Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 13 de agosto de 2026
Você que coloca a vida dos seus filhos nas mãos da saúde pública quando a emergência bate à porta, sabe que a eficiência no atendimento médico não é um favor: é um dever sagrado. Não há dor maior para o cidadão, do que ver a vida de uma criança ser ceifada por causa de burocracia de gabinete, falta de preparo e atraso em procedimentos básicos de salvamento.
Nesta semana, a Polícia Civil de São Paulo concluiu o inquérito policial sobre a trágica morte do pequeno Bernardo de Lima Mendes, de 3 anos, ocorrida em março deste ano, na cidade de Conchal, interior paulista. O médico plantonista responsável pelo primeiro atendimento, Augusto Fortunato de Godoi, foi formalmente indiciado por homicídio culposo — quando há negligência, imperícia ou imprudência sem a intenção direta de matar.
A ENGRENAGEM DO FATO: A tragédia começou no dia 31 de março, quando Bernardo foi levado às pressas pelos pais ao Hospital e Maternidade Madre Vannini, em Conchal, após ser picado por um escorpião. A unidade de saúde local não possuía o soro antiescorpiônico em estoque.
A investigação policial revelou que, em vez de acionar imediatamente o protocolo de emergência conhecido como “vaga zero” e transferir a criança sem perda de tempo para a Santa Casa de Araras — hospital de referência regional com estoque do soro — o médico plantonista manteve o menino sob observação apenas com medicação sintomática e bloqueio anestésico.
Ao prender o paciente em trâmites burocráticos e aguardar a regulação via sistema CROSS, enquanto o quadro clínico se deteriorava com episódios de vômito e piora sistêmica, o profissional consumiu horas cruciais para a sobrevivência do menino. Quando a transferência finalmente ocorreu, já era tarde demais: Bernardo faleceu na manhã do dia seguinte.
VOZES E ANÁLISE: De acordo com o delegado responsável pelo caso, Luís Henrique Lima Pereira, a apuração técnica comprovou o descumprimento direto das diretrizes do Ministério da Saúde, para acidentes com animais peçonhentos em crianças com menos de 10 anos. Em depoimento prestado à polícia, o próprio médico admitiu que não conhecia a existência do protocolo específico de urgência para picadas de escorpião em crianças.
Diante da gravidade, a Polícia Civil solicitou à Justiça uma medida cautelar, proibindo o médico de atuar em plantões e serviços de urgência e emergência, visando proteger a coletividade. O inquérito foi repassado ao Ministério Público para oferecimento da denúncia.
O pai da criança expressou sentimento de alívio com o avanço das investigações e com o afastamento do profissional, ressaltando que a família busca por justiça. Por sua vez, a defesa do médico alegou em nota que ele tem “plena certeza de sua inocência” e que os esclarecimentos serão prestados no momento oportuno ao Poder Judiciário.
DADOS OFICIAIS:
• Vítima: Bernardo de Lima Mendes, 3 anos de idade.
• Indiciado: Augusto Fortunato de Godoi (médico plantonista).
• Tipificação Penal: Homicídio Culposo (Art. 121, § 3º do Código Penal) com pedido de afastamento de funções de emergência.
• Falhas Apontadas: Descumprimento de protocolo sanitário nacional, atraso na aplicação de soro e burocratização da transferência para hospital de referência.
• Localidade: Hospital Madre Vannini (Conchal/SP) e Santa Casa de Araras (SP).
• Impacto Social: Risco severo à saúde infantil por descumprimento de rotinas de socorro imediato em acidentes por animais peçonhentos.
O RIGOR DA LEI: O trabalhador paulistano paga seus impostos e exige rigor absoluto de quem veste o jaleco em um pronto-socorro. A medicina de urgência não tolera improvisos nem o desconhecimento de regras básicas, que diferenciam a vida da morte. Alegar ignorância sobre protocolos nacionais diante de um quadro grave de envenenamento infantil é inaceitável.
A perda de Bernardo precisa servir como divisor de águas na responsabilização de maus profissionais e no fortalecimento das estruturas de pronto-atendimento no interior e na capital. A vida de uma criança não pode ser perdida na fila da burocracia ou no descaso hospitalar.
AGORA A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:
Você acredita que o indiciamento por homicídio culposo e o afastamento dos plantões, são suficientes para fazer justiça e evitar novos casos, ou profissionais que alegam desconhecer protocolos básicos de emergência deveriam ter suas licenças de medicina cassadas definitivamente?
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