Só 7% do dinheiro desviado via Pix é recuperado; Febraban e redes sociais pressionam por mudanças
Banco Central promete novo sistema com rastreamento mais profundo e contestação digital até 2026
Centro de SP,16.06.25

Apenas 31% dos cerca de 5 milhões de pedidos de devolução por transferências fraudulentas via Pix foram aceitos. No total, o Banco Central conseguiu recuperar apenas R$ 459 milhões de um prejuízo estimado em R$ 6,98 bilhões — menos de 7%.
O principal problema está no atual Mecanismo Especial de Devolução (MED), que rastreia apenas a primeira conta que recebeu os valores. Como os criminosos costumam transferir rapidamente o dinheiro entre várias contas de laranjas, o rastreamento se torna ineficaz.
Nas redes sociais, vítimas relataram a dificuldade de recuperar os valores, mesmo após contestar imediatamente a transação. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e o próprio Banco Central reconhecem as falhas do sistema atual e preparam melhorias.
Entre as mudanças anunciadas está o lançamento do MED 2.0, previsto para o primeiro trimestre de 2026. A nova versão permitirá o rastreamento de valores em até cinco níveis de transferências, aumentando significativamente as chances de bloqueio e devolução.
Além disso, o Banco Central vai exigir que todos os bancos ofereçam, até 1º de agosto de 2025, uma ferramenta de contestação direta nos aplicativos, sem necessidade de contato com atendentes. O Bradesco, por exemplo, já implementou esse recurso.
A Febraban estima que o novo sistema poderá elevar o índice de recuperação para até 80%, embora admita que parte dos valores seguirá irrecuperável devido à velocidade com que os criminosos operam — muitas vezes convertendo o dinheiro em criptomoedas.
Principais mudanças previstas:
- Rastreamento ampliado: até 5 níveis de transferência
- Contestação digital direta: via aplicativo do banco
- Bloqueio mais rápido: impedindo dispersão do dinheiro
- Identificação de contas laranjas: para ações de prevenção
O Banco Central também trabalha para ampliar o uso da plataforma “fraud marker”, que permite identificar e bloquear contas suspeitas de envolvimento em golpes.
As instituições financeiras têm até outubro para se adaptar ao novo modelo de contestação. O objetivo é reduzir a burocracia, melhorar a efetividade do sistema e oferecer maior segurança aos usuários do Pix.
Fontes:
- Banco Central do Brasil
- Federação Brasileira de Bancos (Febraban)
- CNN Brasil
- Valor Econômico
- Tecnoblog
- Relatos em redes sociais (X, Facebook, Instagram)
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