FLÁVIO PODE VENCER NO PRIMEIRO TURNO? PESQUISA REVELA A CONTA E OS LIMITES DA HIPÓTESE
BTG/Nexus aponta Lula com 40% e Flávio com 37%; votos de outras candidaturas poderiam mudar o cenário se os eleitores decidissem migrar antes de 4 de outubro
Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 22 de setembro de 2026.

Leitura Rápida — 1 Minuto
Uma concentração de votos em Flávio Bolsonaro (PL) poderia, em tese, levá-lo à vitória presidencial no primeiro turno. Na pesquisa BTG/Nexus divulgada em 21 de setembro, Lula (PT) tem 40% das intenções de voto e Flávio, 37%. Candidatos situados à direita ou centro-direita, Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), somam 9 pontos percentuais. Se todos os seus eleitores escolhessem Flávio, ele passaria hipoteticamente a 46% dos entrevistados. A condição legal, porém, é superar 50% dos votos válidos depositados nas urnas. A pesquisa não mediu essa transferência.
Leitura Integral
Todos os nomes no cenário estimulado
| Candidato | Partido | Intenção de voto | Campo político aproximado |
|---|---|---|---|
| Luiz Inácio Lula da Silva | PT | 40% | Esquerda / centro-esquerda |
| Flávio Bolsonaro | PL | 37% | Direita |
| Augusto Cury | Avante | 6% | Centro / candidatura que evita enquadramento rígido |
| Ronaldo Caiado | PSD | 5% | Centro-direita / direita |
| Renan Santos | Missão | 3% | Direita, com projeto próprio e oposição ao bolsonarismo |
| Romeu Zema | Novo | 1% | Direita liberal |
| Samara Martins | UP | 1% | Esquerda socialista |
| Edmilson Costa | PCB | Menos de 1% | Esquerda comunista |
| Hertz Dias | PSTU | Menos de 1% | Esquerda socialista |
| Rui Costa Pimenta | PCO | Menos de 1% | Esquerda |
| Veterinário Wilson Grassi | Democrata | Menos de 1% | Posição não estabelecida com segurança para esta análise |
| Clariana Barão | DC | Menos de 1% | Centro-direita, conforme posicionamento da candidata |
Branco, nulo ou não pretende votar: 4%. Não sabe ou não respondeu: 3%. A publicação do levantamento informa “menos de 1%” para cinco candidaturas e não fornece, nessa tabela, um número mais preciso para cada uma. Os percentuais inteiros são arredondados: não devem ser tratados como contagem exata de votos.
O instituto entrevistou 2.006 eleitores por telefone entre 18 e 20 de setembro. A margem de erro divulgada é de dois pontos percentuais, com 95% de confiança. Registro no TSE: BR-00485/2026. Os números da tabela são de intenção de voto na modalidade estimulada, em que os nomes dos candidatos são apresentados ao entrevistado.
O que muda se votos se concentrarem em Flávio?
Na simulação restrita às três candidaturas classificadas à direita ou centro-direita com percentuais inteiros publicados, a soma é 37% (Flávio) + 5% (Caiado) + 3% (Renan) + 1% (Zema) = 46% dos entrevistados. Se, além disso, todos os eleitores de Augusto Cury optassem por Flávio, a soma hipotética subiria para 52%. Cury, entretanto, não foi incluído automaticamente no grupo da direita: sua candidatura se apresenta como projeto próprio, e seus eleitores podem fazer escolhas diferentes.
Há uma distinção essencial entre esses percentuais e o resultado eleitoral. Para ser eleito em 4 de outubro, Flávio precisa obter mais da metade dos votos válidos, que excluem votos brancos e nulos. A categoria da pesquisa “branco/nulo/não vai votar” mistura respostas distintas, e os 3% de indecisos ainda podem escolher qualquer candidato. Por isso, não é correto converter diretamente os 46% ou os 52% da simulação em uma projeção oficial de votos válidos.
O comportamento dos eleitores tampouco segue uma soma automática. Renan Santos, por exemplo, mantém candidatura e discurso próprios. Mesmo um eventual apoio de um concorrente não obriga seus eleitores a seguir a indicação. Uma pesquisa que teste expressamente o cenário sem determinadas candidaturas ajudaria a estimar a migração, mas a resposta definitiva virá das urnas.
Fernando Henrique Cardoso foi eleito presidente no primeiro turno em 1994 e 1998, precedente de que a maioria antecipada é possível. Para Flávio repetir uma vitória no primeiro turno, a mudança de preferência precisaria ocorrer antes da votação de 4 de outubro. Se ninguém superar metade dos votos válidos, o segundo turno está previsto para 25 de outubro.
Conclusão: o cenário apresentado é uma hipótese eleitoral real e matematicamente possível: Flávio Bolsonaro poderia vencer já no primeiro turno se uma ação política pró-Flávio, capaz de mobilizar e convencer eleitores que hoje preferem outras candidaturas, concentrasse nele votos suficientes antes de 4 de outubro para superar metade dos votos válidos. Os percentuais da BTG/Nexus mostram por que essa possibilidade merece atenção, mas não medem a eficácia de tal mobilização nem autorizam tratar a migração como certa. O resultado dependerá da escolha livre dos eleitores nas urnas.
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