A homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela escola de samba Acadêmicos de Niterói no Carnaval 2026 está gerando uma das maiores polêmicas da folia carioca. O enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” colocou a TV Globo em uma “saia justa” ao evitar exibir o refrão do samba-enredo em suas vinhetas tradicionais de divulgação do Carnaval, temendo caracterizar propaganda eleitoral antecipada. A situação escalou com ações judiciais, questionamentos no TCU e demissões relacionadas, expondo tensões entre cultura, política e direito eleitoral.
A homenagem e o enredo polêmico

- A Acadêmicos de Niterói, estreante no Grupo Especial, desfila no domingo (15/02) com um enredo que celebra a trajetória de Lula, desde operário até presidente.
- O refrão — “Olê, olê, olê, olá, Lula! Lula!” — é uma releitura direta do jingle histórico de campanhas petistas.
- A escola nega viés eleitoral: “É homenagem cultural, não pedido de voto”, diz o presidente Wallace Palhares.
A “saia justa” da Globo
- Detentora exclusiva dos direitos de transmissão do Carnaval do Rio, a emissora tradicionalmente exibe vinhetas com refrões dos sambas-enredo de todas as escolas.
- Para a Acadêmicos de Niterói, a Globo optou por não reproduzir o refrão, limitando-se a trechos neutros do samba.
- Motivo alegado internamente: risco de violação à Lei Eleitoral (Lei 9.504/97), que proíbe propaganda antecipada. Especialistas em direito eleitoral consultados pela emissora alertaram que o refrão poderia ser interpretado como exaltação a candidato à reeleição.
- Repercussão: críticos da Globo acusam “censura seletiva”; apoiadores defendem “cautela jurídica”.
Ações judiciais e questionamentos no TCU
- Repasse de R$ 1 milhão da Embratur: O TCU propôs suspensão do recurso público para a escola, alegando violação de princípios como moralidade e impessoalidade. A Embratur defende que o enredo promove o turismo cultural.
- Ação da oposição: Senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e deputado Sanderson (PL-RS) acionaram a Justiça Eleitoral e a PGR, alegando propaganda antecipada e abuso de poder econômico.
- Especialistas em direito eleitoral: A maioria opina que, sem pedido explícito de votos ou menção à eleição, o enredo não configura crime — mas alertam para riscos se houver elementos eleitorais no desfile.
Demissões e impactos políticos
- Wallace Palhares, presidente da escola, foi demitido de cargo de assistente na Alerj em meio à polêmica.
- Mais de 400 políticos e celebridades estão na lista de espera para desfilar ou assistir à homenagem, incluindo deputados petistas e aliados de Lula.
A polêmica em torno do enredo da Acadêmicos de Niterói expõe os limites entre homenagem cultural e uso político do Carnaval. A Globo, para evitar problemas jurídicos, optou pela cautela — criando uma “saia justa” que pode se estender ao vivo durante a transmissão do desfile. O MP Eleitoral acompanha de perto, e qualquer irregularidade no dia 15 pode resultar em cassação de diploma ou inelegibilidade.
O Jornal 25News acompanhará o desfile e os desdobramentos judiciais. Porque, na Sapucaí de 2026, o samba pode ser mais do que alegria — pode ser motivo de processo.
Apoio Institucional
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