O desfile da escola de samba Unidos da Tijuca no Grupo Especial do Carnaval carioca 2026 entrou para a história não apenas pelo título conquistado, mas por uma ala específica que gerou a maior crise religiosa e jurídica do carnaval dos últimos 20 anos.
A ala intitulada “Neoconservadores em conserva” — composta por cerca de 80 componentes fantasiados como figuras evangélicas caricaturadas (pastores com ternos dourados, microfones gigantes, Bíblias estilizadas como armas, placas de “Deus odeia…” e referências diretas a líderes religiosos conservadores) — foi acusada de vilipêndio religioso e intolerância religiosa por entidades evangélicas, deputados federais e até pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
O que aconteceu no desfile e na apuração

- Enredo oficial: “Lula – O Retorno do Operário que Não se Curva”.
- A ala polêmica apareceu no setor 3, logo após o carro abre-alas que retratava Lula como “o novo Getúlio”.
- Componentes cantavam refrão adaptado do samba-enredo: “Olê, olê, olê, olá / Lula volta e a direita vai se calar”.
- Fantasias incluíam pastores com auréolas de espinhos, cruzes invertidas feitas de dinheiro, e cartazes com frases como “Deus é progressista” e “Bíblia não é manual de ódio”.
Reações imediatas
- OAB-RJ (Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Rio de Janeiro): Emitiu nota oficial repudiando a ala como “manifestação de intolerância religiosa disfarçada de arte” e cobrando investigação do Ministério Público Federal por possível crime de vilipêndio (art. 208 do Código Penal) e injúria coletiva contra grupo religioso.
- PGR e MPF: A Procuradoria-Geral da República abriu inquérito civil no dia 17/02 para apurar se houve discurso de ódio religioso e discriminação contra evangélicos. A 4ª Câmara de Direitos Humanos e Minorias do MPF já solicitou imagens e depoimentos dos componentes da ala.
- Frentes evangélicas no Congresso: Deputados da bancada evangélica (PL, Republicanos, União Brasil) protocolaram representação na PGR e na Comissão de Direitos Humanos da Câmara pedindo cassação do título da Unidos da Tijuca e responsabilização criminal dos responsáveis pela ala.
- Liga Independente das Escolas de Samba (LIESA): Defendeu a liberdade artística e o enredo como “crítica política legítima”, mas anunciou que vai rever o regulamento interno para evitar “excessos” em futuros carnavais.
Defesa da escola e do carnavalesco
- Carnavalesco: “A ala era sátira política, não ataque à fé. Neoconservadores que usam a religião como instrumento de poder foram satirizados, não a religião em si. Carnaval sempre foi espaço de crítica social.”
- Presidente da Unidos da Tijuca: “Respeitamos todas as crenças. A escola não tem intenção de ofender fiéis, apenas de apontar contradições de quem mistura política e religião para fins eleitoreiros.”
O que diz a lei brasileira
- Art. 208 do Código Penal (vilipêndio): “Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa” → pena de 1 mês a 1 ano ou multa.
- Lei 7.716/1989 (crimes de discriminação): pode enquadrar se interpretado como incitação ao ódio religioso.
- Liberdade de expressão (art. 5º, IV e IX da Constituição): protege sátira e crítica política, mas não é absoluta quando há ofensa à dignidade de grupos religiosos.
A ala “Neoconservadores em conserva” da Unidos da Tijuca se tornou o maior caso de conflito entre liberdade artística e respeito religioso do Carnaval carioca recente. A escola mantém o título de campeã do Grupo Especial, mas enfrenta risco real de perda de patrocínios públicos, ações civis coletivas e até processo criminal contra o carnavalesco e o presidente.
O Jornal 25News acompanhará o inquérito da PGR, as audiências na Comissão de Direitos Humanos da Câmara e a reação das denominações evangélicas. Porque, em 2026, o limite entre sátira política e vilipêndio religioso está sendo testado no coração do samba — e o resultado pode mudar as regras do Carnaval para sempre.
Apoio Institucional
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