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DOGMA DO REGISTRO: PRINCÍPIO ROMANO IMPEDE FILHA DE RETIRAR NOME MATERNO DE CERTIDÃO EM SP

Justiça paulista autorizou exclusão de sobrenomes da genitora para amenizar trauma de abusos na infância, mas manteve filiação biológica sob o brocardo 'mater semper certa est'.

Maria Alice por Maria Alice
28 de julho de 2026
em Direito, Justiça
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DOGMA DO REGISTRO: PRINCÍPIO ROMANO IMPEDE FILHA DE RETIRAR NOME MATERNO DE CERTIDÃO EM SP
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Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 27 de julho de 2026

Você que busca no Poder Judiciário a reparação para as feridas mais profundas da vida, espera que a lei acompanhe a dor e a dignidade do cidadão. No entanto, o embate entre os traumas do passado e os dogmas centenários do direito, voltou a provocar um debate efervescente nos tribunais paulistas.

Uma decisão da Justiça de São Paulo autorizou uma jovem de 28 anos a excluir os sobrenomes da própria mãe de seus documentos oficiais, mas negou a retirada definitiva do nome materno do campo de filiação da certidão de nascimento, invocando um princípio que remonta ao Direito Romano.

A ENGRENAGEM DO FATO: A batalha judicial envolve a biomédica e estudante de economia Heloísa Rodrigues, moradora do estado de São Paulo, que ingressou com uma ação de alteração de registro civil para apagar qualquer vínculo formal com a genitora. Segundo relatos documentados no processo e confirmados por laudos periciais, a jovem sofreu graves abusos físicos, psicológicos, negligência e até facilitação de exploração sexual durante a infância, fatos que chegaram a ser denunciados ao Conselho Tutelar na época.

Na sentença proferida pela 1ª Vara da Família e Sucessões de São Vicente, o juiz da causa reconheceu expressamente a veracidade e a gravidade das acusações e laudos apresentados. Diante do sofrimento psíquico comprovado, o magistrado deferiu a retificação do nome civil para retirar os sobrenomes maternos (“Alves Duque”), entendendo que a manutenção da alcunha funcionava como um “marcador permanente de trauma”.

Contudo, o julgador negou o pedido principal de apagar a mãe e os avós maternos da filiação, fundamentando-se no princípio do rigor registral e no brocardo romano mater semper certa est (“a mãe é sempre certa”), segundo o qual o parto estabelece um fato biológico incontestável que o registro público não pode omitir.

VOZES E ANÁLISE: A decisão parcial levou a defesa da jovem a interpor recurso de apelação perante o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP). Advogados especialistas em Direito de Família e representantes do Instituto Brasileiro de Direito das Famílias (IBDFAM), sustentam que a jurisprudência brasileira já evoluiu para admitir a exclusão da paternidade e do nome do pai em situações de abandono afetivo e abuso, devendo haver isonomia constitucional entre homens e mulheres, quando se trata de violência extrema.

A defesa de Heloísa argumenta que manter o nome da agressora na certidão, afronta a dignidade da pessoa humana e perpetua uma revitimização simbólica a cada emissão de documento.

Por outro lado, juristas ligados à área registral, ponderam que os livros do registro civil têm a função primordial da veracidade histórica e biológica da origem do indivíduo, ressaltando que o rompimento dos deveres familiares atinge o poder familiar e direitos sucessórios, mas não altera a realidade genética do nascimento fora das hipóteses legais estritas, como a adoção.

DADOS OFICIAIS:

  • Autora da Ação: Heloísa Rodrigues, 28 anos, biomédica e estudante de economia.
  • Decisão de 1ª Instância: 1ª Vara da Família e Sucessões de São Vicente (SP), acolhendo parcialmente o pedido.
  • Medida Deferida: Exclusão integral dos sobrenomes maternos do nome civil da autora.
  • Medida Negada: Retirada do nome da mãe e dos avós maternos do campo “filiação” e “avós” do Registro Civil.
  • Fundamento Jurídico da Negativa: Princípio da veracidade registral c/c brocardo romano mater semper certa est (maternidade como fato biológico do parto).
  • Fase Atual: Recurso de Apelação em trâmite na Seção de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

O RIGOR DA LEI: O registro civil de um cidadão deve ser o reflexo da verdade e da justiça, e não uma algema cartorária que perpétua a dor e o trauma de quem foi vítima de violência.

O trabalhador de bem e o cidadão que superam histórias de abuso na infância, merecem o amparo do Estado para reconstruir sua identidade com paz e dignidade. A aplicação cega de dogmas romanos do passado, não pode se sobrepor à saúde mental e ao princípio constitucional da dignidade da pessoa humana.

O Tribunal de Justiça de São Paulo tem em mãos a oportunidade e o dever de julgar o recurso com sensibilidade social e visão moderna. Se o próprio Direito de Família já reconhece a paternidade socioafetiva e pune o pai que abandona, a legislação deve tratar com a mesma régua rigorosa qualquer genitor que violou os deveres sagrados da maternidade.

AGORA A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:

Você acredita que a Justiça de São Paulo deveria permitir a exclusão definitiva do nome da mãe da certidão de nascimento em casos comprovados de abusos graves, ou a verdade biológica do nascimento deve ser preservada em todos os registros públicos?

 

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