Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 12 de julho de 2026.
Ver a garotada presa no celular e no videogame, dói no coração de qualquer pai ou mãe, mas a conta para garantir um dia de correria saudável e risadas está cada vez mais salgada. Neste fim de semana, estreou no estacionamento do Shopping Eldorado um dos maiores parques infláveis do Brasil, com a marca da Turma da Mônica.
A estrutura impressiona pelo tamanho, mas os preços cobrados para pular nos brinquedos de borracha, estão deixando muitos trabalhadores paulistanos de cabelo em pé.
A ENGRENAGEM DO FATO: A engrenagem dessa gigantesca estrutura itinerante de 1.200 m², foi montada para funcionar em ritmo industrial de alta rotatividade. O circuito gigante de infláveis conta com labirintos desafiadores, paredes de escalada, escorregador central e uma imensa piscina de bolinhas. A proposta declarada pelos organizadores da agência InHaus e da Maurício de Sousa Produções, é resgatar a infância física, longe das telas digitais.
Porém, a barreira para entrar nesse “mundo sem telas” é puramente financeira. Para brincar por apenas 30 minutos em dias de semana, o pai precisa desembolsar R$ 80 pela inteira (ou R$ 40 pela meia-entrada). Nos finais de semana, esse valor sobe para R$ 95 por meia hora. Para quem quiser o passaporte “brinque à vontade” no sabadão ou domingo, a conta chega a salgados R$ 120 por pessoa. E o detalhe que encarece ainda mais o passeio: crianças de até 1,10 metro de altura são obrigadas a entrar acompanhadas por um responsável pagante, o que dobra o custo da brincadeira para a família.
VOZES E ANÁLISE: Muitos pais que foram conferir a estreia da atração neste final de semana, relataram o choque com o custo total do passeio. Além dos ingressos, as famílias se deparam com despesas obrigatórias que não vêm no pacote comercial. Para pisar nos brinquedos, é exigido o uso de meias antiderrapantes. Quem não leva o acessório de casa precisa comprar o par no local, somando mais gastos extras à conta final do shopping, que já inclui estacionamento caro e alimentação.

De acordo com analistas de direitos do consumidor e movimentos de defesa da infância na capital, embora a iniciativa privada tenha o direito de lucrar com o entretenimento, o preço praticado em eventos sazonais de férias, acaba excluindo a grande maioria das famílias da periferia paulistana. Enquanto o centro e os bairros nobres, concentram atrações de grande porte com bilheterias restritivas, as praças e parques públicos das periferias de São Paulo sofrem com a falta de manutenção e opções de lazer gratuito para o desenvolvimento infantil.
DADOS OFICIAIS:
- Ingressos/Valores: De R$ 40 (meia de 30 min em dias de semana) até R$ 120 (passaporte livre nos finais de semana).
- Regras de Acesso: Uso obrigatório de meias antiderrapantes. Crianças com menos de 1,10 metro de altura exigem a entrada de um adulto pagante.
- Localização: Estacionamento do Shopping Eldorado – Avenida Rebouças, 3970, Pinheiros.
- Impacto Social: O custo de meia hora de diversão para um casal com um filho pequeno no parque, equivale a quase 10% de um salário mínimo nacional, evidenciando o abismo no acesso ao lazer na capital.
O RIGOR DA LEI: O cidadão de bem quer ver seus filhos felizes, brincando com segurança e saúde. O lazer é um direito social garantido pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). No entanto, o que vemos em São Paulo, é a transformação do direito de brincar em um privilégio exclusivo para quem tem carteira assinada com altos salários ou limite de sobra no cartão de crédito.
O mercado imobiliário e comercial paulistano, precisa entender que a diversão das nossas crianças não pode ser tratada apenas como um caça-níquel de férias. Se as grandes marcas querem o carinho do público paulistano, precisam também oferecer contrapartidas sociais, facilitando o acesso ou promovendo dias de gratuidade para escolas públicas da periferia. Lugar de criança é brincando, mas sem que isso signifique a falência financeira dos seus pais.
AGORA A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:
Você acha aceitável pagar até R$ 120 para seu filho brincar em um parque inflável temporário, ou os preços praticados por essas grandes atrações no centro e na zona oeste, são um abuso que exclui a maior parte das crianças de São Paulo?
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