Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 12 de agosto de 2026.
O Anuário 2025-2026 divulgado pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), acendeu o sinal vermelho na mobilidade urbana do país. Após quatro anos de recuperação gradual pós-pandemia, o volume total de viagens por ônibus caiu 3,7% nas principais capitais e regiões metropolitanas brasileiras, enquanto a perda entre passageiros pagantes atingiu 5,8%.
O resultado confirma que a demanda estagnou em apenas 77,5% do patamar registrado antes da Covid-19, interrompendo a retomada e escancarando uma migração estrutural para motocicletas, carros e serviços de aplicativo.
A ENGRENAGEM DO FATO: A engrenagem dessa crise no transporte público não é um mero imprevisto do momento. O custo total do sistema de ônibus urbanos no Brasil é estimado em R$ 75,7 bilhões anuais. Contudo, o modelo de financiamento brasileiro continua arcaico: cerca de 80% de toda a conta ainda é paga diretamente pelo usuário na catraca, através da tarifa cobrada por viagem.
Com o aumento da tarifa cobrada do trabalhador e a perda de competitividade frente ao avanço do transporte individual por aplicativo e da compra facilitada de motocicletas, milhões de passageiros abandonaram o transporte coletivo. Para conter reajustes astronômicos nas passagens e evitar o colapso do serviço, prefeituras de todo o país, passaram a injetar recursos públicos direto no caixa das operações.
O total de municípios que concedem subsídios tarifários, saltou para 365 cidades (alcançando 440 municípios quando contabilizadas as regiões metropolitanas), enquanto a política de Tarifa Zero já se expandiu para mais de 140 cidades no país.
VOZES E ANÁLISE: Especialistas em engenharia de tráfego, urbanistas e diretores da NTU, alertam que o sistema entrou em um círculo vicioso perigoso. Sem prioridade viária — como faixas exclusivas e corredores expressos — os ônibus ficam presos nos mesmos congestionamentos dos carros de passeio, tornando a viagem demorada e desconfortável.
A frota nacional de ônibus envelheceu, atingindo uma média de 6,38 anos de uso. A falta de passageiros pagantes reduz a receita das empresas, desacelera a renovação dos veículos por modelos elétricos ou menos poluentes e empurra o orçamento das prefeituras ao limite. Para a NTU e representantes do setor, a conta não pode ser arcada apenas pelos municípios e pelos passageiros; é indispensável que a União e os estados criem fontes permanentes de financiamento e aprovem o Marco Legal do Transporte Público.
DADOS OFICIAIS:
- Queda na Demanda: Recuo de 3,7% no total de viagens e queda de 5,8% no número de passageiros pagantes em 2025.
- Patamar Pós-Pandemia: A demanda recuperou apenas 77,5% do volume registrado em 2019.
- Avanço dos Subsídios: 365 municípios brasileiros já adotam subsídios públicos à tarifa (chegando a 440 áreas com regiões metropolitanas), e mais de 140 cidades aplicam a Tarifa Zero.
- Custo do Sistema: R$ 75,7 bilhões ao ano no Brasil, com 80% do custeio ainda dependente da tarifa paga na catraca pelo usuário.
- Idade da Frota: Média nacional de 6,38 anos de uso, com desaceleração nos investimentos em novos ônibus.
O RIGOR DA LEI E DA MOBILIDADE PÚBLICA: O trabalhador não pode continuar sustentando sozinho um modelo de transporte falido, nem ser penalizado com frota sucateada e atrasos constantes. O transporte coletivo é um direito social constitucional, que beneficia toda a sociedade ao reduzir a poluição e os congestionamentos nas metrópoles.
O Governo Federal, os estados e as prefeituras, precisam agir com responsabilidade e coragem: aprovar uma legislação nacional para o transporte público, exigir contrapartidas rígidas de qualidade e pontualidade das empresas concessionárias e fiscalizar cada centavo de subsídio injetado. O dinheiro público deve servir para garantir ônibus modernos, rápidos e com tarifa justa para a população, e não para cobrir ineficiências operacionais.
AGORA A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:
Você acredita que o Governo Federal deveria criar um fundo nacional para subsidiar o transporte público e garantir tarifas mais baratas para os trabalhadores de baixa renda?
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