Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 30 de julho de 2026.
Você que confia a educação dos seus filhos às escolas públicas do Estado de São Paulo, tem o direito de saber a verdade sobre o que acontece dentro das salas de aula. A promessa de uma gestão moderna e eficiente baseada em tecnologia e metas de frequência, esconde um cenário sombrio de pressão psicológica, maquiagem de dados e perda da qualidade do ensino na maior rede escolar do país.
Professores e gestores de escolas estaduais da capital e da Grande São Paulo, denunciaram um esquema velado de pressão, exercido por supervisores de ensino para que os docentes deixem de registrar as faltas reais dos alunos ausentes, inflando artificialmente os índices de presença no Diário de Classe Digital.
A ENGRENAGEM DO FATO: A engrenagem dessa manipulação de dados opera por meio da plataforma “Escola Total” (Business Intelligence – BI), que monitora a frequência dos estudantes em tempo real através do painel “Aluno Presente”. A ferramenta classifica o desempenho diário das escolas em três cores: verde, amarelo e vermelho.
Se uma unidade escolar permanece no nível vermelho devido à ausência recorrente de alunos, o diretor ou responsável é convocado de urgência pela Unidade Regional de Ensino (URE) para dar explicações. Caso a situação persista, o gestor corre o risco iminente de ser destituído do cargo.
Para evitar punições e o fechamento de turmas, a orientação repassada verbalmente aos professores — sem registros formais ou por escrito — é limitar o lançamento de ausências. Em salas onde dez alunos faltam, docentes relatam ser coagidos a lançar falta para no máximo três estudantes. Além disso, faltas de alunos que abandonaram as aulas são “mescladas” ou “ajustadas” no sistema, para evitar que o jovem atinja o limite de 15 faltas consecutivas que geraria o cancelamento da matrícula e derrubaria os indicadores da escola.
VOZES E ANÁLISE: Educadores apontam que a obrigatoriedade de bater metas de frequência e o uso excessivo de até oito plataformas digitais — integradas ao ambiente “Sala do Futuro”, como TarefaSP, Matific e Leia SP — transformaram o professor em um mero monitor de aplicativo.

“A busca por índices não é genuína para recuperar o aluno, mas sim para bater metas que geram bônus salariais para a gestão e manter o painel verde. A autonomia pedagógica acabou. O conteúdo ficou engessado com aulas prontas enviadas pelo Estado que contêm erros conceituais. O professor virou babá de plataforma e quem não cumpre a meta é culpabilizado ou punido”, desabafam docentes da Zona Leste e de municípios da Região Metropolitana.
A maquiagem dos dados, explica o salto estatístico comemorado pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP): em 2025, a presença registrada oficialmente atingiu 91,1% — a maior marca da série histórica nas cerca de 5 mil escolas da rede —, ante 82,5% contabilizados em 2023.
DADOS OFICIAIS:
- Índice Oficial de Presença: 91,1% em 2025 na rede estadual (salto de 8,6 pontos percentuais em relação aos 82,5% de 2023).
- Exigência Legal (LDB): A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei Federal nº 9.394/1996) exige frequência mínima de 75% da carga horária para aprovação.
- Sistemas e Plataformas: Painel “Aluno Presente” (Escola Total/BI) e ecossistema digital “Sala do Futuro” (TarefaSP, Leia SP, Matific).
- Posicionamento da Seduc-SP: A Secretaria de Educação afirma que não há qualquer orientação institucional para alterar registros ou omitir faltas e reforça que a frequência é regulamentada pela Resolução SEDUC nº 32/2025.
- Sanções aos Profissionais: Resoluções estaduais preveem encerramento de contratos de professores temporários que ultrapassem 5% de faltas injustificadas e perda de gratificação para efetivos.
O RIGOR DA LEI: A educação pública de São Paulo não pode ser tratada como um jogo de estatísticas maquiadas, para vender uma falsa imagem de eficiência à sociedade.
O aluno que não frequenta as aulas e tem sua presença lançada indevidamente, é privado do direito real ao aprendizado e fica vulnerável à evasão escolar silenciosa. O bônus salarial e o cumprimento de metas de aplicativos, não podem estar acima da verdade pedagógica.
O povo paulistano exige o fim da coerção sobre os professores, a recuperação da autonomia em sala de aula e transparência absoluta nos indicadores educacionais do Estado.
AGORA A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:
Você acredita que o Governo de SP, deveria acabar com as metas de presença atreladas a bônus salariais para evitar a maquiagem de dados e focar na qualidade real do ensino em sala de aula?
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