O Brasil enfrenta, neste verão de 2026, uma das piores ondas de greves de garis (coletores de lixo) em décadas. Pelo menos 12 capitais e mais de 40 cidades de médio e grande porte estão com a coleta de lixo suspensa ou muito reduzida há dias, acumulando toneladas de resíduos nas ruas, becos, praças e praias. O movimento, coordenado nacionalmente pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Serviços de Asseio e Conservação (Conassec) e sindicatos locais filiados à CUT e à Força Sindical, reivindica reajuste salarial de 12% + cláusulas sociais (vale-alimentação, adicional de insalubridade 40%, plano de saúde integral e redução da jornada para 6h em locais de risco biológico).
Situação por cidade

- Rio de Janeiro: Greve desde 8 de janeiro. Mais de 8 mil toneladas de lixo acumuladas na Zona Sul e Centro. Prefeitura decretou estado de emergência sanitária em 10 bairros. Multa diária de R$ 100 mil por dia de greve (já ultrapassa R$ 800 mil). GCM e PM fazem escolta de caminhões terceirizados, mas apenas 20% da coleta normal está sendo realizada.
- São Paulo: Greve parcial desde 10 de janeiro (apenas Zona Leste e parte da Norte paralisadas). Cerca de 4.500 toneladas acumuladas. Prefeitura usa caminhões da iniciativa privada e da CET para limpeza emergencial, mas pontos críticos (favela de Paraisópolis, Brasilândia, Cidade Tiradentes) já registram ratos, mau cheiro e risco de leptospirose.
- Belo Horizonte: Greve total desde 11 de janeiro. Prefeitura estima 2.800 toneladas acumuladas. Decreto de emergência sanitária em vigor; multas diárias de R$ 50 mil.
- Recife: Greve desde 9 de janeiro. Praias da Boa Viagem e Pina com lixo acumulado. Prefeitura terceirizou coleta emergencial, mas apenas 30% da capacidade normal.
- Salvador, Fortaleza, Porto Alegre, Curitiba, Goiânia e Manaus: Greves parciais ou ameaças de paralisação total. Em Manaus, o calor de 38 °C + lixo acumulado já gerou surto de diarreia e vômito em comunidades.
Principais reivindicações nacionais
- Reajuste salarial de 12% (contra 4,62% oferecido pela maioria das prefeituras).
- Adicional de insalubridade 40% (atual é 20–30%).
- Plano de saúde integral para trabalhador e dependentes.
- Redução da jornada em locais de risco biológico (aterros, hospitais).
- Fim da terceirização total da coleta (muitos municípios usam empresas privadas que pagam salários mais baixos).
Posição das prefeituras e do governo federal

- Prefeituras: Alegam crise fiscal, queda de arrecadação e aumento de despesas com folha. Oferecem reajuste entre 4–6% + vale-alimentação.
- Governo Lula: Ministério do Trabalho e Emprego mediou rodadas em Brasília (última em 14/01), mas sem acordo. O ministro Luiz Marinho classificou a greve como “legítima”, mas cobrou “responsabilidade” para não prejudicar a população.
- Justiça: Várias cidades obtiveram liminares obrigando manutenção de 70–80% da frota em operação (multa diária de R$ 50–200 mil por descumprimento).
Impactos imediatos e riscos sanitários
- Risco sanitário: Aumento de ratos, baratas, moscas e mosquitos. Casos de leptospirose, dengue e diarreia infecciosa já subiram 30–50% em bairros afetados (dados preliminares da Vigilância Sanitária).
- Turismo: Praias de Rio, Recife e Salvador com lixo acumulado afastam visitantes na alta temporada.
- Comércio: Ruas com mau cheiro e lixo reduzem fluxo de clientes em 20–40% em áreas comerciais centrais.
O Desfecho
- Rio de Janeiro e Belo Horizonte mantêm greve total; São Paulo e Recife greve parcial.
- Negociações em Brasília continuam sem acordo.
- Prefeitura de SP anunciou que, se a greve se estender, pode decretar estado de emergência sanitária na capital.
- Conassec ameaça paralisação nacional se não houver avanço até 20 de janeiro.
A greve dos garis expõe uma crise silenciosa: cidades que crescem rápido, mas não investem proporcionalmente em serviços essenciais. Enquanto o lixo se acumula nas ruas, a sociedade percebe o quanto depende de trabalhadores que muitas vezes são invisíveis — até que param. O Jornal 25News acompanha as negociações e o risco de agravamento da crise sanitária nas próximas semanas.
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