A concessionária Urbia Parques, responsável pela gestão do Parque Ibirapuera desde 2021, apresenta nesta quarta-feira (11/03) ao Conselho Deliberativo do Parque Ibirapuera o projeto de reforma e requalificação da antiga Serraria do Ibirapuera (também chamada de Galpão dos Bondes), um imóvel tombado de 1928 localizado na área central do parque. O investimento anunciado é de R$ 35 milhões, e a proposta principal é transformar o galpão em uma academia de ginástica premium com equipamentos de alto padrão, aulas coletivas e área de musculação, mantendo a fachada original e parte da estrutura interna como elemento decorativo.
O que prevê o projeto da Urbia

- Área construída: ampliação interna de 1.200 m² para 2.800 m² (incluindo mezanino).
- Uso principal: academia com capacidade para 400–500 alunos simultâneos, vestiários, sauna, espaço de crossfit e estúdio de pilates/yoga.
- Preservação: fachada e estrutura metálica original serão mantidas; interior ganha piso elevado, iluminação LED e climatização, mas com “respeito visual” ao galpão histórico.
- Modelo de exploração: mensalidades entre R$ 180–350 (estimativa baseada em academias premium da rede Bodytech e Smart Fit na região), com acesso exclusivo para sócios e venda de pacotes para não-sócios do parque.
- Justificativa da Urbia: “O galpão está subutilizado há décadas. A academia trará receita para manutenção do parque inteiro, atrairá público jovem e pagante, e ajudará na revitalização do entorno do Centro de Convenções.”
Por que o projeto enfrenta resistência

- Órgãos de patrimônio (Conselho do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo – CONPRESP e Condephaat): – Consideram o uso comercial incompatível com o tombamento do galpão (resolução Condephaat 1992). – Argumentam que academia gera ruído, tráfego de pessoas, impacto visual (placas, iluminação externa) e descaracterização do imóvel como “serraria histórica”. – Proposta alternativa: uso cultural (espaço para exposições, oficinas de arte, sede de orquestra ou centro de memória do parque).
- Movimentos de defesa do parque (SOS Ibirapuera, Amigos do Ibirapuera, Observatório do Ibirapuera): – Acusam a Urbia de “mercantilização do espaço público”. – Temem que a academia vire “clube fechado” dentro do parque gratuito, criando gueto de classe média-alta. – Questionam se a receita da academia realmente será revertida integralmente ao parque (há suspeitas de que parte vá para custos operacionais da concessionária).
- Moradores e usuários do parque: – Divisão: parte apoia (mais opções de lazer saudável); parte rejeita (preferem espaços abertos e gratuitos).
Contexto do contrato de concessão
- A Urbia venceu a concessão em 2020 por 35 anos (até 2055), com outorga de R$ 98 milhões + repasse de 5% da receita bruta ao poder público.
- O contrato permite intervenções em imóveis tombados desde que aprovadas pelos órgãos de patrimônio.
- A Serraria é um dos poucos galpões industriais do início do século XX preservados na cidade; sua reforma é vista como teste para o modelo de concessão: até onde pode ir a exploração comercial em área tombada e de uso público?
Até Agora
A apresentação ao Conselho Deliberativo do Parque Ibirapuera nesta quarta (11/03) será decisiva. O conselho (composto por representantes da Prefeitura, Estado, sociedade civil e especialistas) pode aprovar, rejeitar ou exigir alterações significativas (ex.: reduzir o porte da academia, limitar horários, tornar parte do espaço gratuito). Se aprovado, a reforma começa no segundo semestre de 2026; se rejeitado, Urbia pode recorrer ao Judiciário ou negociar nova proposta.
O Jornal 25News acompanhará a reunião do conselho e as manifestações previstas na porta do Parque Ibirapuera. Porque, quando um galpão histórico de 1912 pode virar academia de R$ 35 milhões, o que está em jogo não é só concreto e academia — é o equilíbrio entre revitalização econômica, preservação patrimonial e o direito da população a um parque que continue sendo de todos, não de quem pode pagar mensalidade. Em 2026, São Paulo decide se o Ibirapuera continua sendo o “pulmão verde” da cidade ou se vira também um “pulmão fitness” de acesso restrito.
Apoio Institucional
Ibrachina – Instituto Sociocultural Brasil-China
APECC – Associação Paulista de Empreendedores
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Calabria – Oportunidades de Negócios
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