LEITURA RÁPIDA — 1 MINUTO
TEREZA CRISTINA SINALIZA ACEITAR VICE DE FLÁVIO, MAS PP BARRA ALIANÇA E DEFENDE NEUTRALIDADE
Senadora admite discutir composição presidencial, porém afirma que nada está decidido; maioria dos dirigentes do Progressistas rejeita coligação com o PL
Jornal25News | Eleições 2026
São Paulo, sexta-feira, 31 de julho de 2026
Centro Histórico da Cidade de SP
Por Mário Marcovicchio
Editor- MTB/SP 71.710/SP
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) sinalizou a aliados que estaria disposta a integrar, como candidata a vice-presidente, a chapa de Flávio Bolsonaro, escolhido pelo Partido Liberal para disputar a Presidência da República.
A possibilidade ganhou força após um encontro entre os dois parlamentares na quarta-feira, 29 de julho. Tereza Cristina, entretanto, divulgou nota afirmando que “nada foi decidido” e ressaltou que qualquer composição depende de avaliações políticas, pessoais e partidárias.
O principal obstáculo surgiu dentro do próprio Progressistas. Consultados pelo presidente nacional da legenda, senador Ciro Nogueira, dirigentes do PP defenderam majoritariamente a neutralidade na eleição presidencial, com liberdade para que os diretórios estaduais apoiem Lula, Flávio Bolsonaro ou outros candidatos.
Dessa forma, a eventual entrada de Tereza Cristina na chapa não depende apenas de sua vontade pessoal. Será necessário um acordo envolvendo o PP, o União Brasil — que forma uma federação com a legenda — e o PL.
O prazo político é curto. Segundo o calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral, partidos e federações têm até 5 de agosto para realizar convenções, escolher candidatos e deliberar sobre coligações.
A composição continua em negociação, mas, até a manhã desta sexta-feira, Tereza Cristina não estava oficialmente confirmada como vice de Flávio Bolsonaro.
LEITURA INTEGRAL
TEREZA CRISTINA SINALIZA ACEITAR VICE DE FLÁVIO, MAS PP BARRA ALIANÇA E DEFENDE NEUTRALIDADE
Pressão do agronegócio, articulação de Tarcísio de Freitas e resistência de dirigentes estaduais colocam o Progressistas no centro da disputa presidencial
A corrida para definir o candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro ganhou um novo capítulo nos últimos dias. Depois de rejeitar inicialmente a possibilidade, a senadora Tereza Cristina passou a admitir a discussão sobre uma composição com o candidato presidencial do PL.
Segundo relatos de aliados divulgados pela imprensa, Tereza indicou durante uma conversa com Flávio que poderia aceitar integrar a chapa. A mudança ocorreu após pressões de integrantes da família Bolsonaro, representantes do agronegócio e lideranças políticas interessadas na formação de uma frente ampla da direita.
Um dos principais defensores da composição seria o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. A avaliação desse grupo é que a presença de Tereza Cristina poderia aproximar o PL dos partidos de centro-direita, fortalecer o diálogo com o setor produtivo e reduzir o isolamento partidário enfrentado por Flávio Bolsonaro.
Senadora confirma conversa, mas nega decisão
Apesar das informações transmitidas por aliados, a própria Tereza Cristina adotou um tom mais cauteloso ao se pronunciar oficialmente.
Em nota, a senadora confirmou que conversou com Flávio Bolsonaro e informou que o tema da Vice-Presidência foi tratado pela primeira vez no encontro. No entanto, destacou:
“Falou-se pela primeira vez sobre a Vice-Presidência, mas nada foi decidido.”
Tereza acrescentou que uma eventual composição dependerá de avaliações pessoais, políticas, consultas internas e entendimentos entre os partidos.
A declaração é importante porque impede que a conversa seja interpretada como confirmação definitiva da chapa. O que existe, até o momento, é uma sinalização de disponibilidade para negociar.
Mudança de posição
A senadora havia recusado anteriormente o convite para disputar a Vice-Presidência. Seu projeto político declarado era concorrer à presidência do Senado Federal em 2027.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, chegou a afirmar que Tereza seria a “vice dos sonhos” de Flávio Bolsonaro, mas reconheceu que ela estava concentrada na disputa pelo comando do Senado. Nos últimos dias, porém, lideranças políticas retomaram as conversas para convencê-la a mudar de plano.
O interesse do PL aumentou porque Flávio Bolsonaro chegou à convenção partidária sem um nome definido para a Vice-Presidência e sem o apoio formal dos principais partidos de centro-direita. A candidatura presidencial foi confirmada pelo PL em 25 de julho, mas a busca por uma aliança nacional continuou.
Maioria do PP rejeita coligação
O avanço das negociações encontrou forte resistência dentro do Progressistas.
Ciro Nogueira consultou integrantes da direção nacional e lideranças estaduais para saber se o PP deveria abandonar a neutralidade e formar uma coligação com o PL. A maioria dos consultados rejeitou a proposta.
