Operação Bazaar expõe esquema milionário de corrupção dentro da Polícia Civil de São Paulo
Investigação aponta que delegacias teriam sido usadas para manipular inquéritos, engavetar relatórios financeiros e proteger organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro
Centro Histórico da Cidade de São Paulo, Quinta-feira, 05 de março de 2026
Por Konstantino – Jornal25News – Independente

Uma investigação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo revelou um esquema de corrupção policial que pode ter movimentado pelo menos R$ 33 milhões dentro da estrutura da Polícia Civil paulista.
A operação, batizada de Bazaar, foi deflagrada nesta quinta-feira (5) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), em ação conjunta com a Polícia Federal, por meio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), e com o apoio da Corregedoria da Polícia Civil.
Segundo as investigações, delegacias e divisões da corporação teriam sido utilizadas como pontos de interferência em investigações policiais, permitindo que suspeitos pagassem propina para impedir o avanço de inquéritos ou neutralizar relatórios financeiros que poderiam revelar crimes de lavagem de dinheiro.
Entre as unidades citadas na investigação está o 35º Distrito Policial da capital paulista, onde um delegado identificado pelas iniciais J.E.S. e um escrivão identificado como C.B.M.F. aparecem entre os investigados.
Como funcionaria o esquema
A apuração teve início a partir de investigações sobre evasão de divisas e lavagem de capitais, que revelaram movimentações financeiras suspeitas e possíveis tentativas de interferência em procedimentos policiais.
Segundo promotores do Gaeco, integrantes de uma organização criminosa buscavam contato com policiais para interromper investigações ou manipular inquéritos em andamento.
Em troca, seriam realizados pagamentos para:
- engavetar relatórios financeiros
- atrasar ou arquivar inquéritos
- manipular procedimentos investigativos
- destruir provas dentro de investigações policiais
Promotores afirmam que algumas unidades policiais passaram a funcionar como verdadeiros “balcões de negócios”, onde investigações poderiam ser negociadas mediante pagamento de vantagens indevidas.
Conversas revelam negociação de propina
Mensagens e áudios analisados durante a investigação mostram o funcionamento do esquema.
Em um dos diálogos interceptados, um intermediário sugere pagar policiais para encerrar uma investigação:
“Dá um troquinho pros cara… mata na raiz.”
Para os investigadores, a frase indicaria a tentativa de interromper investigações mediante pagamento de propina.
Em outros trechos das conversas analisadas, investigados discutem valores que poderiam chegar a centenas de milhares de reais para impedir o avanço de determinados inquéritos.
Relatórios financeiros engavetados
Outro ponto central da investigação envolve os Relatórios de Inteligência Financeira (RIF).
Esses relatórios são produzidos por órgãos de controle financeiro para identificar movimentações suspeitas de dinheiro.
Segundo o Ministério Público, alguns desses documentos eram engavetados em delegacias mediante pagamento de propina, o que permitiria que organizações criminosas continuassem operando sem interferência das autoridades.
Para investigadores, o mecanismo teria criado uma espécie de sistema de proteção institucional indevida, favorecendo investigados ligados a esquemas de lavagem de dinheiro.
Delegacias e setores atingidos
A Operação Bazaar atingiu diferentes setores da Polícia Civil paulista.
Entre as unidades citadas nas investigações estão:
- 35º Distrito Policial (Jabaquara)
- DEIC – Departamento Estadual de Investigações Criminais
- DPPC – Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania
- Delegacia da Fazenda Estadual
Além de policiais civis, também são investigados advogados, empresários e operadores financeiros suspeitos de integrar a rede de proteção ao esquema criminoso.
Mandados cumpridos
Na fase deflagrada nesta quinta-feira, a Operação Bazaar cumpriu:
- 25 mandados de busca e apreensão
- 11 mandados de prisão
- 6 medidas cautelares diversas da prisão
As diligências ocorreram em delegacias, escritórios e endereços ligados aos investigados.
O que dizem as defesas
Advogados que representam alguns dos investigados afirmaram que ainda não tiveram acesso completo aos autos da investigação.
Segundo as defesas, os acusados aguardam acesso aos documentos para apresentar esclarecimentos formais.
Um alerta institucional
A Operação Bazaar levanta um debate sensível sobre a integridade das instituições responsáveis pela investigação criminal.
Quando estruturas criadas para combater o crime passam a ser utilizadas para interferir em investigações ou proteger organizações criminosas, o impacto vai além da polícia.
A credibilidade de todo o sistema de Justiça também entra em risco.
A investigação segue em andamento e deverá apurar a extensão do esquema e quantos inquéritos podem ter sido afetados ao longo dos últimos anos.
Nota oficial do Ministério Público – GAECO
GAECO deflagra Operação Bazaar contra policiais que protegiam criminosos que lavavam dinheiro
05 de março de 2026
O Ministério Público do Estado de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), informou que deflagrou nesta quinta-feira (5) a Operação Bazaar, destinada a desarticular um amplo esquema de corrupção policial voltado à proteção de uma organização criminosa especializada em lavagem de capitais.
A ação foi realizada em conjunto com a Polícia Federal, por meio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), e contou com o apoio da Corregedoria da Polícia Civil.
Segundo as investigações, o grupo criminoso seria composto por doleiros, operadores financeiros e indivíduos com histórico de atuação em esquemas de lavagem de dinheiro.
De acordo com o Ministério Público, a organização atuava de forma coordenada para assegurar a continuidade das práticas criminosas e evitar a responsabilização de seus integrantes.
Para isso, seriam realizados pagamentos sistemáticos de vantagens indevidas a agentes públicos, além da adoção de estratégias que incluíam:
- fraude processual
- manipulação de procedimentos investigativos
- destruição de provas em inquéritos policiais
A operação tem como objetivo romper a estrutura de proteção institucional indevida criada pelo grupo e promover a responsabilização criminal dos envolvidos.
Durante a operação foram cumpridos:
- 25 mandados de busca e apreensão, inclusive em unidades policiais
- 11 mandados de prisão
- 6 mandados de intimação com medidas cautelares
As medidas foram direcionadas a integrantes da organização criminosa, advogados e policiais civis investigados.
O Ministério Público informou ainda que, em reunião conjunta com a Corregedoria da Polícia Civil, foi deliberada a realização de correições extraordinárias nas unidades policiais envolvidas, com o objetivo de apurar eventuais irregularidades e promover a responsabilização disciplinar de agentes públicos.
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