O Brasil está na moda, e o mundo está vestindo a estética do nosso país! Uma rápida busca por “Brazil Core” nas redes sociais (TikTok, Instagram e Pinterest) revela os elementos que compõem uma estética supostamente brasileira. O estilo, que reapareceu com força total no verão europeu (com desfiles, editoriais e hashtags bombando), é uma mistura de cores vibrantes, estampas tropicais e acessórios vistosos! Mas há um detalhe crucial: muitos desses elementos têm origem no que se chama de moda de favela, e a apropriação estrangeira levanta o debate sobre o “complexo de vira-lata” e o risco de uma “exportação vazia”!
Do “Cafona” ao “Cool”: A Apropriação da Favela!

A estética Brazil Core é a apropriação de elementos que, durante muito tempo, foram vistos como “cafonas” e “coisa de pobre” no Brasil.
- O Chinelo de Copenhague: O caso mais simbólico é o das Havaianas! O chinelo virou símbolo de sofisticação minimalista após ser desfilado em versões combinadas com alfaiataria durante a Copenhagen Fashion Week! “Foi depois de Copenhague usar Havaianas com alfaiataria que se começou a considerar o chinelo em ambientes urbanos mais formais aqui”, observa a consultora de estilo Thais Farage.
- O Risco da Exportação Vazia: Farage complementa que as redes sociais promovem “uma exportação de uma estética, e não de uma cultura”. A moda consegue transformar códigos e símbolos brasileiros, que nasceram nas periferias, em “produtos de moda, sem necessariamente engajar com o público brasileiro”.
- A Crítica da Antropóloga: Mi Medrado, antropóloga baseada em Los Angeles, aponta para a ideia dos dois “Brasis”: o Brasil com ‘Z’ (o estereótipo que circula no imaginário internacional) e o Brasil com ‘S’ (o Brasil real, diverso, popular e complexo). O estrangeiro, às vezes, se interessa justamente pelo Brasil com ‘S’, mas de um jeito quase “turístico, como quem faz um ‘safari’ pelas periferias”.
O Fator Político e o Complexo de Vira-Lata!

O retorno da trend em 2022, ano da Copa do Mundo, também teve um fator político. A camisa da Seleção havia sido apropriada por grupos de extrema-direita, e a Copa funcionou como um momento de resgate desses ícones pela esquerda e pela sociedade civil.
- Fuga da Chancelaria: O problema central, segundo Thais Farage, é a busca constante por aprovação externa. “Precisamos validar nossos símbolos por conta própria, sem esperar a chancela europeia ou americana.”
- O Lado Bom: O lado positivo é que a atenção internacional ao Brazil Core pode abrir espaço para mudanças positivas no mercado interno e no olhar dos consumidores brasileiros.

A chave está em valorizar símbolos e estéticas próprias (como o trabalho de designers que trazem elementos de religiosidade afro-brasileira e tradições culturais em seus desfiles) sem depender exclusivamente do olhar estrangeiro. O Brasil é rico demais para ser reduzido a uma estética só!
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