Rede clandestina explora migrantes cubanos em rota pelo Amapá, aponta investigação
Polícia Federal identificou brasileiros suspeitos de atuar no transporte irregular de estrangeiros, com cobranças abusivas, ameaças e abandono em estradas
Centro Histórico da Cidade de SP, 10.07.26
Redação
LEITURA RÁPIDA — 1 MINUTO
Uma rede clandestina de transporte vem explorando migrantes cubanos que entram no Brasil pela fronteira do Amapá, segundo investigações da Polícia Federal.
Ao menos 20 brasileiros foram identificados como suspeitos de participar do deslocamento irregular de estrangeiros entre Oiapoque e Macapá. Os motoristas envolvidos nesse tipo de transporte são conhecidos na região como “pirateiros”.
As autoridades apuram cobranças abusivas por transporte, alimentação, hospedagem e troca de moeda. Também existem relatos de ameaças, extorsões, superlotação de veículos e abandono de passageiros durante o percurso.
A investigação busca identificar os responsáveis pela coordenação e pelo financiamento do esquema, que pode envolver integrantes em diferentes países da rota migratória.
LEITURA INTEGRAL
Migrantes cubanos que chegam ao Brasil pela região de Oiapoque, no Amapá, estão sendo alvo de redes clandestinas de transporte e exploração financeira.
Segundo a Polícia Federal, pelo menos 20 brasileiros foram identificados como suspeitos de participar de um dos grupos responsáveis pelo deslocamento irregular dos estrangeiros até Macapá.
Os transportadores são conhecidos regionalmente como “pirateiros” e utilizam caminhonetes, vans, embarcações e outros veículos para realizar as viagens.
Parte do percurso ocorre pela BR-156, rodovia que liga Oiapoque à capital do Amapá e que possui trechos com condições precárias de circulação.
Cobranças abusivas
As investigações indicam que os grupos se aproveitam da vulnerabilidade dos migrantes para cobrar valores elevados pelo transporte e por serviços básicos.
Também são investigadas cobranças abusivas por alimentação, hospedagem e operações de câmbio.
Em alguns casos, passageiros teriam sido ameaçados ou abandonados às margens de estradas após dificuldades no pagamento dos valores exigidos.
As autoridades apuram ainda situações em que os migrantes teriam sido pressionados a entregar novas quantias durante o trajeto.
Rota internacional
Muitos cubanos chegam ao Brasil depois de passar por países como Suriname e Guiana Francesa.
A travessia para o território brasileiro costuma ocorrer pelo rio Oiapoque, com o uso de pequenas embarcações.
Após a entrada no país, parte dos migrantes procura a Polícia Federal para formalizar pedidos de refúgio.
Mesmo quando conseguem regularizar provisoriamente sua permanência, eles continuam vulneráveis às redes clandestinas responsáveis pelo transporte até outras cidades brasileiras.
A investigação apura a possível existência de uma estrutura internacional, com integrantes atuando em diferentes pontos da rota.
Operação contra o esquema
A Polícia Federal deflagrou a Operação Piratas do Caribe para combater uma organização suspeita de promover o transporte irregular e a exploração de migrantes no Amapá.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Macapá, Oiapoque, Santana e Tartarugalzinho.
A Justiça também determinou medidas cautelares contra investigados, incluindo monitoramento eletrônico, restrições de deslocamento e proibição de transportar estrangeiros.
Segundo o Ministério Público Federal, os migrantes eram obrigados a pagar valores elevados pelo transporte terrestre e fluvial.
Os investigados poderão responder, conforme a participação individual apurada, por crimes como promoção de migração ilegal, extorsão, lavagem de dinheiro, operação irregular de câmbio e organização criminosa.
Viagens precárias e abandono
As viagens clandestinas ocorrem frequentemente em veículos superlotados e sem condições adequadas de segurança.
Parte dos deslocamentos é realizada por rotas alternativas, utilizadas para evitar a fiscalização das autoridades.
Há registros de migrantes transportados por longas distâncias sem alimentação suficiente e de passageiros abandonados durante o percurso.
Em outra operação, realizada em Roraima, a Polícia Rodoviária Federal resgatou mais de 100 migrantes cubanos que eram transportados em condições precárias.
Entre os passageiros estavam adultos, idosos e crianças. Algumas das pessoas resgatadas estavam havia dias sem receber alimentação adequada.
Lideranças ainda são investigadas
Apesar da identificação de motoristas e operadores que atuam em território brasileiro, as autoridades ainda investigam quem são os principais líderes e financiadores do esquema.
A apuração busca esclarecer como o dinheiro circula, quem organiza as viagens e quais pessoas atuam nos demais países da rota migratória.
Os órgãos responsáveis destacam que os migrantes devem ser tratados como possíveis vítimas de exploração e de organizações criminosas transnacionais.
O caso permanece sob investigação.
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