CASO BANCO MASTER: PRISÃO DE VORCARO ABALA BRASÍLIA E EXPÕE BASTIDORES DO PODER FINANCEIRO
Mensagens apreendidas pela Polícia Federal indicam consultoria informal com servidores do Banco Central e ameaça a jornalista ” QUEBRAR TODOS OS DENTES DA BOCA DELE”.


Centro Histórico da Cidade de São Paulo, Quarta-feira, 04 de Março de 2026
Por Constantino Ferdinando — Jornal25News – Independente
Polícia Federal prende Daniel Vorcaro em nova fase da investigação sobre o Banco Master; mensagens apreendidas indicariam esquema de influência no Banco Central e ameaça contra jornalista
A Polícia Federal prendeu na manhã desta quarta-feira (4) o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, em nova fase da investigação conhecida como Operação Compliance Zero.
A prisão ocorreu nas primeiras horas da manhã, durante o cumprimento de mandados judiciais expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A operação incluiu prisões preventivas e mandados de busca e apreensão, executados em diferentes estados, com o objetivo de aprofundar investigações sobre fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Segundo investigadores, a decisão foi baseada em novos elementos obtidos pela análise de celulares e documentos financeiros apreendidos.
📍 Como ocorreu a prisão
De acordo com informações da investigação:
Data: 4 de março de 2026
Horário: primeiras horas da manhã
Local: residência do empresário
Após a prisão, Vorcaro foi conduzido para instalações da Polícia Federal, onde permaneceu à disposição da Justiça.
A operação também cumpriu diversos mandados contra outros investigados ligados ao suposto esquema financeiro.
Entre os nomes mencionados nas investigações estão:
- Fabiano Zettel (cunhado do banqueiro)
- Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão
- Marilson Roseno da Silva
Todos aparecem em relatórios da investigação sobre a estrutura do grupo.
⚖️ A decisão do ministro André Mendonça
O mandado de prisão foi autorizado pelo ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal.
Na decisão, o ministro apontou fortes indícios de atuação organizada e reiterada de práticas ilícitas, além de risco de interferência nas investigações.
O magistrado destacou que os novos elementos coletados pela Polícia Federal indicariam:
- possível estrutura criminosa organizada
- uso de interpostas pessoas para movimentações financeiras
- tentativa de ocultar valores e dificultar rastreamento de recursos
Esses fatores, segundo o entendimento judicial, justificariam a prisão preventiva.
⚖️ Divergência com a Procuradoria-Geral da República
O caso também ganhou repercussão jurídica porque houve divergência entre a decisão do ministro e posicionamentos anteriores da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Em fases anteriores da investigação, a PGR havia demonstrado cautela quanto à adoção de determinadas medidas mais duras, defendendo aprofundamento das apurações.
No entanto, diante dos novos elementos apresentados pela Polícia Federal, o ministro Mendonça considerou que a prisão preventiva seria necessária para garantir a continuidade da investigação.
📱 O que foi encontrado pela Polícia Federal
Um dos principais elementos que embasaram a decisão judicial foi a análise de dados extraídos do celular do empresário.
Segundo os investigadores, foram identificadas:
📲 Conversas em grupo de mensagens
A PF encontrou um grupo de mensagens chamado “A Turma”, que reuniria pessoas ligadas ao banqueiro e outros interlocutores.
De acordo com os investigadores, nesse grupo eram discutidos:
- estratégias relacionadas ao Banco Central
- movimentações financeiras
- ações para responder a investigações e críticas públicas
🏦 “Consultoria informal” com servidores do Banco Central
Outro ponto investigado envolve a suspeita de que servidores ou ex-servidores do Banco Central teriam prestado orientação informal ao empresário.
Segundo a apuração, essas orientações envolveriam:
- revisão de documentos enviados ao regulador
- aconselhamento estratégico sobre decisões do Banco Central
- discussões sobre supervisão bancária
Caso confirmado, o episódio pode levantar questionamentos sobre possível conflito de interesses e acesso privilegiado a informações regulatórias.
💰 Suspeita de ocultação de valores
A investigação também aponta indícios de movimentações financeiras complexas que poderiam ter sido utilizadas para ocultar recursos.
Entre as hipóteses investigadas estão:
- uso de contas de terceiros
- movimentações financeiras estruturadas
- possíveis prejuízos a investidores
O valor potencial envolvido nas investigações pode atingir bilhões de reais, segundo estimativas preliminares analisadas pelos investigadores.
📰 O episódio envolvendo o jornalista Lauro Jardim
Outro ponto grave identificado nas mensagens foi uma conversa atribuída ao empresário envolvendo o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo e comentarista da rádio CBN.
Segundo as mensagens analisadas pela Polícia Federal, Vorcaro teria sugerido que o jornalista fosse agredido durante um suposto assalto.
Em uma das mensagens, o investigado teria escrito:
“quero quebrar todos os dentes dele num assalto”.
A mensagem foi interpretada pela investigação como possível tentativa de intimidação contra um profissional da imprensa.
📰 Nota oficial do jornal O Globo
Após a divulgação do episódio, o jornal O Globo publicou nota oficial repudiando o conteúdo das mensagens.
O veículo declarou que repudia qualquer tentativa de intimidação ou violência contra jornalistas e classificou o episódio como grave ameaça à liberdade de imprensa.
A empresa também manifestou solidariedade ao jornalista e afirmou confiar na apuração das autoridades.
🔎 O que acontece agora
A investigação continua em andamento e deve avançar nas próximas etapas com:
- análise completa dos celulares apreendidos
- rastreamento de movimentações financeiras
- depoimentos de investigados e testemunhas
- aprofundamento das suspeitas de fraude e corrupção
O caso tem potencial para se tornar uma das maiores investigações financeiras recentes do país, envolvendo mercado bancário, autoridades regulatórias e possível tentativa de interferência em atividades jornalísticas.
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