Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 18 de setembro de 2026
A crise institucional em torno dos transportes paulistanos alcançou o ápice nesta sexta-feira com desdobramentos dignos de filme policial: agentes da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) localizaram uma “passagem secreta” camuflada entre imóveis ligados ao ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil).
Durante as buscas no endereço, as forças policiais apreenderam malas estufadas com cerca de R$ 280 mil em moeda nacional e US$ 89 mil em notas norte-americanas. Poucas horas após o cerco aos seus redutos, o ex-parlamentar — alvo de mandado de prisão temporária — encerrou a fuga e se apresentou às autoridades policiais em Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana.
A ENGRENAGEM DO FATO: A apreensão de valores e a descoberta da rota de fuga camuflada ocorreram no bojo da Operação Vectura Corrupta, deflagrada para estancar a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) nas viações concessionárias do município de São Paulo. A ofensiva é fruto direto da evolução probatória iniciada ainda em apurações pretéritas que colocaram sob escrutínio empresas estratégicas como a Transwolff e a UPBus, responsáveis por transportar centenas de milhares de passageiros nos extremos das Zonas Sul e Leste.
Ao cumprirem mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça, os policiais vistoriavam residências contíguas: uma delas registrada em nome de um assessor parlamentar histórico de Leite e a outra de propriedade vinculada ao próprio cacique político. Informações de inteligência indicavam que o ex-vereador estaria utilizando a casa vizinha como esconderijo tático para escapar do flagrante após o vazamento da operação.
Durante a varredura minuciosa das paredes e compartimentos, os investigadores descobriram um vão de passagem camuflado que interligava os dois imóveis por dentro, permitindo a circulação discreta de pessoas e volumes sem a necessidade de sair à rua. Foi exatamente nesse perímetro que a polícia encontrou as malas abarrotadas com notas vivas de reais e dólares. No momento do flagrante, a pessoa que ocupava o imóvel não soube apontar a procedência contábil ou fiscal das cédulas. Com a soma do câmbio oficial, a dinheirama apreendida ultrapassa R$ 730 mil sem qualquer declaração de origem.
VOZES E ANÁLISE: Para promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e delegados do setor de investigações estratégicas, a localização de fortunas em dinheiro vivo guardadas em malas e interligadas por acessos clandestinos não deixa margem para teses de coincidência. “Dinheiro lícito e de atividade comercial legítima circula em contas bancárias com notas fiscais e recolhimento de tributos. Maços de cédulas escondidos em malas e paredes falsas são o
padrão clássico da economia marginal e da propina corporativa”, enfatizam operadores da segurança pública.
A defesa do ex-vereador Milton Leite sustenta veementemente a inocência do político e nega de forma categórica qualquer vínculo com facções criminosas ou fraudes em garagens de transporte. Em manifestações públicas anteriores à sua prisão, o ex-parlamentar classificou as acusações como “ilações descabidas e fantasiosas”, garantindo que sua trajetória de 28 anos no Parlamento paulistano sempre obedeceu à legalidade e que provará a regularidade de seus atos no devido processo legal. A defesa dos assessores presentes nos imóveis também alega que os fatos serão esclarecidos perante a autoridade judiciária.
Por outro lado, especialistas em governança e administração pública pontuam que o transporte paulistano tornou-se refém de um consórcio promíscuo entre coronelismo político e quadrilhas de colarinho-branco. Por quase três décadas, Milton Leite presidiu e dominou com mão de ferro a Câmara Municipal e as negociações orçamentárias da capital, tendo a Zona Sul e as linhas de ônibus como suas principais bases eleitorais e de influência de indicações na SPTrans.
DADOS OFICIAIS:
- Apreensão de Valores em Espécie: Aproximadamente R$ 280 mil em moeda nacional e US$ 89 mil em dólares americanos (total estimado em mais de R$ 730 mil em dinheiro vivo guardado em malas).
- Alvo Central: Milton Leite, ex-vereador por sete mandatos, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo por seis anos e figura central na articulação política municipal.
- Fato Relevante da Busca: Descoberta de passagem estrutural secreta interligando o imóvel de propriedade de Milton Leite à residência contígua de seu assessor parlamentar.
- Status Processual: Apresentação formal e cumprimento de mandado de prisão temporária expedido pela Justiça criminal, executado na tarde desta sexta-feira (18 de setembro de 2026).
- Alcance da Força-Tarefa: Ao menos 12 empresas de ônibus sob investigação por ligações com o PCC e lavagem de capitais na capital paulista e no interior do Estado, com mais de dez prisões já concretizadas.
- Base Jurídica: Lei Federal nº 9.613/1998 (Crimes de Lavagem de Dinheiro e Ocultação de Bens e Valores), Lei Federal nº 12.850/2013 (Lei de Organizações Criminosas), Artigo 317 (Corrupção Passiva) e Artigo 333 (Corrupção Ativa) do Código Penal Brasileiro.
O RIGOR DA LEI: O dinheiro público que irriga a concessão dos ônibus municipais em São Paulo sai do suor do trabalhador que rala de sol a sol e é sagrado. É intolerável que subsídios bilionários da Prefeitura tenham servido, ao longo de anos, para abastecer malas de dinheiro, financiar refúgios com passagens secretas e enriquecer padrinhos políticos mancomunados com o crime organizado.
A prisão de figuras antes consideradas intocáveis e a apreensão de maços de cédulas não podem terminar em pizza nos tribunais superiores. A sociedade civil exige que a apuração do MP-SP e da Polícia Civil avance com total independência, doa a quem doer, sem blindagem partidária ou compadrio de gabinete.
Quem traiu a confiança do povo para transformar a catraca de ônibus em balcão de lavagem para o narcotráfico precisa responder com todo o rigor do Código Penal, ter bens confiscados e amargar cadeia comum. A verdadeira autoridade do Estado de Direito só existe quando a lei pesa igualmente sobre o poderoso do palácio e o delinquente da calçada.
AGORA A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:
Você acredita que a Justiça e a Prefeitura conseguirão expurgar de vez os políticos e as facções criminosas das concessionárias de ônibus de São Paulo, ou o poder do dinheiro sujo nas garagens continuará mandando no transporte público da metrópole?
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