O governo brasileiro está estudando a viabilidade de criar o próprio GPS (Sistema de Posicionamento Global), feito por cientistas nacionais, para não depender dos Estados Unidos! A novidade começou a ser discutida semanas antes de as redes sociais explodirem com o debate sobre a possibilidade de os EUA, em caso de “guerra comercial” ou crise, desligarem o sinal de seu GPS para o Brasil.
A Ameaça de Trump e a Necessidade de um GPS Próprio!

Embora a criação do grupo técnico para o GPS brasileiro tenha sido planejada antes das recentes ameaças de Donald Trump de impor tarifas e sanções ao Brasil, o debate nas redes sociais sobre o “apagão do GPS” acendeu um alerta!
O GPS dos Estados Unidos é o sistema de localização mais usado no mundo. Um possível “apagão” (desligamento ou restrição do sinal) poderia afetar serviços essenciais no Brasil, como:
- Aviação: Voos civis e militares.
- Telefonia: Serviços de celular.
- Agricultura: Máquinas agrícolas que usam GPS.
- Aplicativos: Transportes por aplicativo, entregas e outros.
Rodrigo Leonardi, diretor de Gestão de Portfólio da Agência Espacial Brasileira (AEB), explicou à Agência Brasil que, em tese, os EUA poderiam restringir o sinal, mas isso seria uma medida tão drástica que só se justificaria se a segurança nacional deles estivesse ameaçada. Ele, porém, não acredita em um “apagão” do GPS no Brasil, já que não houve nenhum comunicado oficial dos EUA nesse sentido.
Outros Países Têm Seus Próprios GPS!

Leonardi lembrou que o Brasil usa o sistema de GPS dos Estados Unidos, mas existem outros sistemas globais que fazem o mesmo serviço:
- Glonass: Da Rússia.
- Galileo: Da União Europeia.
- BeiDou (ou BDS): Da China.
Além desses, algumas nações têm sistemas regionais, como a Índia (NavlC) e o Japão (Qzss). Isso mostra que ter um sistema próprio é uma questão estratégica para um país.
O Grupo do GPS Brasileiro: Complexidade e Desafios!

O grupo técnico para criar o GPS brasileiro foi formado por representantes de ministérios, da Aeronáutica, de agências e institutos federais, e da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil. Eles têm 180 dias (contados a partir de 14 de julho) para entregar um relatório com suas conclusões e sugestões ao ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
O desafio é grande! Desenvolver o próprio sistema de geolocalização por satélite é um empreendimento de altíssima complexidade e custo. “No Brasil, historicamente, priorizamos o debate acerca de outros aspectos espaciais, como a necessidade de termos satélites para monitoramento territorial”, disse Leonardi.
O Brasil tem os cientistas, mas falta dinheiro! Geovany Araújo Borges, da UnB, reforça que o problema não é a mão de obra qualificada, mas o investimento necessário. Além disso, o Brasil precisaria desenvolver sua própria indústria de microeletrônica, pois alguns países podem não exportar componentes essenciais.
Celulares Continuariam Funcionando!
A boa notícia é que a maioria dos aparelhos celulares já são multiconstelação, ou seja, conseguem receber o sinal de diferentes sistemas de geolocalização. Então, mesmo se o sinal do GPS dos EUA fosse restrito, nossos celulares seguiriam funcionando normalmente em termos de localização.
A iniciativa de ter um GPS brasileiro é fundamental não só para a defesa e a independência do país, mas também para áreas como a medicina, a indústria e a agropecuária, que se beneficiam do desenvolvimento de tecnologias aeroespaciais.
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