Por Pedro Valentini,
A decisão da Federação Paulista de Futebol (FPF) de punir seis torcidas organizadas do Corinthians após a final do Paulistão contra o Palmeiras levanta uma questão antiga e incômoda: por que o que é celebrado na Europa é condenado no Brasil?
Jornalistas e comentaristas esportivos que enchem os olhos ao falar sobre a atmosfera mágica dos estádios na Argentina ou das festas de sinalizadores na Champions League são os mesmos que se apressam em demonizar qualquer manifestação semelhante no futebol brasileiro. Quando é em Dortmund, é um espetáculo. Quando acontece na Neo Química Arena, é vandalismo.
O próprio perfil oficial do Campeonato Paulista exaltou, em publicações nas redes sociais, a festa de sinalizadores da torcida Corinthiana na final. Postagens mostraram o estádio lotado, e a festa única criada pelos torcedores. Mas, poucos dias depois, essas mesmas manifestações passaram a ser tratadas como um problema que exigia punições severas.
Curiosamente, outros episódios recentes de desordem em estádios não receberam o mesmo peso. Em 2022, torcedores do Santos invadiram o gramado da Vila Belmiro e tentaram agredir o goleiro Cássio, do Corinthians, após a eliminação na Copa do Brasil. O clube foi punido com apenas dois jogos de portões fechados no ano seguinte. Já em 2023, nova invasão ocorreu após o rebaixamento inédito do Santos, com brigas generalizadas dentro e fora do estádio. A punição inicial foi de seis jogos sem torcida, depois reduzida para três, com um simples fechamento de setores organizados nos jogos seguintes.
É evidente que quem atira bombas no gramado deve ser responsabilizado. O problema é a punição coletiva. Como sempre, no Brasil, o CNPJ acaba pagando pelo CPF. Torcedores que sequer estavam no estádio, que não participaram dos incidentes, agora estão impedidos de levar suas bandeiras e cantar em nome de sua paixão.
O futebol raiz tem que prevalecer. Não podemos permitir que ele seja sufocado por decisões arbitrárias que afastam o torcedor do estádio e transformam o espetáculo em um evento frio e engessado. A festa faz parte do jogo, e quem ama o futebol de verdade sabe disso. Se queremos preservar a essência do esporte, precisamos lutar para que a cultura das arquibancadas seja respeitada.























































