POLÍCIA CAÇA MILTON LEITE, EX-PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO PAULO
Ex-vereador tem prisão temporária decretada por 30 dias, não se apresentou no prazo anunciado e passou a ser procurado pela polícia; investigação apura suposta infiltração do PCC no transporte coletivo
Leitura Rápida — 1 Minuto
Centro histórico da cidade de SP, 18.09.26

A Polícia Civil de São Paulo procura Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal e uma das figuras mais influentes da política paulistana nas últimas décadas. Ele é alvo de um mandado de prisão temporária por 30 dias expedido no âmbito da Operação Vectura Corrupta, investigação sobre uma suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de transporte coletivo e no poder público.
Após a deflagração da operação, na quinta-feira, 17 de setembro, Milton Leite declarou que se apresentaria à polícia no prazo de 24 horas para defender sua inocência. O período terminou sem que ele comparecesse. Nesta sexta-feira, 18, equipes policiais realizaram buscas inclusive em Sorocaba, no interior paulista.
Segundo a investigação, Milton Leite seria o “dono de fato” da Transwolff, empresa de ônibus suspeita de ter sido utilizada em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. O ex-vereador e a empresa negam qualquer vínculo com a facção criminosa.
O mandado de prisão temporária não representa condenação. As acusações ainda serão examinadas pela Justiça, com direito ao contraditório e à ampla defesa.
Leitura Integral
Prometeu apresentar-se, mas não apareceu
A situação de Milton Leite tornou-se mais grave depois que venceu o prazo de 24 horas no qual ele próprio havia anunciado que se apresentaria às autoridades. Até a atualização desta matéria, o ex-vereador não tinha comparecido à polícia e não havia sido localizado.
A Polícia Civil ampliou as diligências e foi a Sorocaba em busca do ex-presidente da Câmara Municipal. Como existe uma ordem judicial de prisão temporária válida e ainda não cumprida, Milton Leite é considerado procurado pelas autoridades.
O que é a Operação Vectura Corrupta
Deflagrada conjuntamente pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo, a Operação Vectura Corrupta investiga a suposta presença do PCC no controle de empresas de ônibus, em licitações públicas, na corrupção de agentes públicos e no financiamento de campanhas políticas.
A ação determinou 16 prisões temporárias e buscas em 18 endereços. Entre os presos está Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans. Segundo as informações divulgadas pela imprensa, pelo menos seis dos alvos são apontados pelo Ministério Público como integrantes da facção criminosa.
A investigação é um desdobramento de apurações anteriores sobre o setor de transportes. Os investigadores sustentam que integrantes do crime organizado teriam utilizado empresas, intermediários e agentes públicos para ampliar sua influência econômica e política.
Por que Milton Leite entrou na investigação
O nome de Milton Leite teria surgido em mensagens extraídas de celulares de investigados e em depoimentos produzidos durante as apurações. De acordo com os investigadores, as conversas indicariam participação em decisões relacionadas a empresas que atuam no transporte coletivo.
Milton Leite também é apontado na investigação como suposto “dono de fato” da Transwolff. A empresa foi alvo de operação anterior e é suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC.
Essa afirmação constitui uma tese da investigação e ainda não uma conclusão definitiva da Justiça. Tanto Milton Leite quanto a Transwolff negam a existência de vínculo com a organização criminosa.
Prisão temporária por 30 dias
A prisão decretada contra Milton Leite é temporária e tem prazo de 30 dias. Essa modalidade de prisão cautelar é utilizada durante a investigação e não equivale a uma condenação criminal.
O ex-vereador terá direito de conhecer os fundamentos da ordem, apresentar sua defesa, questionar a legalidade da prisão e contestar as acusações e provas reunidas pelos investigadores.
Uma trajetória de grande poder político
Milton Leite exerceu mandato de vereador por 28 anos e presidiu a Câmara Municipal de São Paulo em diferentes períodos. Sua influência política estendeu-se especialmente à zona sul da capital e às discussões relacionadas ao sistema de transporte coletivo.
Depois de deixar o Legislativo, continuou atuando nos bastidores da política e participando das articulações eleitorais de seus filhos. A investigação agora coloca sob escrutínio uma das estruturas políticas mais tradicionais da cidade.
O que dizem Milton Leite e a Transwolff
Milton Leite nega envolvimento com o PCC e afirma não possuir relação societária oculta com a Transwolff. Ao anunciar que se apresentaria, declarou que pretendia provar sua inocência.
A Transwolff também rejeita as acusações e sustenta que as afirmações sobre Milton Leite ser seu verdadeiro proprietário são infundadas.
O Jornal25News ressalta que todos os investigados devem ser considerados inocentes até eventual condenação definitiva. Ao mesmo tempo, a existência de uma ordem judicial de prisão exige cumprimento e esclarecimento imediato perante as autoridades.
A pergunta que São Paulo exige que seja respondida
Como uma organização criminosa teria conseguido avançar sobre empresas responsáveis por um serviço público essencial e, segundo a investigação, alcançar servidores, contratos públicos e campanhas eleitorais?
A Operação Vectura Corrupta precisa esclarecer toda a cadeia de responsabilidades, sem proteção política, sem perseguição e sem seletividade. A população de São Paulo tem o direito de saber quem controla as empresas de ônibus, como são utilizados os recursos das tarifas e subsídios públicos e se o crime organizado conseguiu penetrar nas estruturas do poder municipal.
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