Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 23 de junho de 2026.
Você que acorda de madrugada, enfrenta transporte lotado e ainda precisa esperar meses para conseguir uma simples consulta ou exame na UBS do seu bairro, sabe para onde está indo o dinheiro dos seus impostos? Pois a conta da farra com as verbas públicas chegou.
Um levantamento minucioso no Portal da Transparência, revela que os vereadores da capital paulista concentraram metade de todas as suas emendas parlamentares de 2025 em festas, contratações de artistas e projetos esportivos. Enquanto a saúde e a educação ganham migalhas, a prefeitura assina cheques milionários para manter o “pão e circo” na cidade.
A ENGRENAGEM DO FATO: O esquema para drenar o recurso público que deveria socorrer as comunidades, funciona através de um carimbo caridoso nas secretarias municipais de Cultura e de Esportes e Lazer.
Das 1.208 emendas parlamentares liberadas no ano passado — que somaram R$ 237,3 milhões —, nada menos que 607 foram destinadas para essas duas pastas, totalizando R$ 114,5 milhões de reais longe das prioridades estruturais.
Na prática, a verba que poderia reformar escolas ou tapar crateras no asfalto vira fumaça em palcos de bairros, cachês sem licitação e eventos descritos com termos genéricos, como “apoio à realização de eventos” ou “circuito cultural”, impedindo que o cidadão saiba quem de fato embolsou o dinheiro.
VOZES E ANÁLISE: A discrepância dos repasses escancara uma inversão violenta de valores. Enquanto a Cultura e o Esporte devoraram quase 50% das emendas, as secretarias de Saúde e Educação receberam, respectivamente, míseros 8,6% e 0,7% do total indicado pelos vereadores.
Especialistas em contas públicas alertam para o grave perigo dessa prática, que é usada como moeda de troca eleitoral nas periferias.

“A prefeitura diz que não tem gerência sobre as indicações e os gabinetes defendem a autonomia do mandato, mas a verdade é que falta fiscalização e sobra conveniência com o desperdício do imposto alheio”, aponta a análise técnica do caso.
DADOS OFICIAIS:
- Valor/Pena: R$ 114,5 milhões de reais pulverizados em festas e torneios esportivos (o que representa 48,3% do montante total de R$ 237,3 milhões de emendas executadas).
- Base Legal: Disposições da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e regras do Orçamento Impositivo Municipal vigentes na capital paulista.
- Localização: Câmara Municipal de São Paulo, com distribuição dos recursos em palcos montados em bairros periféricos e agremiações da capital.
- Impacto Social: Perda de investimentos diretos na redução das filas de exames especializados do SUS e na criação de novas vagas de creches municipais.
O RIGOR DA LEI: Não dá para aceitar que o orçamento público da maior metrópole da América Latina, seja queimado em palcos de festas enquanto hospitais agonizam sem insumos básicos. O dinheiro arrecadado do suor de quem trabalha deve ser tratado como sagrado.
Direcionar dezenas de milhões de reais de forma genérica para eventos de lazer, enquanto serviços prioritários funcionam no limite, é uma irresponsabilidade social que exige intervenção urgente dos órgãos de controle.
O Tribunal de Contas do Município (TCM) e o Ministério Público, precisam abrir as gavetas e investigar o destino final de cada nota fiscal emitida para essas festas de gabinete. O asfalto e os postos de saúde de São Paulo pertencem às famílias, não aos cabos eleitorais.
AGORA A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:
Você acredita que a Câmara Municipal deveria ser proibida por lei de destinar emendas para shows e eventos, enquanto a saúde e a educação do município não atingirem 100% de metas básicas de qualidade?
Para mais detalhes, leia a matéria original publicada na Folha de S.Paulo.
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