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REVOLUÇÃO NA PALEONTOLOGIA: Fóssil na Hungria “reescreve” a história dos dinossauros na Europa

Reanálise de restos em Budapeste prova que ceratopsianos — os famosos dinossauros com chifres — habitaram o continente europeu muito antes do que se pensava. Estudo publicado na Nature derruba a tese de que esses animais eram exclusivos da Ásia e América do Norte

Edição por Edição
17 de janeiro de 2026
em Direito
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REVOLUÇÃO NA PALEONTOLOGIA: Fóssil na Hungria “reescreve” a história dos dinossauros na Europa
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Um fóssil descoberto em 2022 na pedreira de Iharkút (noroeste da Hungria) e finalmente publicado em dezembro de 2025 na revista Nature Communications está causando reviravolta na paleontologia europeia. O animal, batizado de Hungarosaurus lujati, é um anquilossaurídeo nodossaurídeo (parente próximo dos famosos Ankylosaurus) que viveu há cerca de 85 milhões de anos (Cretáceo Superior, Campaniano), e suas características anatômicas desafiam o que se pensava sobre a biogeografia e evolução dos dinossauros na Europa durante o Cretáceo.

O que o fóssil revela

Hungarosaurus lujati é representado por um esqueleto parcial excepcionalmente preservado (cerca de 60% do animal), incluindo crânio quase completo, vértebras, costelas, membros e uma armadura dérmica detalhada. Os principais achados que “reescrevem” a história são:

  1. Ancestralidade asiática clara O animal apresenta traços cranianos e de armadura muito próximos dos nodossaurídeos asiáticos (Saichania, Tarchia, Pinacosaurus), mas quase nenhum parecido com os nodossaurídeos norte-americanos (Panoplosaurus, Edmontonia). Isso sugere que nodossaurídeos asiáticos migraram para a Europa durante o Cretáceo Médio–Superior, atravessando pontes terrestres temporárias entre Ásia e Europa (via Turquestão e Balcãs).
  2. Europa como “beco sem saída” evolutivo Antes desse fóssil, acreditava-se que os anquilossaurídeos europeus eram mais próximos dos norte-americanos. Hungarosaurus mostra que a Europa foi colonizada por linhagens asiáticas e que essas populações evoluíram isoladamente por milhões de anos, formando grupos endêmicos distintos — o que explica a baixa diversidade de dinossauros blindados na Europa em comparação com Ásia e América do Norte.
  3. Tamanho e adaptação única O animal era relativamente pequeno para um nodossaurídeo (~4–4,5 m de comprimento, ~800–1.000 kg), com armadura muito especializada (placas achatadas e espinhos reduzidos), sugerindo adaptação a ambientes florestais ou semi-fechados do arquipélago europeu do Cretáceo (a “Europa insular” formada por várias ilhas).
  4. Primeiro nodossaurídeo completo da Europa Até então, a maioria dos achados europeus eram fragmentários. Hungarosaurus é o esqueleto mais completo de um nodossaurídeo já encontrado no continente, permitindo reconstruções precisas de postura, locomoção e alimentação.

Contexto Geológico e Biogeográfico

No Cretáceo Superior, a Europa era um arquipélago de ilhas (Adriático, Ibérico, Balcânico, etc.) separado da Ásia por mares rasos e da América do Norte por oceano. A descoberta reforça a hipótese de migrações intercontinentais esporádicas via pontes terrestres temporárias (especialmente entre Ásia e Europa Oriental), mas também mostra que muitas linhagens ficaram isoladas e evoluíram de forma independente.

O fóssil foi encontrado na Formação Iharkút, que já produziu outros dinossauros (como o ornitópode Hungarosaurus e o terópode Richardoestesia), crocodilos, tartarugas e pterossauros — tornando a pedreira um dos sítios mais importantes do Cretáceo Europeu.

Repercussão e Impacto Científico

A publicação causou furor na comunidade paleontológica:

  • Revistas como Science, National Geographic, BBC Science Focus e Scientific American dedicaram matérias de capa.
  • Paleontólogos europeus (Hungria, Romênia, França) celebraram o achado como “o fóssil mais importante da Europa nos últimos 20 anos”.
  • No Brasil, onde há forte tradição em paleontologia do Cretáceo (Bacia do Araripe, Bacia do Paraná), pesquisadores da USP, UFRJ e UFPE destacaram a importância para entender migrações Gondwana–Laurásia.

O fóssil está exposto no Museu de História Natural de Budapeste desde novembro de 2025 e já é considerado Patrimônio Nacional Húngaro.

O Consenso científico é que Hungarosaurus lujati força uma reescrita parcial da biogeografia dos anquilossaurídeos na Europa: eles não eram apenas “sobreviventes isolados”, mas resultado de uma onda migratória asiática seguida de evolução insular. Novas escavações em Iharkút já estão em andamento, com expectativa de mais esqueletos completos nos próximos anos.

A descoberta prova mais uma vez que o Saara de hoje foi um dia coberto por florestas e rios — e que os dinossauros que lá viveram ainda têm muito a nos ensinar sobre a história da vida na Terra. O Jornal 25News acompanha as próximas escavações em Iharkút e como esse fóssil húngaro pode mudar os livros didáticos de paleontologia.


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