Centro Histórico da Cidade de São Paulo, Sexta-Feira, 27 de Fevereiro de 2026.
Editorial Mario Marcovicchio-360graus:
A OBRA PASSA. A CIDADE E O CIDADÃO FICAM.
O Novo Centro Administrativo de SP só será “virada” se entregar três coisas mensuráveis: transparência no gasto, justiça social no território e segurança urbana na prática — não no discurso
Editorial 360º Graus — Mário Marcovicchio | Jornal25News – Independente

O leilão do Novo Centro Administrativo do Governo de São Paulo não é um detalhe burocrático: é uma escolha de modelo de Estado. Na B3, o projeto foi concedido ao Consórcio MEZ-RZK Novo Centro, com desconto de 9,62% sobre a contraprestação mensal máxima prevista de R$ 76,6 milhões, dentro de uma PPP com prazo de 30 anos.
O governo vende esse pacote como racionalidade e eficiência: centralizar secretarias e órgãos hoje espalhados por dezenas de endereços para reunir mais de 22 mil servidores em um complexo com sete edifícios e dez torres, com investimento estimado em R$ 6 bilhões. Isso vem acompanhado de promessas urbanísticas: restauro de 17 imóveis tombados, ampliação de mais de 40% das áreas verdes do Parque Princesa Isabel, 25 mil m² para comércio e serviços e um novo terminal de ônibus.
Mas editorial não é propaganda — editorial é crivo. E o primeiro crivo é simples: qual é a regra do jogo do dinheiro público? Em PPPs, o pagamento não é “um cheque” por simpatia. Há contrato, indicadores e mecanismos de desempenho: a lógica é pagar pela entrega e pela manutenção do padrão, com abatimentos quando a qualidade cai. Esse desenho está nos documentos oficiais do projeto, que preveem indicadores de desempenho como eixo do contrato e da remuneração.
O segundo crivo é o território — porque toda obra passa e todo governo passa, mas quem permanece é o cidadão que mora, trabalha e respira ali. E o território já respondeu, com tensão. No dia do leilão, houve protestos e cobrança direta por diálogo, com medo de desapropriações e de uma valorização que expulse quem sempre viveu na região. Isso não é “barulho”: é o termômetro de legitimidade.
A verdade 360º é esta: o Centro pode ganhar um motor de circulação diária (gente, serviço, comércio), mas pode também sofrer uma cirurgia sem anestesia se a política social virar rodapé. Requalificação urbana sem proteção social costuma trocar um problema por outro: empurra a vulnerabilidade para uma rua ao lado e chama isso de “solução”. Aqui, o projeto só merece a palavra virada se for acompanhado de meta pública e rastreável para habitação, reassentamento, serviços e proteção de pequenos negócios do entorno — com nome, prazo e indicador.
Existe ainda um terceiro crivo, que decide a vida real: segurança urbana e ordem pública. Um Centro Administrativo não é apenas prédio: é fluxo. E fluxo, sem segurança, vira medo; com medo, vira evasão; com evasão, o Centro volta a sangrar. Não basta anunciar “revitalização”. O que transforma é rotina: iluminação, zeladoria, presença institucional e resposta rápida — todos os dias.
Então, quem ganha e quem perde?
Ganha o cidadão se (e somente se) a PPP virar um padrão novo de execução: contrato aberto à sociedade, metas claras, fiscalização dura e prestação de contas regular. Ganha o Centro se a requalificação vier com comércio local protegido, mobilidade funcionando e segurança real.
Perde o cidadão se o projeto virar uma máquina de aditivos, atrasos, “revisões” e opacidade. Perde a população vulnerável se desapropriação e reassentamento forem tratados como detalhe administrativo. E perde o próprio Estado se centralizar secretarias e, ao mesmo tempo, abandonar o território ao conflito e ao medo — porque um Centro que expulsa gente não é “revitalizado”; é apenas trocado de dono.
A virada que o Brasil precisa não é uma virada de marketing. É uma virada de método. Se São Paulo conseguir provar que dá para fazer grande obra com transparência, justiça territorial e entrega mensurável, o recado nacional é poderoso: dá para reconstruir sem teatro. Se não conseguir, será mais uma obra que passa — e um cidadão que fica, pagando a conta e segurando a cidade nas costas.
A pergunta final, portanto, é objetiva: o Novo Centro Administrativo vai ser monumento de concreto ou referência de governança?
O Centro já esperou demais. Agora, o Centro vai cobrar.
Apoio Institucional
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