Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 10 de julho de 2026
Ela foi lançada para a morte de uma altura de 40 metros na Ponte do Esqueleto, em Limeira, em um salto de rope jump, onde os organizadores simplesmente esqueceram de conectar a corda de segurança no corpo da jovem. Agora, a Justiça dá um passo na apuração técnica das culpas: dois dos investigados foram colocados em liberdade por falta de provas de participação no homicídio, enquanto a liderança do grupo clandestino permanece atrás das grades.
A ENGRENAGEM DO FATO: A engrenagem que levou à soltura de João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva e Gabriel Barros Martins, foi movida pela conclusão técnica da própria Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo (MPSP). Os investigadores concluíram que os dois, embora estivessem no local e integrassem as discussões, não tiveram participação direta — intencional ou culposa — na ação que arremessou a vítima. A decisão de soltura foi assinada pela juíza Marcella Caliani, da 2ª Vara Criminal de Limeira.
No entanto, o maquinário da irresponsabilidade que ceifou a vida de Maria Eduarda, continua sob julgamento severo. A empresa clandestina “Entre Cordas” operava de forma totalmente ilegal, sem cadastro no Ministério do Turismo, sem seguro contra acidentes e sem sequer fazer o controle básico de quem saltava. O grupo cobrava para lançar cerca de 100 pessoas por dia em um formato conhecido como “aviãozinho” — onde os instrutores erguem fisicamente o participante e o projetam para fora da ponte — visando apenas o lucro fácil e a autopromoção em redes sociais. Na vez de Maria Eduarda, a corda que deveria salvá-la ficou enrolada e esquecida no chão da plataforma.
VOZES E ANÁLISE: Testemunhas que estavam na fila descrevem um cenário de absoluto horror e desorganização. O desespero tomou conta do público no exato momento do lançamento, quando pessoas na plataforma perceberam o erro e começaram a gritar: “a corda, cadê a corda?!”.

“Foi um livramento para mim. O salto dela estava logo na minha frente, eu só não pulei antes porque me atrasei para sair de casa”, relata Higor Ferreira, testemunha que presenciou a queda livre da jovem. Para piorar a indignação, a denúncia do Ministério Público, revela que integrantes do grupo tentaram sumir com provas logo após a queda: a câmera GoPro que estava acoplada ao corpo de Maria Eduarda para filmar o salto, foi misteriosamente arrancada e roubada do local do acidente para ocultar as imagens do erro fatal. Além disso, foi descoberto que dias antes, uma criança de apenas 9 anos já havia sofrido ferimentos leves ao saltar de forma negligente com o mesmo grupo.
DADOS OFICIAIS:
- Vítima Fatal: Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21 anos, morta por politraumatismo após queda livre de 40 metros.
- A Soltura do Dia: João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva e Gabriel Barros Martins liberados da cadeia após o MPSP e a polícia confirmarem a ausência de indícios de autoria.
- Os Réus Presos: Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves (denunciados por homicídio com dolo eventual qualificado), e Evelyne dos Santos Gonçalves (organizadora, denunciada por omissão imprópria e fraude processual).
- O Esquema Clandestino: Evento de turismo de aventura realizado na Ponte do Esqueleto, sem nenhuma autorização de órgãos públicos municipais ou federais.
O RIGOR DA LEI: O paulistano honesto exige tolerância zero, com a ganância que vende adrenalina sem o menor compromisso com a vida humana. É inadmissível que jovens de bem percam o futuro em atividades clandestinas, que priorizam curtidas na internet e maços de dinheiro, em detrimento dos protocolos mais elementares de segurança.
A caneta da Justiça precisa pesar com força máxima sobre os quatro réus que continuam presos. O pedido do Ministério Público, de manter a prisão preventiva dos instrutores e da organizadora, é o único caminho para evitar que o escárnio e a impunidade prevaleçam. Exigimos que a indenização mínima de R$ 200 mil solicitada para a família seja paga de imediato, com o bloqueio de bens dos acusados e que as prefeituras façam vistorias rigorosas em pontes e viadutos para lacrar de vez o comércio clandestino da morte.
AGORA A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:
Você acredita que a soltura de investigados por falta de provas de autoria ajuda a focar a punição nos verdadeiros culpados que arremessaram a jovem, ou a punição deveria ser coletiva para todos os envolvidos que aceitaram participar da organização de um evento clandestino?
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