Entre os dirigentes que defenderam a neutralidade estão Eduardo da Fonte, Arthur Lira, Aguinaldo Ribeiro e Doutor Luizinho.
Em alguns estados, o PP está próximo de grupos aliados ao governo Lula. Em outros, mantém relações com o bolsonarismo ou com candidaturas regionais independentes. Uma aliança nacional obrigatória com Flávio poderia provocar conflitos e prejudicar candidatos a governador, senador e deputado.
Por esse motivo, a neutralidade é considerada pela maioria da direção partidária uma forma de preservar a autonomia dos palanques estaduais.
Ciro Nogueira administra divisão interna
A expressão “Ciro Nogueira resiste”, presente no material inicial, não retrata completamente a situação atual. O presidente do PP conduz as negociações, mas a resistência mais significativa vem do conjunto das lideranças partidárias consultadas.
Reportagens anteriores chegaram a afirmar que Ciro comunicaria a Flávio a decisão pela neutralidade. O senador contestou publicamente algumas dessas informações, mantendo aberta a possibilidade de novas conversas.
Após a sinalização de Tereza Cristina, o tema voltou à mesa. Mesmo assim, a posição majoritária registrada na consulta interna continua contrária à coligação.
Há, portanto, três posições diferentes:
Tereza Cristina admite negociar a Vice-Presidência, mas não confirmou que aceitará definitivamente.
Ciro Nogueira procura administrar os interesses nacionais e estaduais do Progressistas.
A maioria dos dirigentes consultados prefere que o partido permaneça neutro na eleição presidencial.
União Brasil também precisa participar
A decisão não cabe exclusivamente ao PP. O partido forma uma federação com o União Brasil, o que exige coordenação entre as duas legendas nas decisões eleitorais nacionais.
Uma eventual entrada de Tereza Cristina na chapa de Flávio dependeria, portanto, de um entendimento mais amplo entre:
- Partido Liberal;
- Progressistas;
- União Brasil;
- Tereza Cristina;
- coordenação da campanha de Flávio Bolsonaro.
A direção do União Brasil também precisa avaliar os impactos da composição nos estados e na eleição para o Congresso Nacional.
Agronegócio pressiona por Tereza
Tereza Cristina é considerada uma das principais representantes políticas do agronegócio. Foi ministra da Agricultura durante o governo Jair Bolsonaro e mantém interlocução com produtores rurais, entidades empresariais e integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária.
Setores do agro passaram a defender seu nome como uma alternativa capaz de fortalecer a chapa de Flávio Bolsonaro entre empresários, investidores e eleitores conservadores. Poucos dias antes da nova negociação, grupos de produtores também discutiam a possibilidade de Tereza disputar a própria Presidência da República.
Para o PL, a escolha teria ainda outro efeito: apresentar uma mulher com experiência administrativa, trânsito no Congresso e perfil considerado mais moderado do que parte do núcleo bolsonarista.
Aliança é importante para Flávio
Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldades para construir uma coligação nacional semelhante à que sustentou a candidatura de Jair Bolsonaro em eleições anteriores.
Uma aliança com a federação formada por PP e União Brasil ampliaria a estrutura política da campanha, o número de candidatos estaduais vinculados à chapa e a participação no horário eleitoral gratuito.
A falta de apoio dos partidos de centro-direita foi apontada como um dos principais desafios da candidatura de Flávio na convenção realizada pelo PL. Na ocasião, ele ainda não havia conseguido apresentar um nome para a Vice-Presidência.
Prazo termina em 5 de agosto
As negociações precisam avançar rapidamente. O calendário oficial das Eleições Gerais de 2026 estabelece o período de 20 de julho a 5 de agosto para a realização das convenções partidárias.
É nessas reuniões que partidos e federações deliberam formalmente sobre candidatos e coligações para presidente, governador, senador e deputados. O registro das candidaturas deverá ser realizado posteriormente perante a Justiça Eleitoral.
A Folha informou ainda que as normas internas do PP exigem antecedência para a convocação de sua convenção, o que pode criar dificuldades adicionais para uma mudança de posição nos últimos dias do prazo.
Cenário permanece indefinido
Até a manhã de 31 de julho, a situação pode ser resumida da seguinte forma:
Tereza Cristina abriu a porta para discutir a candidatura a vice, mas não anunciou uma decisão definitiva.
Flávio Bolsonaro considera o nome da senadora estratégico para ampliar sua campanha.
O PP realizou consulta interna e a maioria de seus dirigentes rejeitou uma aliança nacional com o PL.
Ciro Nogueira continua negociando, mas precisará superar a resistência dentro do partido e chegar a um entendimento com o União Brasil.
Portanto, ainda não é correto apresentar Tereza Cristina como vice confirmada. A formulação mais segura é que ela sinalizou aceitar a negociação, enquanto o Progressistas mantém, até agora, uma posição majoritariamente favorável à neutralidade.
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