundo também gera debates. Muitos países investem bilhões na construção de estádios e infraestrutura, e parte dessas obras acaba sendo pouco utilizada após o torneio. Foi o que aconteceu em algumas arenas da Copa de 2014, no Brasil, que se tornaram símbolos de altos custos e baixa utilização depois do Mundial.
Mesmo com as críticas, a Copa do Mundo continua sendo um dos eventos mais desejados do planeta. Para muitos países, receber o torneio representa uma oportunidade de projeção internacional, crescimento do turismo e fortalecimento da economia. Já para a FIFA, a escolha da sede precisa equilibrar tradição, mercado e capacidade de organização.

















































